Quando a restauração de itens do acervo bibliográfico é parte da política de preservação, os restauradores envolvidos devem adotar metodologias que consagrem intervenções que podem ser substituídas e até retiradas. Para isso, a política de preservação, caso considere a restauração como um recurso, deve prever medidas alicerçadas no princípio da:
- A)pertinência;
Pertinência fala de adequação ou relevância da ação, mas não da possibilidade de desfazer a intervenção.
- B)proveniência;
Proveniência se relaciona à origem e à manutenção da ordem original dos documentos, não à reversibilidade da restauração.
- C)reversibilidade;
Correta, porque a restauração deve permitir que a intervenção seja removida ou substituída, preservando o original.
- D)distinguibilidade;
Distinguibilidade exige que a intervenção seja identificável, mas isso não é o mesmo que poder ser desfeita.
- E)mínima intervenção.
Mínima intervenção é um princípio importante, porém ele trata de intervir o menos possível, não de tornar a intervenção reversível.
Gabarito: C
Quando a biblioteca decide restaurar um item do acervo, ela não está autorizada a “reinventar” a obra. A ideia central da preservação é intervir com cuidado, registrando o que foi feito e preferindo técnicas que não prendam definitivamente o documento a uma solução única. Em outras palavras: se amanhã surgir um método melhor, a intervenção anterior deve poder ser desfeita ou substituída sem causar novos danos. É justamente aí que entra o princípio da reversibilidade. Ele orienta a restauração para que os materiais, adesivos, suportes e procedimentos escolhidos permitam remoção futura, revisão técnica e eventual substituição, sempre com o mínimo de risco ao original. Essa lógica é muito presente na doutrina de conservação-restauração e combina com a visão moderna de preservação preventiva: conservar antes, reparar com parcimônia e, se restaurar, fazer isso de modo controlado. Por isso, o gabarito é a letra C. A política de preservação, ao considerar a restauração como recurso, deve prever medidas baseadas na reversibilidade, isto é, em intervenções que possam ser retiradas ou substituídas. É o famoso “não amarrou, não exagerou, não estragou”. As demais alternativas não traduzem esse critério técnico. Algumas até lembram princípios importantes da biblioteconomia e da conservação, mas não respondem à ideia de uma intervenção que precise poder voltar atrás. A banca costuma cobrar exatamente essa diferença entre princípios gerais de tratamento documental e o princípio específico que orienta a restauração.