No capítulo Conflitos ambientais – a atualidade do objeto, Henri Acselrad afirma o seguinte: "O método requererá o esforço de não enfrentar em separado, por exemplo, a análise da questão da água da discussão das questões fundiárias, de articular a caracterização das dimensões físico-materiais com a explicitação das dimensões simbólicas associadas aos modos de representar o ‘meio’, ambos elementos indissociáveis na explicação das estratégias dos diferentes atores envolvidos nos processos conflitivos em causa” (Acselrad, 2004, p. 10-11). Como outros autores dedicados à antropologia do meio ambiente, Acselrad propõe que:
- A)a natureza seja deixada de fora dos conflitos sociais;
Errada, porque Acselrad não exclui a natureza dos conflitos sociais; ao contrário, ele a coloca no centro da análise.
- B)a natureza não seja considerada um objeto pertinente da antropologia;
Errada, porque a natureza é sim um objeto pertinente da antropologia, especialmente na antropologia ambiental.
- C)o meio ambiente seja tratado como um objeto apolítico;
Errada, porque o texto mostra que o meio ambiente é atravessado por disputas políticas, territoriais e simbólicas.
- D)a antropologia analise os conflitos sociais em torno da natureza;
Certa, porque a proposta é justamente analisar os conflitos sociais em torno da natureza, articulando dimensões materiais e simbólicas.
- E)a antropologia abandone a etnografia nos estudos da natureza.
Errada, porque a etnografia é justamente um instrumento central para estudar práticas, sentidos e disputas relacionadas à natureza.
Gabarito: D
Henri Acselrad trabalha com a ideia de que os conflitos ambientais não são só disputas sobre “recursos naturais” em sentido técnico. Eles envolvem também terra, água, território, poder, formas de uso do espaço e, principalmente, os diferentes sentidos que os grupos atribuem ao meio ambiente. Em outras palavras: o ambiente não é cenário neutro, ele entra na briga junto com os interesses sociais. Na antropologia do meio ambiente, isso é bem importante porque você não separa a dimensão material da simbólica. A água, por exemplo, não pode ser analisada sem a terra, sem a ocupação territorial, sem as relações de propriedade e sem as narrativas sobre quem pode usar, proteger ou explorar esse bem. Acselrad insiste justamente nessa articulação entre natureza, conflito e sociedade. Por isso, o gabarito é a letra D. A antropologia deve analisar os conflitos sociais em torno da natureza, observando como os atores disputam não apenas um bem material, mas também o significado desse bem e do próprio ambiente. Essa leitura é típica da antropologia ambiental e também dialoga com a ideia de que a cultura organiza a forma como os grupos percebem e classificam a natureza. Se você guardar uma frase, que seja esta: na antropologia, a natureza não aparece isolada, mas inserida em relações sociais, econômicas e simbólicas. O truque da questão é justamente ver se você percebeu que o texto rejeita uma visão “seca” e apolítica do meio ambiente.