No Brasil, a expressão “estudo de usuários” teve origem em meados do século XX, como um desmembramento natural do levantamento bibliotecário, que consiste na coleta sistemática de dados concernentes ao sistema, suas atividades, operações, pessoal, uso e usuários, em um dado momento ou em um período de tempo. Com base na obra “Manual de estudos de usuários da informação”, de autoria de Murilo Bastos da Cunha, Sueli Angelica do Amaral e Edmundo Brandão Dantas, assinale a afirmativa INCORRETA acerca dos estudos de usuários.
- A)O estudo de usuários, como campo de estudo da Biblioteconomia, serve para guiar a política de seleção de uma biblioteca orientada aos interesses dos seus usuários, sendo caracterizado como exemplo visível e útil de integração benéfica na interlocução com a Ciência da Informação.
Certa: relaciona o estudo de usuários à política de seleção e à integração com a Ciência da Informação, o que é compatível com a doutrina da área.
- B)O estudo de usuários da informação é importante para entender a relação de pessoas e grupos de pessoas e suas formas de interagir com a informação no ato de se informarem. Por consequência, são estudos de suma importância também para aqueles que prestam serviços de informação.
Certa: descreve adequadamente a importância do estudo de usuários para compreender o comportamento informacional e aperfeiçoar serviços de informação.
- C)O estudo de usuários, no âmbito da Biblioteconomia, dinamiza a aquisição de obras e pode ajudar na organização da biblioteca propriamente dita, desde a construção do seu prédio até a definição dos produtos e serviços a serem oferecidos ao apontar diretrizes para a disseminação da informação.
Certa: o estudo de usuários subsidia aquisição, organização, planejamento físico e definição de produtos e serviços da biblioteca.
- D)Os estudos de usuários de bibliotecas jurídicas são mais conhecidos como estudos de comunidade. São investigações à parte na área de pesquisa em biblioteconomia, porque, geralmente, os pesquisadores são advogados e os objetivos das investigações se referem às necessidades de informação e não de documentos em particular.
Errada: faz afirmações imprecisas sobre bibliotecas jurídicas e confunde o enquadramento dos estudos de usuários com uma suposta categoria de estudos de comunidade e com o perfil dos pesquisadores.
- E)Na perspectiva da Biblioteconomia, o ambiente informacional em destaque é a prestação de serviços pelas bibliotecas. Já na perspectiva da Ciência da Informação, o ambiente informacional se expande com a inclusão das organizações, entendidas na ótica da gestão da informação e do conhecimento como organizações que aprendem.
Certa: expressa bem a distinção entre o enfoque mais bibliotecário e o campo mais amplo da Ciência da Informação, com destaque para organizações e gestão do conhecimento.
Gabarito: D
O estudo de usuários é uma ferramenta central da Biblioteconomia porque ajuda a biblioteca a sair do achismo e trabalhar com evidências. Em vez de decidir compra, serviços e organização com base em “eu acho que o usuário quer isso”, o profissional coleta dados sobre necessidades, hábitos, uso da informação e comportamento informacional. Isso orienta desde a seleção e aquisição até a definição de produtos, serviços e prioridades de atendimento. Na prática, é o jeito mais inteligente de fazer a biblioteca conversar com seu público sem falar sozinha. Na obra citada no enunciado, os estudos de usuários aparecem como um campo que dialoga fortemente com a Ciência da Informação, justamente porque a informação não existe só como acervo: ela circula, é buscada, usada e reinterpretada por pessoas e grupos. Por isso, os estudos de usuários ajudam a entender como indivíduos se informam e como os serviços de informação devem responder a isso. A alternativa B traduz bem essa lógica, e a A e a C também caminham nessa mesma direção, ao relacionar o estudo de usuários com seleção, aquisição, organização e serviços. A letra D é a incorreta porque mistura conceitos e faz generalizações indevidas. Estudos de usuários de bibliotecas jurídicas não são, em regra, chamados de “estudos de comunidade”, nem podem ser tratados como investigações “à parte” por serem feitos por advogados. O foco principal desses estudos é identificar necessidades de informação dos usuários, e não de documentos específicos, mas isso não autoriza a classificação apresentada na alternativa. Em biblioteconomia, o nome e o recorte do estudo dependem do objeto e do contexto, não de uma regra tão solta assim. A letra E também segue a linha doutrinária conhecida: a Biblioteconomia tradicionalmente enfatiza a biblioteca e seus serviços, enquanto a Ciência da Informação amplia o olhar para organizações, fluxos informacionais e gestão do conhecimento. Em resumo, a questão cobra a ideia de que estudar o usuário é estudar a base real do serviço informacional. Quem conhece o público, acerta melhor a mão na seleção, no atendimento e na disseminação da informação.