Para Mendonça (2018), a perspectiva da biblioteconomia social tem trazido a possibilidade de uma atuação profissional do bibliotecário, que atenda às necessidades informacionais das minorias, e também reivindica uma biblioteconomia crítica e comprometida socialmente, tanto na teoria como na prática. NÃO condiz com o que se refere às ações e práticas do profissional bibliotecário, na perspectiva da biblioteconomia social:
- A)Fomentar políticas públicas e subsídios governamentais, para ações perenes de desenvolvimento humano e cultural.
Correta, pois a biblioteconomia social admite a articulação com políticas públicas e ações de desenvolvimento humano e cultural.
- B)Garantir acesso à informação, para diferentes grupos, sem detrimento às idiossincrasias e à identidade das comunidades.
Correta, porque a garantia de acesso à informação para grupos diversos é um núcleo central da perspectiva social.
- C)Participar de ações de impacto social no planeta.
Correta, já que a atuação social do bibliotecário pode incluir iniciativas com impacto social mais amplo, inclusive para além da biblioteca.
- D)Fortalecer seu papel como agente transformador da sociedade, o que prescinde, por exemplo, a participação em projetos políticos e sociais da comunidade na qual a biblioteca em que atua está inserida.
Errada, porque a atuação transformadora do bibliotecário pressupõe participação em projetos políticos e sociais da comunidade, e não o contrário.
- E)Buscar atender a comunidade local, disponibilizando a biblioteca como ambiente cultural e de socialização.
Correta, pois a biblioteca é também espaço de cultura, convivência e fortalecimento da comunidade local.
Gabarito: D
A biblioteconomia social amplia a visão tradicional da área: o bibliotecário deixa de ser só o guardião do acervo e passa a atuar como agente de inclusão, cidadania e transformação social. Nessa perspectiva, o foco está nas necessidades informacionais de grupos historicamente vulnerabilizados, no fortalecimento das comunidades e na biblioteca como espaço vivo de cultura, acesso e participação. Por isso, fazem sentido ações como garantir acesso à informação para diferentes grupos, apoiar políticas públicas, atuar em projetos sociais e aproximar a biblioteca da comunidade. A ideia central é que a informação tem valor social e deve contribuir para reduzir desigualdades, não apenas organizar livros bonitinhos na estante. O item que foge dessa lógica é o que diz que o bibliotecário fortalece seu papel transformador, mas isso dispensaria a participação em projetos políticos e sociais da comunidade. A biblioteconomia social segue exatamente na direção oposta: ela valoriza o envolvimento com a realidade social do território, porque transformação sem participação concreta vira só discurso elegante. Em termos doutrinários, essa visão dialoga com autores como Paulo Freire e com a biblioteconomia crítica, que defendem uma atuação comprometida com justiça social, diversidade e emancipação informacional. Assim, a alternativa incorreta é a que nega essa dimensão comunitária e política da prática bibliotecária.