“(...) a coisa tem o caráter não de uma entidade fechada para o exterior, que se situa no e contra o mundo, mas de um nó cujos fios constituintes, longe de estarem nele contidos, deixam rastros e são capturados por outros fios noutros nós. Numa palavra, as coisas vazam, sempre transbordando das superfícies que se formam temporariamente em torno delas.” (Ingold, T.. (2012). Trazendo as coisas de volta à vida: emaranhados criativos num mundo de materiais. Horizontes Antropológicos, 18(37), 25–44) Nesse fragmento, Tim Ingold estabelece uma distinção entre os conceitos de
- A)coisas e pessoas.
Errada, porque o texto não opõe coisas e pessoas, mas discute modos de entender a materialidade.
- B)coisas e objetos.
Certa, porque Ingold contrapõe a coisa em processo ao objeto fechado, estável e delimitado.
- C)coisas e espíritos.
Errada, porque não há no fragmento uma oposição entre coisas e espíritos.
- D)coisas e materialidades.
Errada, porque materialidade é o campo geral da discussão, e não o par conceitual destacado no trecho.
- E)coisas e materiais.
Errada, porque materiais são os elementos que compõem as coisas, não o termo em contraste direto com elas no fragmento.
Gabarito: B
Tim Ingold critica a ideia de que tudo o que existe no mundo material seja uma "coisa" pronta, fechada e separada do resto. Para ele, a "coisa" é como um emaranhado de relações, algo em processo, que se forma e se transforma com o uso, com o tempo e com o contato com outros elementos. É por isso que ele fala em fios, rastros e vazamentos: nada está totalmente isolado. Nessa visão, o conceito de "objeto" é diferente. O objeto é algo mais estável, delimitado e acabado, como se tivesse contorno firme e identidade fixa. Já a "coisa" é mais viva, mais processual, mais ligada ao mundo em movimento. Ingold quer que você pare de olhar para a matéria como peça de museu e passe a vê-la como parte de uma trama de relações. Por isso o gabarito é a letra B. O fragmento destaca justamente a distinção entre coisas e objetos: a coisa não é uma entidade fechada, enquanto o objeto costuma ser pensado como algo acabado e separado. Essa é a chave da leitura de Ingold, muito usada na antropologia da materialidade. Em prova, quando aparecer esse tipo de texto, pense: se o enunciado fala em fluxo, emaranhado, processo e relação, ele está se afastando da ideia de objeto como coisa parada e fechada. A banca adora essa oposição porque ela parece simples, mas pega muita gente no detalhe.