Considerando os fundamentos da conservação preventiva em bibliotecas, analise as afirmativas a seguir, sobre etiquetagem no preparo físico de livros. I. Em livros de valor significativo não devem ser usadas etiquetas ou fitas autoadesivas, porque as colas podem distorcer a cor da capa e manchá-la. II. Em livros sem valor especial, é preciso monitorar a vida útil da etiqueta autoadesiva utilizada, evitando que a cola resseque e a etiqueta caia ou que a cola vaze, tornando o suporte pegajoso. III. Em livros com ou sem valor especial, o revestimento com jaqueta de poliéster, para fixação de etiqueta autoadesiva não é recomendável porque o poliéster, mesmo testado e de comprovada estabilidade química, pode interagir com o suporte. Está correto o que se afirma em
- A)I, apenas.
A alternativa sustenta que apenas a afirmativa I é correta, e essa parte tem fundamento, porque em obras de valor significativo evita-se etiqueta ou fita autoadesiva diretamente na capa, já que a cola pode migrar, manchar e alterar o acabamento. O problema é que a afirmativa II também descreve uma medida válida de conservação preventiva para livros comuns: acompanhar a durabilidade da etiqueta para que ela não se desprenda nem apresente exsudação da cola. Assim, limitar o acerto somente à I deixa de fora uma proposição igualmente adequada.
- B)III, apenas.
A alternativa aposta na tese de que a afirmativa III seria a única correta, mas isso não corresponde ao uso conservacionista do poliéster. A jaqueta de poliéster não é rejeitada por suposta interação química com o suporte; ao contrário, o material é quimicamente estável e amplamente empregado na proteção de acervos. Como as afirmativas I e II é que traduzem os cuidados corretos com a etiquetagem, a exclusividade da III não se sustenta.
- C)I e II, apenas.
A alternativa reúne as afirmativas I e II, que estão de acordo com a conservação preventiva. Em livros de valor significativo, evita-se etiqueta ou fita autoadesiva porque a cola pode migrar, manchar e deformar a capa; em livros comuns, a etiqueta precisa ser monitorada ao longo do tempo para não ressecar, cair ou vazar cola. A afirmativa III erra ao tratar o poliéster como material problemático por interação com o suporte, quando ele é um dos polímeros mais estáveis usados na proteção bibliográfica.
- D)I e III, apenas.
A alternativa combina I e III. A primeira está correta pelos riscos reais de adesivos em obras de valor, mas a terceira não procede porque a jaqueta de poliéster não é desaconselhada por suposta interação com o suporte, e sim costuma ser aceita justamente por sua estabilidade química. Além disso, a afirmativa II também é verdadeira, o que torna incompleto esse conjunto.
- E)I, II e III.
A alternativa afirma que as três proposições estão corretas. Embora I e II correspondam a cuidados legítimos com livros de diferentes níveis de valor, a terceira introduz uma justificativa tecnicamente errada ao atribuir ao poliéster uma interação indesejada com o suporte. Como o material é estável e amplamente usado em conservação, não se pode validar o trio completo.
Gabarito: C
Na conservação preventiva, a ideia é simples: tudo que entra em contato com o livro deve ser o menos agressivo possível. Na etiquetagem, isso vale ainda mais para obras de valor significativo, porque etiquetas e fitas autoadesivas podem liberar cola, manchar a capa, alterar a cor e até acelerar danos no suporte. Por isso, nesses casos, a recomendação é evitar esse tipo de material e optar por soluções mais seguras e reversíveis. Já em livros sem valor especial, a etiqueta autoadesiva pode ser usada, mas com acompanhamento. A cola envelhece, perde aderência, resseca, pode cair ou, no extremo oposto, vazar e deixar a superfície pegajosa. Em conservação, nada é tão permanente quanto um problema mal monitorado, então a manutenção periódica faz parte do jogo. A afirmativa III está errada porque a jaqueta de poliéster, quando bem utilizada, é uma solução estável e amplamente aceita para proteção e fixação de etiquetas em materiais de biblioteca. O poliéster, em regra, é quimicamente estável e não é justamente o vilão descrito no item. Assim, o que se afirma com segurança é que I e II estão corretas, e III não. Em termos doutrinários, isso se alinha aos princípios clássicos da conservação preventiva em bibliotecas: evitar materiais reativos, controlar o envelhecimento dos insumos e priorizar procedimentos reversíveis e de baixo risco para o acervo.