Ainda que a pobreza seja perceptível em diversos lugares e situações, é muito difícil captar exatamente sua dimensão, quais são as carências e o que é preciso fazer para amenizar o sofrimento das pessoas que vivem com pouco ou nenhum recurso. Para ajudar a traçar um perfil mais preciso dos problemas da pobreza no Brasil, pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) propuseram um novo cálculo do índice de pobreza, baseado nas informações coletadas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para medir a pobreza em sua complexidade, foram consideradas diversas dimensões da pobreza, mensuradas a partir de indicadores concretos. Adaptado de Sociedade: as dimensões da pobreza, in https://www.ipea. gov.br/desafios A esse respeito, relacione as dimensões da pobreza à descrição dos respectivos indicadores. 1. vulnerabilidade e desproteção familiar; 2. falta de acesso ao conhecimento; 3. insuficiência de renda familiar. ( ) ausência de adulto com secundário completo e/ou ausência de trabalhador com qualificação média ou alta, entre outros; ( ) taxa de desocupação da população de 18 anos ou mais de idade e/ou taxa de ocupação informal das pessoas de 10 a 14 anos de idade; ( ) presença de criança ou idosos na família e/ou existência de criança no domicílio cuja mãe já tenha morrido ou que não viva com a mãe, entre outros; ( ) renda familiar per capita inferior à linha de extrema pobreza e/ou parte majoritária da renda familiar proveniente de programas de transferências. A sequência correta, de cima para baixo, é:
- A)1, 1, 2, 3;
Errada, porque os dois primeiros itens não tratam de vulnerabilidade familiar, e o último não é de acesso ao conhecimento, mas de renda.
- B)1, 2, 1, 3;
Errada, porque o segundo item não é falta de conhecimento e o terceiro não é acesso ao conhecimento, mas vulnerabilidade familiar.
- C)2, 3, 1, 1;
Errada, porque o primeiro item corresponde a falta de acesso ao conhecimento, não a vulnerabilidade, e o segundo se liga à renda, não a educação.
- D)2, 3, 1, 3;
Certa, pois a sequência associa corretamente educação, renda, vulnerabilidade familiar e insuficiência de renda.
- E)3, 1, 2, 2.
Errada, porque inverte as dimensões e atribui renda e vulnerabilidade a categorias que não correspondem aos indicadores descritos.
Gabarito: D
A questão trabalha a ideia de pobreza como fenômeno multidimensional, e não só falta de dinheiro. Nesse tipo de abordagem, usada em estudos do Ipea com base em dados da Pnad/IBGE, a análise observa renda, educação, trabalho, composição familiar e outras vulnerabilidades, porque a carência costuma aparecer em mais de um aspecto ao mesmo tempo. Isso conversa com a visão doutrinária de pobreza multidimensional, em que o problema social é medido por vários indicadores concretos, e não por um único número mágico. Na primeira descrição, "ausência de adulto com secundário completo e/ou ausência de trabalhador com qualificação média ou alta" aponta para falta de acesso ao conhecimento, porque o foco está na escolaridade e na qualificação. A segunda, com "taxa de desocupação" e "ocupação informal", também se liga à insuficiência de renda familiar, já que o desemprego e a informalidade afetam diretamente a capacidade de gerar renda. A terceira, com presença de criança, idosos e situações de desproteção materna, caracteriza vulnerabilidade e desproteção familiar. Por fim, "renda familiar per capita inferior à linha de extrema pobreza" e renda vinda majoritariamente de transferências são exemplos clássicos de insuficiência de renda familiar. Assim, a sequência fica 2, 3, 1, 3, que é exatamente o gabarito da letra D. Em prova da FGV, vale lembrar: ela costuma trocar os conceitos de educação, trabalho e renda para testar se você lê o indicador com calma, sem cair no automático.