A respeito da história do teatro brasileiro, assinale a opção que descreve corretamente a obra assinalada.
- A)Auto da Pregação Universal (1567), de José de Anchieta, inaugura a comédia de costumes no Brasil, criticando hábitos e vícios da sociedade brasileira, com base na literatura de cordel.
Errada: Auto da Pregação Universal é ligado ao teatro jesuítico de José de Anchieta, e não inaugura comédia de costumes nem se baseia em literatura de cordel.
- B)O Juiz de Paz na Roça (1838), de Martins Pena, abre o realismo na dramaturgia brasileira, abordando as principais questões sociais da época, como o patriarcado e a escravidão.
Errada: O Juiz de Paz na Roça é uma comédia de costumes de Martins Pena, mas não abre o realismo dramático brasileiro nem trata diretamente de patriarcado e escravidão como marca principal.
- C)Vestido de Noiva (1943), de Nelson Rodrigues, introduz inovações na estrutura narrativa, adotando planos de ação simultâneos para a realidade, a alucinação e a memória.
Certa: Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, introduz uma estrutura inovadora com três planos simultâneos - realidade, memória e alucinação - e é marco do teatro moderno brasileiro.
- D)Arena conta Zumbi (1965), de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, apresenta um teatro pedagógico e nacionalista, que valoriza a pluralidade cultural e religiosa do país.
Errada: Arena conta Zumbi pertence ao teatro de arena e ao engajamento político, mas a descrição exagera ao chamá-lo de teatro pedagógico nacionalista com ênfase na pluralidade cultural e religiosa como traço definidor.
- E)Os Sertões (2002) de Zé Celso, no Teatro Oficina, exemplifica o teatro pós-moderno, marcado pela espacialidade do palco bem delimitada em um plano elevado, com o público em frente a ele, sentado ou em pé.
Errada: Os Sertões, de Zé Celso, é uma montagem experimental e de forte ruptura espacial, mas não se caracteriza por palco elevado bem delimitado e público frontal tradicional.
Gabarito: C
A história do teatro brasileiro costuma ser cobrada pela associação entre obra, autor e marco estético. A banca adora misturar datas, movimentos e características para ver se voce confunde pioneirismo com rótulo bonito. Aqui, o ponto central é perceber que cada obra marcou uma virada diferente, e não necessariamente aquilo que o enunciado afirma. No caso de Nelson Rodrigues, Vestido de Noiva é uma obra-chave porque rompe com a forma tradicional de contar a história no palco. Em vez de uma ação linear e certinha, a peça organiza a encenação em três planos simultâneos: realidade, memória e alucinação. Isso foi um salto importante na dramaturgia brasileira, aproximando a cena de uma estrutura mais moderna e psicológica. É por isso que o gabarito é a letra C. A obra foi escrita em 1943 e é considerada um marco do teatro moderno no Brasil, tanto pela inovação estrutural quanto pelo tratamento mais complexo da subjetividade. Se voce lembrar de "três planos" e "narrativa fragmentada", já matou a questão. As outras alternativas tentam colar em autores conhecidos, mas trocam a característica histórica de cada obra. Em prova, o truque é simples: o nome pode até soar certo, mas o movimento teatral descrito precisa combinar com a obra real. Aqui, quem acertou foi quem reconheceu a inovação formal de Vestido de Noiva, e não caiu na conversa de comédia de costumes, realismo ou teatro pedagógico.