Os fluxos culturais, entre as nações, e o consumismo global criam possibilidades de “identidades partilhadas” – como “consumidores” para os mesmos bens, “clientes” para os mesmos serviços, “públicos” para as mesmas mensagens e imagens – entre pessoas que estão bastante distantes umas das outras no espaço e no tempo. À medida que as culturas nacionais tornam-se mais expostas a influências externas, é difícil conservar as identidades culturais intactas ou impedir que elas se tornem enfraquecidas através do bombardeamento e da infiltração cultural. HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. Rio de Janeiro: DP&A, 2006. O trecho acima apresenta uma leitura sobre os efeitos do processo de globalização sobre a formação de identidades. Assinale a opção que reflete corretamente o que é exposto no trecho.
- A)Os fluxos culturais globalizados tendem a dissolver os pertencimentos partilhados e manter os grupos isolados.
Errada, porque o texto diz que os fluxos globais criam novas formas de pertencimento, e não que mantêm os grupos isolados.
- B)O encurtamento das distâncias gera novos referenciais para o pertencimento dos indivíduos a grupos de identidade.
Certa, porque a globalização aproxima referências culturais e cria novos critérios de identificação para os indivíduos.
- C)O consumismo global dissolve as barreiras entre identidades, criando nações unificadas pelo mercado.
Errada, porque o texto não afirma uma unificação completa das nações pelo mercado, mas sim identidades partilhadas e mais fluidas.
- D)As trocas internacionais se intensificam à medida que a globalização amplia o valor das particularidades locais.
Errada, porque o trecho destaca a exposição das culturas nacionais a influências externas, e não a valorização das particularidades locais como motor principal.
- E)Os fluxos culturais globais provocam a intensificação das culturas nacionais como movimento de reação.
Errada, porque o foco do texto não é uma reação de reforço das culturas nacionais, mas o enfraquecimento ou transformação delas diante dos fluxos globais.
Gabarito: B
Stuart Hall mostra que a globalização mexe com a forma como as pessoas constroem pertencimento. Quando circulam mais imagens, mercadorias, serviços e referências culturais pelo mundo, os indivíduos passam a compartilhar certos códigos com pessoas muito distantes no espaço e no tempo. Isso cria identidades mais fluidas, híbridas e menos fechadas em fronteiras nacionais rígidas. A ideia central do trecho não é que a globalização apaga tudo e deixa um mundo uniforme. Pelo contrário: ela amplia as referências disponíveis para que as pessoas se identifiquem de novas maneiras, inclusive como consumidores, públicos e clientes. Ou seja, o pertencimento pode deixar de depender só da nação e passar a se organizar também por redes culturais e de consumo. Por isso, a alternativa B está correta. O encurtamento das distâncias, na prática, cria novos referenciais de identidade, porque você começa a se reconhecer em práticas, bens e símbolos que circulam globalmente. Em Hall, identidade não é algo fixo nem puro, mas um processo em movimento, atravessado por encontros, influências e misturas. Esse tema conversa muito com a noção de hibridização cultural e com as discussões sobre pós-modernidade. Em prova, desconfie de alternativas que falem em isolamento total, pureza cultural ou unificação completa do mundo, porque Hall vai exatamente na direção oposta: identidades em transformação, não identidades congeladas.