Com a invenção dos tipos móveis por Gutenberg, no século XV, e a publicação dos primeiros incunábulos, rompeu-se o(a):
- A)censura a autores e títulos que não estivessem ligados a ordens religiosas;
Errada, porque a questão trata da mudança trazida pela imprensa, não de censura a obras religiosas.
- B)tradição de acervos bibliográficos centrados na cultura helênica;
Errada, pois a invenção de Gutenberg não se relaciona com uma tradição de acervos centrados na cultura helênica.
- C)acesso exclusivo que a classe dominante tinha sobre a leitura;
Errada, embora a imprensa tenha ampliado o acesso, o enunciado foca no fim do monopólio do manuscrito, não apenas na elite leitora.
- D)conceito de biblioteca religiosa, que excluía a produção de autores leigos;
Errada, porque o problema histórico apontado não é a exclusão de autores leigos por bibliotecas religiosas.
- E)monopólio que o livro manuscrito exercia sobre a cultura letrada.
Certa, pois os tipos móveis romperam a exclusividade do livro manuscrito na produção e circulação da cultura letrada.
Gabarito: E
A grande virada provocada por Gutenberg foi tecnológica e cultural: o livro deixou de depender exclusivamente da cópia manual e ganhou reprodução em série com os tipos móveis. Antes disso, o manuscrito era o rei da festa, caro, lento de produzir e restrito a poucos centros de produção e circulação. Com a imprensa, o conhecimento passou a circular mais, mais rápido e para mais pessoas. É aí que a questão quer chegar quando fala nos primeiros incunábulos, isto é, livros impressos até 1500, no começo da era tipográfica. Por isso, o ponto central é que se rompeu o monopólio do livro manuscrito sobre a cultura letrada. O manuscrito não desapareceu de imediato, claro, mas perdeu sua exclusividade como principal forma de difusão do texto. Em termos históricos, a imprensa abriu caminho para a ampliação do acesso à leitura, para o crescimento do mercado editorial e para a padronização de obras, algo decisivo para a Biblioteconomia e para a história do livro. A banca FGV gosta de transformar essa mudança em uma frase bem direta, testando se você sabe identificar o impacto da imprensa na história do livro. Então, sempre que aparecer Gutenberg, tipos móveis e incunábulos, pense na ruptura com a dependência do manuscrito, e não em temas como censura religiosa ou cultura helênica. Em resumo: a imprensa de Gutenberg não só mudou a técnica de produzir livros, como abalou a antiga exclusividade do manuscrito na circulação do saber.