No livro “Os ritos de passagem”, Arnold Van Gennep distingue os ritos de passagem em três categorias: ritos de separação, ritos de margem e ritos de agregação. Na segunda metade do século XX, um antropólogo britânico retomou o diálogo com Van Gennep e tornou-se um dos nomes mais expoentes dos estudos dos rituais. Esse autor foi
- A)Max Gluckman.
Max Gluckman é importante nos estudos sobre conflito e rituais, mas não é o autor que retomou diretamente Van Gennep como referência central dos ritos de passagem.
- B)Victor Turner.
Victor Turner é o nome certo, pois desenvolveu a noção de liminaridade e se tornou referência nos estudos antropológicos sobre rituais e passagem.
- C)Tim Ingold.
Tim Ingold trabalha sobretudo com antropologia da percepção, ambiente e linhas de vida, não sendo o principal continuador de Van Gennep nesse tema.
- D)Marilyn Strathern.
Marilyn Strathern é uma autora fundamental da antropologia, mas sua obra está mais ligada a parentesco, gênero e relações sociais do que aos rituais de passagem.
- E)Anthony Giddens.
Anthony Giddens é sociólogo, conhecido pela teoria da estruturação, e não pelo diálogo clássico com Van Gennep sobre rituais.
Gabarito: B
Arnold Van Gennep foi o autor clássico de “Os ritos de passagem”, obra em que ele mostra que muitos rituais de mudança de status seguem um roteiro bem reconhecível: separação, margem e agregação. Primeiro a pessoa é retirada de um lugar social, depois fica num estado intermediário, e por fim é reintegrada em nova posição. Parece simples, mas esse esquema virou uma espécie de GPS dos rituais para a antropologia. Na segunda metade do século XX, quem retomou esse diálogo e levou a análise dos rituais a outro nível foi Victor Turner. Ele estudou especialmente a fase de margem, que chamou de liminaridade, e mostrou como os rituais podem produzir transformação simbólica, comunhão e até tensões sociais. Por isso ele é um dos grandes nomes quando o tema é ritual, drama social e experiência coletiva. A resposta correta é a letra B. Turner relê Van Gennep, aprofunda a ideia de liminaridade e transforma o estudo dos ritos em uma ferramenta central da antropologia simbólica e interpretativa. Se Van Gennep deu o mapa, Turner virou quase o guia turístico da travessia ritual.