Talibã impõe fechamento de salões de beleza e cabeleireiros no Afeganistão O Talibã determinou que todos os salões de beleza e cabeleireiros no Afeganistão sejam fechados, a mais recente restrição para afastar ainda mais as mulheres da vida pública. Um porta-voz do Ministério do Vício e da Virtude comunicou que as empresas devem cumprir a medida dentro de um mês, a partir de 2 de julho. (Disponível em: https://veja.abril.com.br/mundo/taliba-impoe-fechamento-de-saloes-de-beleza-e-cabeleireiros-no-afeganistao.) As restrições às mulheres, orientadas e determinadas pelo talibã, que está no controle político do Afeganistão:
- A)São sustentadas pelas leis do Afeganistão, que mesmo antes do domínio Talibã, já seguia as leis desse grupo.
Errada, porque o Afeganistão não tinha, antes do Talibã, leis que seguissem esse grupo; trata-se de imposição do próprio movimento.
- B)Estão embasadas em uma visão ultraortodoxa da lei islâmica que, na sua essência, considera a mulher inferior ao homem.
Certa, pois as restrições decorrem de uma interpretação ultraortodoxa da lei islâmica usada pelo Talibã para subordinar as mulheres.
- C)Estão fundamentadas na sharia, baseada no Alcorão, em que está registrada a palavra e os ensinamentos do profeta Maomé, profundamente machista.
Errada, porque a sharia não pode ser tratada como sinônimo de machismo em sentido geral; o enunciado descreve a leitura radical do Talibã, não toda a tradição islâmica.
- D)Formam o subsídio para o governo autocrático e teocrático, no qual a mulher tem um papel sagrado de sustentar o poder e, por isso, precisa ser preservada.
Errada, porque o papel atribuído às mulheres pelo Talibã não é de preservação do poder, mas de exclusão e limitação da vida pública.
Gabarito: B
O Talibã é um movimento político-religioso que governa o Afeganistão com uma leitura extremamente rígida e conservadora do Islã. Na prática, isso aparece em restrições pesadas à vida das mulheres, como limitações para estudar, trabalhar, circular e usar espaços públicos. É um controle social muito forte, com cara de regime autoritário e moralismo de Estado. A ideia central da questão é perceber que essas medidas não são uma regra universal do Islã, nem representam automaticamente todos os países muçulmanos. Elas vêm de uma interpretação ultraortodoxa e radical, típica do Talibã, que usa a religião como justificativa política para restringir direitos. Por isso, a alternativa B está correta ao falar em visão ultraortodoxa da lei islâmica e na inferiorização da mulher. A alternativa C tenta te confundir ao citar a sharia e o Alcorão. A sharia é um conjunto de princípios jurídicos e religiosos do Islã, mas a forma de aplicação varia muito de país para país e de escola interpretativa para escola interpretativa. Então, não dá para dizer que a sharia, por si só, seja “profundamente machista” como regra geral. O problema aqui é a interpretação extremada feita pelo Talibã, não uma conclusão simples sobre toda a religião. Em resumo: a questão cobra a relação entre fundamentalismo religioso, autoritarismo e restrição dos direitos das mulheres. Se você viu “Talibã” e “restrições às mulheres”, pense logo em leitura radical da religião usada para legitimar controle social.