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Antropologia · FGV · 2025

Questão comentada de Antropologia

Leia o trecho a seguir. O século XVI deve ser visto por nós como um período ao mesmo tempo inaugural e experimental. Ninguém sabia ao certo no que tudo aquilo poderia dar. Mas o fato é que, da obra do Governo Geral à expansão da agroindústria açucareira, implantou-se o projeto lusitano para os nossos trópicos. Não exatamente dentro das balizas ou dos trilhos planejados pelos portugueses, é claro. Eles pensaram em termos de transplantação cultural, de reprodução imediata do modelo metropolitano, sonhando uma Nova Lisboa em nossas terras. Mas a mestiçagem genética e o sincretismo cultural, que já vinham da aldeia eurotupinambá de Diogo Caramuru, se encarregaram de tecer uma outra realidade, original, na Bahia de Todos os Santos e seu Recôncavo. Assim teve início o processo histórico-cultural que fez, de nós, o que somos. RISÉRIO, Antônio. Uma história da cidade da Bahia. Rio de Janeiro: Versal, 2004. Considerando o trecho, que discorre sobre aspectos humanos da ocupação do território correspondente à Bahia, no século XVI, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: A

O trecho mostra uma ideia central da história colonial no Brasil: o projeto português existia, mas a realidade social não obedecia ao roteiro bonitinho da metrópole. Em teoria, os portugueses queriam reproduzir aqui um modelo europeu, como se fosse uma “Nova Lisboa”. Na prática, encontraram populações indígenas, alianças, conflitos, mistura de grupos e costumes que mudaram profundamente o rumo da ocupação. Na Antropologia Social, isso aparece muito bem quando você pensa em família, parentesco, matrimônio e formação de novas relações entre grupos. A colonização não foi só tomada de terra: foi também encontro forçado de sistemas de parentesco, regras matrimoniais, alianças políticas e formas de organização social muito diferentes. Dessa mistura, surgiram arranjos não planejados pelos colonizadores, com mestiçagem biológica e sincretismo cultural. Por isso, a alternativa A está correta: a realidade antropológica imposta aos esforços coloniais portugueses produziu consequências não previstas. O próprio texto fala que os portugueses sonhavam com reprodução imediata do modelo metropolitano, mas que a mestiçagem genética e o sincretismo cultural “teceram outra realidade, original”. Ou seja, o projeto colonial não saiu exatamente como o planejado. As demais alternativas tentam transformar a colonização em algo harmonioso, respeitoso ou totalmente alinhado ao modelo tupinambá, e isso não combina com o trecho nem com a história do período. Em resumo: o colonizador planejou uma coisa, mas a interação social e cultural fez outra. A antropologia adora esse tipo de “surpresa histórica”.

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