Roy Wagner é um antropólogo estadunidense notabilizado por seus estudos sobre parentesco na Melanésia. Em seu livro A invenção da cultura (1975), Wagner apresentou o conceito de “antropologia reversa”, que deu significativas contribuições para as teorias da cultura na antropologia. Nessa obra, o autor argumenta que:
- A)a “antropologia reversa” é uma metodologia de estudo das culturas de forma neutra e imparcial;
Errada: Wagner não defende uma metodologia neutra e imparcial, mas critica a ideia de neutralidade absoluta na produção antropológica.
- B)a "antropologia reversa" enfatiza a pouca interação entre as culturas;
Errada: a proposta não é dizer que as culturas interagem pouco, e sim mostrar que a interação gera interpretações mútuas.
- C)a "antropologia reversa" pressupõe a ausência de contato e interação entre a cultura ocidental e as culturas não ocidentais;
Errada: a teoria não parte da ausência de contato, porque o ponto central é justamente a relação e o encontro entre culturas.
- D)os grupos estudados pelos antropólogos desenvolvem teorias sobre a cultura ocidental que são idênticas às teorias antropológicas ocidentais;
Errada: os grupos estudados não produzem teorias idênticas às da antropologia ocidental; Wagner destaca diferenças e não cópia.
- E)os antropólogos constroem teorias sobre os grupos que pesquisam, assim como tais grupos criam suas próprias teorias sobre os antropólogos.
Certa: o autor afirma que tanto antropólogos quanto os grupos pesquisados constroem teorias uns sobre os outros, em um processo recíproco.
Gabarito: E
Roy Wagner ficou famoso por mostrar que cultura não é uma coisa parada, pronta e isolada. Em "A invenção da cultura", ele critica a ideia de que o antropólogo observa um grupo de fora, como se pudesse ser 100% neutro. Para ele, quando o antropólogo interpreta uma sociedade, ele também está sendo interpretado, porque as pessoas estudadas criam suas próprias explicações sobre quem é esse pesquisador e o que ele está fazendo ali. É aí que entra a chamada "antropologia reversa": em vez de imaginar que só o antropólogo produz teoria, Wagner mostra que os grupos pesquisados também pensam, classificam e inventam sentidos sobre os outros. Ou seja, a relação é de mão dupla. Não é uma via de mão única com um lado sábio e outro passivo. Por isso o gabarito é a letra E. A alternativa capta justamente essa ideia central de reciprocidade na produção de interpretações: os antropólogos constroem teorias sobre os grupos que pesquisam, e esses grupos também constroem teorias sobre os antropólogos. Isso combina com a virada reflexiva da antropologia contemporânea, que desconfia do olhar "neutro" e valoriza o encontro entre perspectivas. Na prática, Wagner ajuda você a lembrar que cultura não é só objeto de estudo, mas também um modo de produzir sentido sobre o outro. Se a questão tentar te empurrar para neutralidade total, isolamento entre culturas ou cópias idênticas de teorias, desconfie: a banca costuma cobrar justamente essa crítica ao olhar unilateral.