Para Gilberto Velho, a antropologia urbana é uma antropologia das sociedades complexas. Em seu artigo Estilo de vida urbano e modernidade, o antropólogo escreve o seguinte: “A metrópole moderna oferece a possibilidade de transitar entre vários mundos e esferas diferenciadas. A fragmentação do trabalho tem, como outro lado da moeda, o desenvolvimento de áreas e domínios especializados de sociabilidade, lazer, crença religiosa, atividade política etc.” (Velho, 1995, p. 229). A antropologia urbana de Gilberto Velho tem um dos seus fundamentos teóricos na produção de:
- A)Luc Boltanski;
Luc Boltanski não é a referência clássica usada por Gilberto Velho para fundamentar a antropologia urbana nesse ponto.
- B)Georg Simmel;
Georg Simmel é a base teórica correta, porque sua análise da metrópole e da modernidade inspira a ideia de múltiplos mundos sociais na vida urbana.
- C)Gayatri Spivak;
Gayatri Spivak é associada aos estudos pós-coloniais e à crítica da subalternidade, não à matriz central da antropologia urbana de Velho.
- D)Gabriel de Tarde;
Gabriel de Tarde é importante para sociologia e teoria da imitação, mas não é o fundamento principal citado para a antropologia urbana de Gilberto Velho.
- E)Bruno Latour.
Bruno Latour é ligado à Teoria Ator-Rede e aos híbridos entre ciência, técnica e sociedade, não à referência clássica do trecho apresentado.
Gabarito: B
Gilberto Velho é um dos grandes nomes da antropologia urbana no Brasil, e sua ideia central é que a cidade não é um bloco homogêneo: ela é feita de trajetórias, papéis sociais e universos de sentido que se cruzam o tempo todo. Por isso, a metrópole permite ao indivíduo circular entre diferentes “mundos” sociais - trabalho, lazer, religião, política, grupos de amizade - sem que tudo isso precise se organizar de forma totalmente coerente. Essa visão conversa diretamente com a sociologia de Georg Simmel, que estudou a vida mental na metrópole, a intensificação dos estímulos urbanos e a experiência de viver em uma sociedade marcada por diferença, anonimato e múltiplas interações. O ponto é que Velho usa Simmel para pensar a modernidade urbana como fragmentada, complexa e cheia de deslocamentos. Em vez de imaginar o sujeito como alguém fixo e definido por uma única identidade, ele aparece como alguém que negocia estilos de vida e transita entre esferas diversas. Isso é bem Simmel: a cidade grande muda a forma de sociabilidade e produz relações mais impessoais, mais rápidas e, ao mesmo tempo, mais especializadas. Por isso, a alternativa B está correta. Georg Simmel é um fundamento clássico para a antropologia urbana de Gilberto Velho, especialmente pela análise da metrópole, da modernidade e das formas de sociabilidade urbana. As demais opções pertencem a outros debates teóricos, mas não são a base principal do trecho citado. Em prova, sempre que aparecerem cidade, modernidade, múltiplas pertenças e trânsito entre mundos sociais, pense em Simmel quase como um reflexo automático. É aquele nome que a banca adora colocar quando quer testar se você reconhece o “DNA” da antropologia urbana.