A complexidade que envolve a preservação do objeto digital, em contraste com a do livro impresso, impõe a identificação de elementos que devem ser mantidos para garantir que o objeto digital seja preservado como um todo. Do conjunto desses elementos, destaca-se a autenticidade, que:
- A)documenta a origem e a cadeia de custódia, no sentido de confirmar o trânsito e a integridade do objeto;
Incorreta, porque descreve cadeia de custódia e integridade do objeto, mas não define autenticidade.
- B)nomeia e referencia o objeto digital, de forma a distingui-lo de outras versões, cópias, edições e contrafações;
Incorreta, porque trata da identificação e diferenciação do objeto digital, não da verificação de sua autenticidade.
- C)informa se o documento é o que diz ser, se sua forma original foi preservada e se sofreu mudanças não autorizadas;
Correta, porque autenticidade significa confirmar se o documento é o que afirma ser, se sua forma original foi preservada e se não sofreu alterações não autorizadas.
- D)corresponde à forma, leiaute, tamanho e outros aspectos, que podem estar especificados em arquivos separados;
Incorreta, porque isso remete à forma de apresentação ou layout do objeto, não ao conceito de autenticidade.
- E)engloba, por exemplo, os componentes multimídia, os conteúdos dinâmicos, e as funções de interoperabilidade e de busca.
Incorreta, porque descreve componentes e funcionalidades do objeto digital, e não o atributo autenticidade.
Gabarito: C
Quando a gente fala em preservação digital, a ideia não é só guardar um arquivo em algum canto do computador e torcer para ele sobreviver. O desafio é manter o objeto digital de um jeito que ele continue confiável, legível e reconhecível ao longo do tempo, mesmo com mudanças de formato, sistema e suporte. Por isso, a doutrina de preservação digital trabalha com atributos como autenticidade, integridade, identidade e confiabilidade do objeto. A autenticidade é um desses pontos centrais. Ela responde à pergunta: esse documento é realmente o que afirma ser? Em outras palavras, o objeto preservado mantém sua forma original, sem alterações não autorizadas, e pode ser reconhecido como legítimo. Esse raciocínio aparece com frequência em referências como o modelo OAIS e em estudos de diplomática digital, que tratam da preservação da evidência e do contexto do documento. Na questão, o gabarito é a letra C porque ela descreve exatamente essa ideia: verificar se o documento é o que diz ser, se a forma original foi preservada e se houve mudanças não autorizadas. Isso é autenticidade em preservação digital, e não apenas identificação, descrição ou aparência do arquivo. As outras alternativas misturam conceitos próximos, mas diferentes. Algumas falam de cadeia de custódia, outras de identificação, outras de formato e metadados técnicos. Tudo isso ajuda na preservação, mas não define autenticidade. Em prova da FGV, vale ficar atento a essa troca de rótulos: ela adora pegar um conceito importante e apresentar uma vizinha dele, bem parecida, mas não igual.