Bruno Latour foi um importante antropólogo para a consolidação da chamada antropologia simétrica. Para Latour, entre outras características, esse tipo de antropologia busca descrever e analisar as redes de relações que conectam humanos e não humanos, sem privilegiar um polo em detrimento do outro. A perspectiva teórico-metodológica difundida por Bruno Latour para essas análises é chamada de:
- A)teoria da ação comunicativa;
Errada, porque a teoria da ação comunicativa é de Jürgen Habermas, não de Latour, e trata de racionalidade comunicativa, não de redes entre humanos e não humanos.
- B)teoria da escolha racional;
Errada, porque a teoria da escolha racional explica a ação por cálculo de custos e benefícios, sem a ideia latouriana de agência distribuída em redes.
- C)teoria da modernização;
Errada, porque a teoria da modernização é uma abordagem de desenvolvimento social e econômico, distante da antropologia simétrica de Latour.
- D)teoria do conflito;
Errada, porque a teoria do conflito enfatiza disputas e dominação entre grupos sociais, não a análise simétrica de associações entre atores humanos e não humanos.
- E)teoria ator-rede.
Certa, porque a teoria ator-rede é a perspectiva associada a Latour para analisar redes de relações entre humanos e não humanos em condição de simetria.
Gabarito: E
Bruno Latour é um dos nomes centrais da antropologia simétrica, uma abordagem que pede ao pesquisador para não tratar humanos como os únicos “atores importantes” da vida social. A ideia é observar como pessoas, objetos, tecnologias, documentos, instituições e até instrumentos científicos entram na composição das redes que produzem ações e efeitos. Em vez de separar com rigidez sujeito e objeto, Latour manda olhar para as conexões. Nada de colocar a cafeteira, o celular ou o laboratório como coadjuvantes decorativos: eles também ajudam a fazer a realidade social acontecer. É aí que entra a teoria ator-rede. Ela é a perspectiva teórico-metodológica associada a Latour e a outros autores da mesma linha, e serve justamente para mapear essas redes híbridas de humanos e não humanos. O foco não está em uma causa única, mas nas associações, traduções e mediações que ligam os elementos da rede. Em linguagem de prova: se a questão fala em conexão entre humanos e não humanos sem privilegiar um polo, pense em ator-rede. As outras alternativas apontam para teorias de outras áreas da sociologia e da ciência política, mas não para Latour. A teoria da ação comunicativa é de Habermas, a escolha racional trabalha com cálculo de interesses, a modernização explica mudanças sociais pelo desenvolvimento e a teoria do conflito destaca disputas entre grupos. Nenhuma delas é o “nome do método” de Latour. Então, o gabarito é a letra E porque a teoria ator-rede é exatamente a lente usada para estudar redes sociotécnicas e a agência distribuída entre humanos e não humanos. Em concurso, isso costuma aparecer com palavras como rede, mediação, associação, actante e simetria. Se aparecer, você já sabe: o radar vai direto para Latour.