Todo teatro é político, ainda que não trate de temas especificamente políticos. Dizer “teatro político” é um pleonasmo, como seria dizer “homem humano”. Todo o teatro é político, como todos os homens são humanos, ainda que alguns se esqueçam disso. O texto anterior constitui parte de uma fala do artista criador do Teatro do Oprimido. Esse artista é
- A)Amir Haddad.
Amir Haddad é importante no teatro brasileiro, mas não é o criador do Teatro do Oprimido.
- B)José Celso Martinez Corrêa.
José Celso Martinez Corrêa é ligado ao Teatro Oficina, não ao Teatro do Oprimido.
- C)Augusto Boal.
Augusto Boal é o criador do Teatro do Oprimido e autor da ideia expressa no enunciado.
- D)Gerald Thomas.
Gerald Thomas é diretor e encenador relevante, mas não tem relação com a criação do Teatro do Oprimido.
- E)Antunes Filho.
Antunes Filho foi um grande encenador brasileiro, porém não criou o Teatro do Oprimido.
Gabarito: C
A questão cobra um ponto clássico da história do teatro brasileiro: o Teatro do Oprimido. Essa vertente foi criada por Augusto Boal, dramaturgo e diretor que marcou o teatro engajado no Brasil e no mundo. A ideia central é simples e poderosa: o teatro não é só entretenimento, ele também pode ser ferramenta de reflexão, crítica social e transformação coletiva. Quando o enunciado diz que todo teatro é político, ainda que não fale diretamente de política, isso combina muito com o pensamento de Boal. Para ele, o palco não é um lugar neutro: toda encenação revela relações de poder, opressão e disputa de sentidos. Por isso, a frase atribuída ao artista do Teatro do Oprimido aponta para Augusto Boal, que defendia um teatro participativo, crítico e voltado para a emancipação do espectador. Vale lembrar a diferença entre autores importantes das artes cênicas brasileiras: Boal está ligado ao Teatro do Oprimido; José Celso, ao Teatro Oficina; Antunes Filho, ao trabalho de pesquisa e rigor estético no CPT; Amir Haddad, ao teatro de rua e à improvisação. Cada um tem sua marca, mas aqui a pista do enunciado entrega o nome de Boal. Então, o gabarito C está correto porque Augusto Boal é o criador do Teatro do Oprimido e também um dos principais nomes do teatro político no Brasil. A frase é praticamente uma assinatura do pensamento dele: teatro como ação crítica, não como peça de museu.