Em relação à performance, o Teatro do Oprimido visa estimular o espectador a preparar ações reais que o levem a buscar a própria libertação. Nesse sentido, o Teatro do Oprimido tem o objetivo de
- A)transformar o espectador em elemento ativo e protagonista do espetáculo.
Correta, porque o Teatro do Oprimido busca transformar o espectador em participante ativo, ou espect-ator, estimulando intervenção e protagonismo.
- B)tornar a improvisação um fim em si mesma na trama do enredo.
Errada, pois a improvisação é um meio de reflexão e ação, não um fim em si mesma na proposta de Boal.
- C)manter o espectador como elemento passivo, impedindo-o de interferir na trama da peça.
Errada, porque a lógica do Teatro do Oprimido é exatamente tirar o espectador da passividade e permitir sua interferência.
- D)criar espetáculos que agradem ao espectador.
Errada, já que o foco não é simplesmente agradar o espectador, mas provocar consciência crítica e mudança.
- E)priorizar o cenário e o figurino em detrimento do enredo, considerado elemento secundário.
Errada, porque cenário e figurino não são o centro da proposta; o essencial é a relação entre cena, participação e transformação social.
Gabarito: A
O Teatro do Oprimido, criado por Augusto Boal, parte da ideia de que o teatro não deve ser só contemplação: ele precisa virar prática de transformação social. Em vez de um público que apenas assiste e aplaude, a proposta é fazer com que a plateia intervenha, questione e experimente soluções para situações de opressão encenadas. É o famoso espectador que deixa de ser “plateia decorativa” e passa a agir. Dentro dessa lógica, o objetivo é justamente transformar o espectador em protagonista da cena, muitas vezes chamado por Boal de espect-ator. Ou seja, a pessoa não fica presa à passividade: ela participa, interfere no rumo da encenação e ensaia ações que podem ser levadas para a vida real. Isso está no coração do Teatro do Oprimido, especialmente no Teatro-Fórum. Por isso, a alternativa A está correta: o Teatro do Oprimido quer tornar o espectador elemento ativo e protagonista do espetáculo. As outras opções fogem completamente da proposta, porque reduzem a participação do público ou tratam a encenação como mero entretenimento ou decoração, o que é o contrário do pensamento de Boal. Como referência doutrinária, vale lembrar que Boal defendia um teatro emancipador, voltado para a conscientização e a ação política. Não é uma questão de “agradar” o público, mas de mobilizá-lo. No Teatro do Oprimido, a cena não termina no palco: ela começa ali e continua na realidade.