A partir da década de 1970, o conceito de patrimônio cultural passou por significativas transformações. Seu escopo foi alargado para além da valorização de bens materiais de caráter monumental. Essa mudança de perspectiva refletiu-se na inclusão de novas categorias de patrimônio, como o patrimônio imaterial. No Brasil, um marco desse alargamento de sentido foi o tombamento do terreiro de candomblé Casa Branca, na Bahia, em 1984. No Brasil, o patrimônio imaterial permite:
- A)reconhecer o valor arquitetônico de lugares sagrados de diversas religiões;
Errada, porque fala em valor arquitetônico e isso remete a bem material, não ao conceito de patrimônio imaterial.
- B)patrimonializar apenas práticas de religiões afrobrasileiras;
Errada, porque o patrimônio imaterial não se limita às religiões afro-brasileiras; ele alcança práticas e saberes de vários grupos sociais.
- C)questionar o valor patrimonial da religião católica no Brasil;
Errada, porque a questão não trata de desqualificar a religião católica, mas de ampliar a noção de patrimônio cultural.
- D)reconhecer o valor arquitetônico de lugares de memória indígena;
Errada, porque valor arquitetônico também é bem material, além de a alternativa restringir indevidamente a ideia de patrimônio à memória indígena em chave física.
- E)reconhecer e valorizar práticas e saberes de diversos grupos sociais como expressões da diversidade cultural e da identidade afro-brasileira.
Certa, porque o patrimônio imaterial reconhece práticas, saberes e expressões culturais de diferentes grupos, inclusive como parte da diversidade cultural e da identidade afro-brasileira.
Gabarito: E
A ideia de patrimônio cultural mudou bastante a partir dos anos 1970. Antes, a lógica era muito centrada em prédios antigos, igrejas, palácios e outros bens materiais vistos como “monumentos”. Depois, o olhar se ampliou para incluir também práticas, saberes, festas, rituais, músicas, danças, culinária, formas de fazer e modos de viver. Ou seja, o patrimônio deixou de ser só pedra e cal para reconhecer também a vida social em movimento. No Brasil, esse deslocamento ficou muito forte com a valorização de bens de natureza imaterial e com a proteção de referências culturais de grupos diversos. A Constituição de 1988 já abriu espaço para isso ao falar em patrimônio cultural brasileiro como bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. Depois, o Decreto 3.551/2000 organizou o registro de bens culturais imateriais. É por isso que o gabarito é a letra E. O patrimônio imaterial permite reconhecer e valorizar práticas e saberes de diversos grupos sociais, inclusive aqueles ligados à cultura afro-brasileira, como terreiros, celebrações, modos de fazer, conhecimentos e expressões simbólicas. O tombamento do terreiro Casa Branca, na Bahia, foi um marco porque mostrou que o valor cultural não está só na construção física, mas também na dimensão religiosa, histórica e social daquele espaço. Em resumo: patrimônio imaterial não serve para medir só paredes e telhados. Ele protege sentidos, memórias e práticas coletivas. É a cultura em ação, e não apenas o cenário onde ela acontece.