Durante o Congresso Brasileiro de Folclore, em 1955, reconceituou o termo como um “conjunto das criações culturais de uma comunidade, baseado nas suas tradições expressas individual ou coletivamente, representativo de sua identidade social. Constituem-se fatores de identificação da manifestação folclórica: aceitação coletiva, tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade. (BENJAMIN, 2022.) Tal conceituação aproxima a relação entre o folclore e o campo do ensino e educação, incorporando novas características como transmissão oral, tradicionalidade e regionalidade. No desenvolvimento do teatro brasileiro o folclore performa um lugar significativo. As influências dos ideais regionalistas difundidos por Gilberto Freyre, sublinham o surgimento do Teatro do Nordeste, liderado por Hermilo Bora Filho, que se fundamenta pela transmissão oral e regionalidade, tendo com maior expressão a dramaturgia:
- A)Macunaíma – Antunes Filho.
Errada, porque Macunaíma é uma adaptação moderna de Antunes Filho a partir de Mário de Andrade, mais ligada ao modernismo do que ao Teatro do Nordeste de Hermilo Borba Filho.
- B)Juiz de Paz na Roça – Martins Pena.
Errada, porque Juiz de Paz na Roça é de Martins Pena e pertence ao teatro do século XIX, com outro contexto histórico e estético.
- C)Auto da Barca do Inferno – Gil Vicente.
Errada, porque Auto da Barca do Inferno é de Gil Vicente, clássico do teatro português, sem relação direta com o regionalismo nordestino pedido no enunciado.
- D)Auto da Compadecida – Ariano Suassuna.
Certa, porque Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna, incorpora oralidade, tradição popular e regionalidade, sendo exemplar do teatro nordestino.
Gabarito: D
A questão mistura folclore, regionalismo e teatro brasileiro. O ponto central é lembrar que o Teatro do Nordeste nasce muito ligado à valorização da cultura popular, da oralidade e das tradições regionais, algo que conversa diretamente com os estudos de Gilberto Freyre e com a proposta de Hermilo Borba Filho. Nesse ambiente, o teatro não fica preso só ao palco formal e erudito: ele busca a fala do povo, os modos de contar histórias e os temas do cotidiano nordestino. Quando o enunciado fala em transmissão oral, tradicionalidade e regionalidade, está apontando para uma dramaturgia que bebe da cultura popular e do imaginário coletivo. Isso é exatamente o caso de Ariano Suassuna, que transformou elementos do folclore, da religiosidade popular, da comicidade e da linguagem regional em matéria teatral de grande força. Por isso, a obra que melhor expressa essa relação é Auto da Compadecida. A peça junta humor, crítica social, religiosidade popular e enraizamento nordestino, tudo com uma estrutura muito próxima da tradição oral e das narrativas populares. Não por acaso, ela virou uma das marcas mais conhecidas do teatro brasileiro. Se a banca pergunta sobre folclore no teatro e regionalismo nordestino, desconfie de obras clássicas europeias ou de dramaturgos ligados a outras épocas e contextos. Aqui, o acerto está na peça que sintetiza o Nordeste popular em cena, com linguagem viva e identidade cultural bem marcada.