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Antropologia · FGV · 2025

Questão comentada de Antropologia

O antropólogo britânico Victor Turner dedicou-se ao estudo dos rituais. Em seu livro O processo ritual (1969), ele desenvolveu o conceito de “liminaridade”. Para o autor, durante a fase liminar de um rito de passagem, o indivíduo se encontra:

Gabarito: E

Victor Turner, no estudo dos rituais, ficou famoso por aprofundar a ideia de liminaridade, isto é, a fase intermediária de um rito de passagem. Nesse momento, a pessoa já saiu do seu antigo lugar social, mas ainda não foi reintegrada ao novo, ficando num "entre-lugar" bem peculiar. É como se ela estivesse, ao mesmo tempo, fora da ordem comum e sendo preparada para uma nova posição. A chave aqui é perceber que a fase liminar não é de estabilidade, nem de integração plena. Ao contrário, o indivíduo perde temporariamente seu status anterior e passa por uma condição ambígua, vulnerável e, ao mesmo tempo, aberta à transformação. Turner também associou essa etapa à possibilidade de surgimento da communitas, uma forma de vínculo mais igualitária e intensa entre os participantes do rito. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela traduz exatamente essa ideia paradoxal: a pessoa está sem status social definido, mas com potencial de transformação da ordem social e da própria vida coletiva. Não é um momento de simples obediência, de contemplação isolada ou de integração final, mas de transição carregada de tensão simbólica. Em termos doutrinários, a resposta segue a formulação clássica de Turner em The Ritual Process (1969): a liminaridade marca a suspensão das estruturas sociais ordinárias, produzindo ambiguidade, despojamento e abertura para mudança.

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