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Antropologia · FGV · 2023

Questão comentada de Antropologia

Em 11 de dezembro de 2014, a matéria intitulada "Vinte litros de chá do Santo Daime são apreendidos em aeroporto do RJ” estampou a página do Portal G1. Diz um trecho da matéria: “Vinte litros de chá do Santo Daime, que contém a substância alucinógena ayahuasca e é usado em rituais religiosos, foram apreendidos pela Receita Federal e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) nesta quarta-feira (10), no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão”. Esse episódio evidenciou uma controvérsia cultural entre a Lei de Drogas e os usos tradicionais da ayahuasca. Entre as estratégias políticas de grupos indígenas contra a criminalização de sua prática ritual, é correto citar

Gabarito: B

A questão mistura um tema antropológico com conflito jurídico: o uso ritual da ayahuasca por povos indígenas e por grupos religiosos, como o Santo Daime, diante de tentativas de enquadrá-la como droga. Em antropologia, isso aparece como choque entre uma visão estatal padronizada da substância e os significados culturais e religiosos que ela assume em contextos tradicionais. Para os grupos indígenas, a resposta política mais forte não costuma ser pedir apenas “tolerância”, mas afirmar que o uso da ayahuasca integra um patrimônio cultural e ritual próprio. Quando uma prática é reconhecida como parte do patrimônio imaterial, ela ganha proteção simbólica e institucional, reforçando que não se trata de uso recreativo de entorpecente, e sim de uma tradição cultural específica. É por isso que o gabarito é a alternativa B. O processo de patrimonialização dos usos tradicionais indígenas da ayahuasca é uma estratégia política importante para blindar a prática contra a criminalização, deslocando o debate do campo policial para o campo cultural e de direitos coletivos. Em termos bem diretos: não é só “defender uma bebida”, é defender um modo de vida, um ritual e uma identidade. Esse tipo de proteção conversa com a ideia constitucional de valorização das manifestações culturais e dos direitos dos povos indígenas, além da lógica de salvaguarda do patrimônio cultural brasileiro. Na prática, a patrimonialização ajuda a mostrar que a antropologia olha para o sentido social da prática, e não apenas para a substância em si.

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