“Se, na Amazônia, a mais grave ameaça é a invasão dos territórios indígenas e a degradação de seus recursos ambientais, no caso do Nordeste, o desafio à ação indigenista é restabelecer os territórios indígenas, promovendo a retirada dos não-índios das áreas indígenas, desnaturalizando a “mistura” como única via de sobrevivência e cidadania.” (OLIVEIRA, João Pacheco de. Uma etnologia dos" índios misturados"? Situação colonial, territorialização e fluxos culturais. Mana, v. 4, p. 47-77, 1998.) João Pacheco de Oliveira é professor do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Sua área de especialização é a
- A)Antropologia Econômica.
Errada, porque a obra citada não trata principalmente de trocas, produção ou sistemas econômicos, mas de territorialização e identidade indígena.
- B)Antropologia da Religião.
Errada, porque o foco do autor não é religião, rituais ou sistemas simbólicos religiosos, e sim povos indígenas e suas relações com território e Estado.
- C)Antropologia da Violência.
Errada, porque o tema central não é conflito armado, criminalidade ou violência social, mas a situação colonial e a organização territorial indígena.
- D)Etnologia.
Certa, pois João Pacheco de Oliveira é referência em etnologia, especialmente nos estudos sobre povos indígenas, territorialização e contato interétnico.
- E)Antropologia da Saúde.
Errada, porque a questão não aborda práticas de cuidado, doença ou políticas de saúde, mas sim a análise antropológica de grupos indígenas.
Gabarito: D
A questão explora a área de atuação de João Pacheco de Oliveira, um dos principais nomes da antropologia brasileira, especialmente nos estudos sobre povos indígenas, territorialização, identidade e situação colonial. Quando o enunciado fala de “índios misturados”, território, retirada de não-índios e ação indigenista, está entrando exatamente no campo da etnologia, que se dedica ao अध्ययन comparativo e descritivo dos grupos humanos, com forte presença dos estudos sobre povos indígenas no Brasil. Na prática, a etnologia olha para como esses grupos organizam parentesco, política, território, cosmologia e relações com o Estado. Em autores como João Pacheco de Oliveira, isso aparece muito ligado à análise de processos históricos de contato, deslocamento, “mistura” e reconfiguração das identidades indígenas, sem tratar esses povos como algo parado no tempo. Ou seja: não é só “cultura”, é também poder, território e reconhecimento social. Por isso o gabarito é a letra D. O próprio texto citado fala de territorialização e fluxos culturais, temas centrais da etnologia indígena. A banca quer que você reconheça que o autor é referência nesse campo, e não em antropologia econômica, religião, violência ou saúde. Se você lembrar que etnologia, em concursos, costuma aparecer muito associada aos estudos de povos indígenas, parentesco, organização social e processos de contato com a sociedade envolvente, você já sai na frente. Aqui, a pista estava praticamente gritando: território indígena, mistura, ação indigenista e etnologia.