Em As estruturas elementares do parentesco (1949), Claude Lévi-Strauss desenvolveu uma teoria sobre a proibição do incesto e suas implicações para a estruturação das sociedades humanas. Conforme a proposta do autor, a proibição do incesto não é nem puramente de origem cultural nem puramente de origem natural, e também não é uma dosagem de elementos variados tomados de empréstimo parcialmente à natureza e parcialmente à cultura. Segundo Lévi-Strauss, a proibição do incesto:
- A)restringe as relações sexuais a um círculo limitado de indivíduos, garantindo sua superioridade social;
Errada, porque Lévi-Strauss não define a proibição do incesto como simples restrição sexual que garante superioridade social de certos indivíduos.
- B)visa a proteger a espécie humana das consequências genéticas negativas dos casamentos consanguíneos;
Errada, porque essa explicação é biológica e genética, enquanto Lévi-Strauss dá uma interpretação sociológica e simbólica.
- C)fortalece os laços de parentesco dentro do grupo familiar, consolidando a família como núcleo social fundamental;
Errada, porque a ideia central não é fortalecer apenas a família interna, mas obrigar a abertura do grupo para alianças externas.
- D)é uma regra universal dos sistemas de parentesco difundida a partir de populações originárias ameríndias;
Errada, porque a teoria não liga essa regra a uma origem histórica ameríndia, e sim a uma universalidade das sociedades humanas.
- E)é uma regra universal que marca a transição da natureza para a cultura, estabelecendo a troca e a reciprocidade como fundamentos da sociedade.
Certa, porque Lévi-Strauss entende a proibição do incesto como regra universal que marca a passagem da natureza para a cultura e funda a troca e a reciprocidade.
Gabarito: E
Lévi-Strauss, em As estruturas elementares do parentesco, trata a proibição do incesto como algo mais profundo do que uma simples regra moral ou biológica. Para ele, ela funciona como uma passagem da natureza para a cultura: ao impedir relações sexuais dentro de certos limites, a sociedade obriga a abertura para fora do grupo familiar. É aqui que entra a ideia central de troca. Se você não pode casar dentro do próprio grupo, precisa buscar alianças fora dele, e isso cria reciprocidade entre famílias e grupos sociais. Esse raciocínio é famoso porque transforma o casamento em uma forma de organização social. A proibição do incesto não serve só para dizer o que não pode ser feito; ela obriga a circulação de mulheres, alianças e vínculos entre grupos, o que ajuda a estruturar a sociedade. Em outras palavras, a regra negativa gera um efeito positivo: produzir relações sociais mais amplas. Por isso, a alternativa correta é a que diz que a proibição do incesto é universal e marca a transição da natureza para a cultura, estabelecendo troca e reciprocidade como fundamentos da sociedade. Essa é a leitura clássica de Lévi-Strauss no estruturalismo, em contraste com explicações apenas biológicas ou apenas morais. Ele não está falando de genética nem de proteção da espécie, mas de organização simbólica e social. Se quiser guardar em uma frase: para Lévi-Strauss, o incesto é proibido porque a sociedade precisa sair do “fechamento em si mesma” e criar alianças. A regra, então, não é um detalhe do parentesco, mas o motor de sua estrutura.