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Antropologia · FGV · 2025

Questão comentada de Antropologia

Em Rituais ontem e hoje, Mariza Peirano analisa o carnaval como um ritual que expressa as ambiguidades e os dilemas da sociedade brasileira. A autora destaca: "O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26). De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na sociedade brasileira consiste em:

Gabarito: E

Mariza Peirano lê o carnaval como um ritual, isto é, uma prática coletiva que não é mero entretenimento, mas um momento em que a sociedade encena tensões, inversões e valores. Em antropologia, ritual não serve só para “celebrar”: ele também organiza simbolicamente a vida social e pode embaralhar, por um tempo, o que parece fixo no cotidiano. Quando a autora diz que o carnaval “desfaz o dia a dia” em um processo violento de individualização, ela chama atenção para o fato de que, na festa, as pessoas saem provisoriamente das rotinas e papéis habituais. Máscaras, fantasias, blocos, fantasias de gênero, corpo e exagero criam um espaço de suspensão das regras mais rígidas da vida cotidiana. Isso não significa que o carnaval elimine de vez a ordem social, mas sim que ele a suspende temporariamente, abrindo espaço para expressões que costumam ficar controladas no dia a dia. É por isso que o gabarito é a letra E: o carnaval permite a vivência momentânea de identidades, comportamentos e relações que normalmente ficam reprimidos ou disciplinados. Na linha da antropologia dos rituais, essa leitura conversa com autores como Victor Turner, para quem momentos rituais podem produzir inversões, liminaridade e uma sensação de “entre-lugar”. No caso brasileiro, Peirano mostra justamente essa ambiguidade: o carnaval é festa, mas também é uma forma de dizer algo sobre a própria sociedade.

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