“Contra seu jovem adversário, ele sustentou veementemente que o social não era um domínio especial da realidade, e sim um princípio de conexões; que não havia motivo para separar o social de outras associações (...)”. (Latour, Bruno. Reagregando o social: uma introdução à teoria do ator rede. Salvador: EDUFBA, 2012, p.33) No livro “Reagregando o social: uma introdução à teoria do ator rede”, Bruno Latour estabelece uma distinção entre a sociologia do social e a sociologia das associações. Para elaborar sua proposta teórico-metodológica, Bruno Latour critica um autor clássico e dialoga com outro. Esses autores são, respectivamente,
- A)Gabriel Tarde e Max Weber
Errada: Gabriel Tarde é o autor com quem Latour dialoga, mas Max Weber não é o clássico criticado nessa formulação.
- B)Émile Durkheim e Michel Callon.
Errada: Durkheim é, de fato, o autor criticado, porém Michel Callon é um interlocutor da teoria ator-rede, não a referência clássica contraposta na questão.
- C)Émile Durkheim e Marcel Mauss.
Errada: Durkheim aparece na crítica, mas Marcel Mauss não é o autor com quem Latour estabelece aqui a oposição principal.
- D)Émile Durkheim e Gabriel Tarde.
Certa: Latour critica Durkheim por tratar o social como domínio separado e dialoga com Gabriel Tarde por sua visão relacional e processual do social.
- E)Max Weber e Gabriel Tarde.
Errada: Max Weber não é o alvo da crítica latouriana nesta passagem, embora Gabriel Tarde seja mesmo um interlocutor relevante.
Gabarito: D
Bruno Latour, ao falar em "sociologia das associações", quer fugir da ideia de que o social seja uma coisa pronta, um setor separado da realidade. Para ele, o social é o efeito das conexões entre humanos e não humanos, entre pessoas, objetos, instituições, técnicas e discursos. Ou seja: em vez de tratar o social como um bloco fechado, ele pede que você siga as associações em ação. É justamente aí que entra a comparação com os clássicos. Latour critica Émile Durkheim porque Durkheim tende a tratar o social como uma realidade própria, com força explicativa superior e relativamente autônoma. Para Latour, isso "coisifica" o social e faz você perder o movimento das relações concretas. Ao mesmo tempo, Latour dialoga com Gabriel Tarde, que via a vida social como feita de imitações, contágios e microconexões. Tarde é mais próximo da ideia de rede e circulação do que Durkheim, então aparece como parceiro teórico importante na proposta de Latour. Por isso, o gabarito é a letra D: Latour critica Durkheim e dialoga com Gabriel Tarde. A questão cobra exatamente essa distinção entre uma sociologia que trata o social como domínio especial e outra que o entende como associação em movimento.