Antonin Artaud (1895-1948) foi um importante ator, diretor, poeta e teórico francês, que, em suas obras, se opõe ao teatro ocidental e se coloca em um lugar anárquico; um pensador ícone para se problematizar o corpo. Acreditava em um teatro que se apresenta e não representa, um teatro que cria o vazio da representação. Este deslocamento da metafísica tradicional para a metafísica do corpo propõe um teatro de dimensão apocalíptica, determinado por uma visão gnóstica e um dilaceramento entre as forças vitais e a pulsão que nos atravessa. O repúdio à racionalidade e às características tradicionais do teatro ocidental, a inquietação de sorver o mundo no nível pré-verbal denomina-se como teatro
- A)poético
Errada, porque Artaud não defendia um teatro apenas bonito ou lírico, mas uma cena de impacto e ruptura com a representação tradicional.
- B)tradicional.
Errada, pois o texto descreve justamente a crítica ao teatro tradicional, e não sua manutenção.
- C)do absurdo.
Errada, porque o teatro do absurdo dialoga mais com o nonsense e o vazio existencial, enquanto Artaud é identificado com outra proposta estética.
- D)da crueldade.
Certa, pois o teatro da crueldade busca romper com a racionalidade, atingir o pré-verbal e transformar o corpo em centro da experiência cênica.
Gabarito: D
Antonin Artaud foi um dos nomes mais fortes da crítica ao teatro tradicional. Para ele, o palco não deveria ficar preso à representação fria e racional da vida, mas atingir o espectador quase como um choque, mexendo com corpo, sensação, imagem e energia. É daí que nasce sua proposta de um teatro que não apenas mostra, mas atravessa quem assiste. A ideia central de Artaud é romper com o teatro ocidental baseado em texto, lógica e psicologia linear. Ele queria um teatro mais visceral, físico e ritual, capaz de tocar o que existe de pré-verbal, isto é, aquilo que sentimos antes de transformar em palavra. Por isso, sua visão se opõe ao modelo clássico de drama e se aproxima de uma experiência intensa, quase febril. O nome dessa proposta é teatro da crueldade. Aqui, crueldade não significa violência gratuita, mas rigor, impacto e necessidade de arrancar o teatro da acomodação. Artaud defendia um teatro que fizesse o corpo falar mais alto que a razão e que colocasse o espectador diante de forças profundas e desconcertantes. Então, o gabarito D está correto porque resume exatamente essa estética de choque, de ruptura com a racionalidade e de valorização do corpo e do sensível. Em provas, quando aparecer Artaud, pense logo em anti-psicologismo, anti-naturalismo e teatro como experiência sensorial extrema.