A concepção de Referência Cultural surge no Brasil na década de 1970 e se torna base para as políticas patrimoniais subsequentes. Sobre o tema, analise as afirmativas a seguir. I. Investe em uma política de reconhecimento baseada no valor inerente aos próprios objetos culturais para a cultura. II. Inspira o estabelecimento de critérios universais para a identificação e a valorização do patrimônio. III. Instaura uma concepção de bem cultural ligada aos valores atribuídos pela comunidade e à diversidade de expressões. Está correto o que se afirma em
- A)III, apenas.
Correta, porque a concepção de referência cultural valoriza os sentidos e os vínculos atribuídos pela comunidade aos bens culturais.
- B)I e II, apenas.
Incorreta, porque a referência cultural não parte do valor inerente do objeto nem depende de uma lógica de reconhecimento puramente material.
- C)I e III, apenas.
Incorreta, porque a afirmativa I contraria a ideia central do tema, mas a III está certa ao destacar a diversidade e o valor comunitário.
- D)II e III, apenas.
Incorreta, porque a II erra ao falar em critérios universais, embora a III esteja adequada ao enfoque da referência cultural.
- E)I, II e III.
Incorreta, porque apenas a afirmativa III está correta; I e II destoam da concepção de referência cultural.
Gabarito: A
A noção de Referência Cultural aparece no Brasil nos anos 1970 como uma virada importante na forma de pensar o patrimônio. Em vez de olhar só para o objeto bonito, raro ou monumental, a ideia passa a considerar o que aquele bem significa para um grupo social, para uma comunidade e para a sua memória. Ou seja: o valor não está apenas no objeto em si, mas no sentido que as pessoas atribuem a ele. Esse deslocamento foi decisivo para as políticas patrimoniais posteriores, especialmente porque abriu espaço para reconhecer diferentes formas de cultura, e não apenas uma lista “oficial” de bens escolhidos por critérios pretensamente neutros. Na prática, isso combina muito com a valorização da diversidade cultural e com a ampliação do olhar sobre o que pode ser patrimônio. Por isso, a afirmativa III está correta: ela fala justamente de um bem cultural ligado aos valores atribuídos pela comunidade e à diversidade de expressões. Já as afirmativas I e II erram a mão, porque tratam a referência cultural como se ela reforçasse o valor intrínseco do objeto ou impusesse critérios universais, quando a lógica é quase a oposta. Em termos doutrinários, essa perspectiva se conecta ao patrimônio cultural como processo social de atribuição de valor, algo muito alinhado ao debate que depois aparece também na Constituição de 1988, ao ampliar a noção de patrimônio para os bens materiais e imateriais portadores de referência à identidade, à ação e à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira.