O pensamento anarquista surgiu no Brasil no momento de formação e expansão do movimento operário e os acompanhou no decorrer deste embate. A condição da mulher proletária e da criança nas fábricas era ainda pior do que a dos demais trabalhadores, violentados, deportados e agredidos das mais variadas formas. Nesse contexto, principalmente entre os operários e operárias nos centros urbanos:
- A)Mesmo os jornais anarquistas, com sua visão libertária, preconizavam a necessidade de submissão feminina na sociedade autoritária, para evitar o enfraquecimento do movimento operário e conflitos de gênero.
Errada, porque o anarquismo não pregava submissão feminina; ao contrário, defendia a crítica às hierarquias e à opressão de gênero.
- B)A sociedade como um todo estabelecia na figura feminina comportamentos estereotipados, dando à mulher uma imagem inferiorizada, que, independentemente de sua classe social, deveria permanecer em casa.
Errada, pois mistura um retrato geral e estereotipado da mulher com o tema do anarquismo, sem responder ao ponto central sobre organização e emancipação operária feminina.
- C)As mulheres, invariavelmente, tinham consciência do seu papel reducionista, justamente por sua fragilidade a partir de uma definição da anatomia humana, em uma naturalização da condição de inferioridade feminina.
Errada, porque naturaliza a inferioridade feminina pela anatomia, ideia oposta à visão libertária e emancipatória associada ao anarquismo.
- D)Os laços impostos pela sociedade, o conservadorismo, o tradicionalismo e a autoridade masculina sobrepujavam os ideais de luta anarquista e acabavam por enfraquecer o movimento, que não tinha o menor apoio das operárias.
Errada, já que afirma ausência de apoio das operárias e enfraquecimento total do movimento, quando o texto aponta justamente a organização feminina em alguns grupos.
- E)Em alguns casos, mulheres se organizam em grupos que julgavam importante que se lutasse pela emancipação feminina, em prol de adquirir liberdade social. Era necessário que se propagasse a emancipação da mulher para sua libertação.
Certa, pois mostra mulheres organizadas em prol da emancipação feminina e da liberdade social, em sintonia com a luta anarquista nos centros urbanos.
Gabarito: E
O enunciado trata do anarquismo no Brasil no contexto do crescimento do movimento operário, especialmente nas cidades, onde a exploração do trabalho era pesada e atingia ainda mais as mulheres e as crianças. Nesse ambiente, o anarquismo não ficou preso só à crítica da fábrica e do patrão: ele também dialogou com a questão feminina, defendendo a emancipação da mulher como parte da libertação social mais ampla. A ideia central é simples: para muitos anarquistas, não bastava trocar o chefe da fábrica, era preciso mexer nas estruturas de dominação da sociedade inteira, inclusive o controle masculino sobre a vida das mulheres. Por isso, surgiram grupos e publicações em que operárias defendiam a organização feminina e a luta por liberdade social e igualdade. É exatamente isso que a alternativa E expressa. Ela capta que, em alguns casos, mulheres se organizavam em grupos voltados à emancipação feminina, entendendo que a libertação da mulher era condição importante para uma sociedade mais livre. Em outras palavras: sem emancipação feminina, a liberdade ficava capenga, mancando bonito. As demais opções caem em generalizações ou distorções. A banca quer que você reconheça a dimensão libertária do anarquismo e sua aproximação com pautas de gênero no meio operário, algo compatível com a história social do período e com a atuação de militantes anarquistas e operárias na Primeira República.