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Antropologia · FGV · 2023

Questão comentada de Antropologia

“Em toda e qualquer sociedade nacional moderna é possível identificar a existência de modalidades de discurso de patrimônio em competição para representar com autenticidade a identidade e a memória da coletividade. Esses discursos de opõem entre si e disputam lugares de legitimidade. No contexto brasileiro, esses discursos assumiram, esquematicamente falando, duas modalidades: uma delas, a que estou chamando de ‘discurso da monumentalidade’; a outra a que poderíamos nomear como "discurso do cotidiano”. (Gonçalves, José Reginaldo. Monumentalidade e cotidiano: os patrimônios culturais como gênero de discurso". In: Lippi, Lucia. Cidade: História e Desafio. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2002, p.117) A partir da relação dialógica entre monumentalidade-cotidiano, o professor da UFRJ José Reginaldo Gonçalves discute as seguintes oposições centrais nas narrativas do patrimônio.

Gabarito: A

José Reginaldo Gonçalves analisa o patrimônio cultural como um campo de disputa simbólica. A ideia central é que não existe uma única forma “neutra” de representar a memória coletiva: há discursos concorrentes, alguns mais ligados aos monumentos, às grandes obras e aos marcos oficiais, e outros mais ligados ao vivido, ao uso cotidiano e às práticas sociais reais das pessoas. Na chave da monumentalidade, o patrimônio tende a aparecer como algo que remete ao passado, à tradição e à construção de uma narrativa solene sobre a nação. Já no discurso do cotidiano, o foco recai sobre a experiência presente, sobre a continuidade da vida social e sobre aquilo que as pessoas fazem, usam e ressignificam no dia a dia. Por isso, a alternativa correta é a letra A. Ela reúne exatamente as oposições que estruturam essa leitura: passado e presente, tradição e experiência, narrativa e realidade contemporânea. É essa tensão que organiza o debate do autor sobre o patrimônio como discurso, e não como simples coleção de coisas antigas. Em resumo: quando a prova fala em monumentalidade versus cotidiano, ela quer que você enxergue a disputa entre uma memória oficial, mais solene, e uma memória vivida, mais próxima da prática social. Na Antropologia, isso conversa bem com a ideia de que cultura não é só herança parada no tempo, mas algo continuamente interpretado e negociado.

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