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Antropologia · FGV · 2025

Questão comentada de Antropologia

No fragmento a seguir, Marcel Mauss discorre sobre a vida econômica em determinadas sociedades não ocidentais, propondo um contraste em relação às concepções modernas. [T]oda essa economia muito rica está cheia de elementos religiosos: a moeda tem ainda seu poder mágico e ainda está ligada ao clã ou ao indivíduo; as diversas atividades econômicas, por exemplo o mercado, ainda estão impregnadas de ritos e de mitos; conservam um caráter cerimonial, obrigatório, eficaz; estão repletas de ritos e de direitos. É algo muito diferente do útil que circula nessas sociedades, a maioria delas já bastante esclarecidas. MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. São Paulo: Cosac Naify, 2003. De acordo com o fragmento, assinale a afirmativa correta.

Gabarito: C

Marcel Mauss mostra que, em muitas sociedades não ocidentais, a vida econômica não aparece separada da religião, do parentesco e dos ritos. Ou seja, trocar não é só calcular preço e utilidade: é também criar vínculos, cumprir obrigações e ativar símbolos que dão sentido social à circulação de bens. Isso contrasta com a visão moderna, mais “seca”, em que a economia costuma ser pensada como esfera autônoma e guiada pelo interesse individual. O ponto central do fragmento é justamente esse: o mercado, a moeda e as trocas ainda estão impregnados de magia, rituais e deveres coletivos. Em Mauss, a economia tem uma dimensão moral e simbólica, e não apenas utilitária. É por isso que a troca pode envolver reciprocidade, prestígio, alianças e até religiosidade, como se o objeto carregasse algo da pessoa ou do grupo que o oferece. A alternativa C está correta porque resume bem essa ideia de que as trocas estão imersas em dimensões simbólicas e vão além do mero cálculo utilitário. Isso é totalmente compatível com a antropologia de Mauss, especialmente com a noção de dádiva: dar, receber e retribuir não é só economia, é também organização social. Se quiser guardar a ideia em uma frase: para Mauss, em muitas sociedades, a economia não anda sozinha - ela vai de braço dado com o sagrado, o rito e a vida coletiva.

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