Segundo o antropólogo Darcy Ribeiro, a inovação do pensamento do marechal Cândido Rondon foi “o estabelecimento pioneiro do princípio, só hoje reconhecido internacionalmente, do direito à diferença”. Essa afirmação se baseia
- A)na implementação de um contato progressivo com os indígenas, garantindo sua adaptação gradual à sociedade nacional por meio da introdução dos valores civilizados.
Errada, porque fala em adaptação gradual à sociedade nacional com valores civilizados, o que remete à assimilação cultural, e não ao respeito à diferença.
- B)na formulação de uma política para conciliar o desenvolvimento técnico do Estado brasileiro e a mínima interação possível com os povos indígenas.
Errada, porque não se trata de reduzir ao mínimo a interação, mas de estabelecer contato pacífico e proteção, sem violência e sem imposição.
- C)no reconhecimento da importância dos indígenas como parte da identidade nacional, impondo sua participação na construção do projeto republicano brasileiro.
Errada, porque coloca os indígenas como obrigados a participar de um projeto republicano assimilador, o que contraria a ideia de autonomia e direito à diferença.
- D)na concepção de um plano de ocupação territorial da Amazônia, no qual os indígenas seriam mobilizados na integração das fronteiras ao restante do país.
Errada, porque transforma os indígenas em instrumento de ocupação territorial, quando a lógica de Rondon era protegê-los, não mobilizá-los para fins estatais.
- E)na defesa de uma política de contato pacífico e proteção territorial dos indígenas, garantindo sua autonomia dentro do Estado brasileiro.
Certa, pois expressa a política de contato pacífico, proteção das terras e respeito à autonomia indígena, em linha com o princípio do direito à diferença.
Gabarito: E
A fala de Darcy Ribeiro sobre Cândido Rondon aponta para uma mudança importante na relação do Estado com os povos indígenas: sair da lógica de “civilizar à força” e reconhecer que eles têm o direito de continuar sendo diferentes. Em vez de tratar o indígena como alguém destinado a desaparecer ou ser absorvido, a ideia é garantir contato sem violência, sem imposição cultural e sem destruição de sua organização social. Rondon ficou conhecido pela política do contato pacífico. Sua atuação na proteção de linhas telegráficas e na aproximação com povos indígenas era guiada por uma regra simples e poderosa: nada de guerra, nada de extermínio, nada de catequese forçada. O indígena deveria ser respeitado como sujeito coletivo, com direito ao seu modo de vida e ao seu território. Isso se conecta ao que Darcy Ribeiro chamou de “direito à diferença”: o reconhecimento de que a integração ao Estado brasileiro não precisa significar apagar identidades. Na prática, isso antecipa uma visão que hoje conversa com a Constituição de 1988, que reconhece aos povos indígenas sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, além dos direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. Por isso, a alternativa correta é a que fala em contato pacífico e proteção territorial, com autonomia dentro do Estado. A chave aqui é perceber que Rondon não defendia assimilação forçada, e sim proteção e respeito à diferença cultural.