Roberto Burle Marx é um ícone do paisagismo brasileiro e o seu trabalho está associado à arquitetura modernista brasileira. Nos 60 anos de atividades ininterruptas, projetou as paisagens modernas de inúmeras cidades brasileiras. Criou os jardins da Pampulha, conjunto arquitetônico idealizado pelo arquiteto Oscar Niemeyer em Belo Horizonte, e imprimiu de forma indelével a sua marca na paisagem do Rio de Janeiro com os jardins do aeroporto Santos Dumont, o parque do Aterro do Flamengo e as calçadas de Copacabana. As paisagens mais significativas de Brasília também apresentam a marca de sua arte, como os jardins do Palácio da Alvorada, do Itamaraty e da Justiça, do Ministério do Exército e o parque Rogério Pithon Farias. Adaptado de https://cpdoc.fgv.br Burle Marx tornou-se um “ícone do paisagismo brasileiro”. Com base nesse texto e em seus conhecimentos, é correto afirmar que seus projetos:
- A)são estruturados a partir da matriz compositiva dos jardins clássicos franceses, com predomínio de formas geométricas e uso de canteiros floridos para criar um ambiente tropical;
Errada, porque descreve um jardim clássico francês, com rigidez geométrica e canteiros formais, o que não é a linguagem de Burle Marx.
- B)apresentam uma integração entre botânica e arquitetura moderna, dispondo a flora nativa ao longo de traçados sinuosos e livres, que compõem volumes e formas orgânicas;
Certa, pois resume a integração entre botânica e arquitetura moderna, com uso de plantas nativas, curvas livres e composição orgânica.
- C)recriam a natureza, ao redor de uma montanha ou de um lago, buscando a imobilidade e o silêncio para favorecer a meditação e transmitir mensagens espirituais;
Errada, porque essa descrição lembra jardins contemplativos de tradição oriental ou paisagismo de caráter meditativo, não o modernismo de Burle Marx.
- D)utilizam a topiaria para moldar os arbustos em formas arquitetônicas simétricas, estruturadas em uma série de terraços abertos, que podem ser abarcadas com um olhar;
Errada, porque topiaria simétrica e terraços abertos remetem a jardins formais e históricos, bem distantes da proposta livre e modernista do artista.
- E)incorporam as plantas do cerrado, espécies amazônicas e do sertão nordestino em canteiros planos e fechados, para catalogar e preservar a biodiversidade brasileira.
Errada, porque a ideia de catalogar biodiversidade em canteiros fechados não caracteriza o paisagismo artístico de Burle Marx, que buscava composição estética e integração espacial.
Gabarito: B
Roberto Burle Marx foi muito mais do que um paisagista: ele ajudou a transformar o jardim em parte da arquitetura moderna brasileira. Em vez de copiar modelos europeus tradicionais, ele valorizou a vegetação nativa, a experimentação plástica e a relação entre espaço construído e natureza. Por isso, seus projetos dialogam diretamente com Oscar Niemeyer e com a linguagem modernista: o jardim deixa de ser enfeite e passa a compor a obra como elemento artístico e funcional. A ideia central do trabalho de Burle Marx é a integração entre botânica e composição visual. Ele organizava as plantas como se estivesse desenhando uma pintura no chão, usando curvas, massas vegetais, contrastes de cores e texturas, sempre com muita liberdade formal. Essa fluidez aparece em obras famosas como os jardins da Pampulha, do Aterro do Flamengo e de Brasília. Por isso o gabarito é a letra B. Ela descreve exatamente essa união entre flora nativa, traçados sinuosos e formas orgânicas, que é a marca do paisagismo burle-marxiano. Se a banca fala em modernismo, organicidade e vegetação brasileira, pode acender a luzinha: é Burle Marx piscando para você. Não há aqui uma questão de lei ou jurisprudência, mas de história da arte e cultura brasileira. O ponto importante para concurso é reconhecer que Burle Marx rompeu com o jardim clássico e criou uma linguagem paisagística moderna, autoral e profundamente ligada ao Brasil.