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Antropologia · FGV · 2022

Questão comentada de Antropologia

Nos anos 1950, a participação de Claude Lévi-Strauss no debate da Unesco sobre raça e ciência contribuiu para a popularização do conceito antropológico de cultura e para a afirmação do conceito de diversidade cultural. Em Raça e História (1952), LéviStrauss afirmou: “É fato que, há um século e meio, a civilização ocidental tende, seja na totalidade, seja por alguns de seus elementos-chave como a industrialização, a se espalhar pelo mundo; o que tem produzido dois processos contraditórios, um dos quais tende a instaurar a unificação, enquanto o outro visa manter ou restabelecer a diversificação. A necessidade de preservar a diversidade das culturas em um mundo ameaçado pela monotonia e pela uniformidade não escapou decerto às instituições internacionais”. Adaptado de LÉVI-STRAUSS, C. “Raça e História” in AaVv. Raça e Ciência. São Paulo: Perspectiva, 1970, p 252 e 269. Com base no trecho e em seus conhecimentos, assinale a afirmativa que descreve corretamente a contribuição de LéviStrauss para a articulação entre o conceito de cultura e o campo do patrimônio.

Gabarito: A

Claude Lévi-Strauss foi decisivo para mudar o jeito de pensar cultura na antropologia do século XX. Em vez de tratar os povos como etapas de uma escada evolutiva, ele defendeu que cada cultura tem sua lógica própria e deve ser compreendida em relação às outras, sem hierarquia de superioridade ou inferioridade. Isso combina com o trecho de Raça e História: a expansão da civilização ocidental pode gerar uniformização, mas a humanidade precisa preservar a diversidade cultural. No debate da Unesco, essa defesa da diversidade ajudou a popularizar o conceito antropológico de cultura e a consolidar a ideia de que não existe uma única forma legítima de viver, produzir sentido ou organizar o mundo. Ou seja, cultura não é sinônimo de refinamento de uma elite, e sim o conjunto de modos de vida, valores, símbolos e práticas de cada grupo humano. A alternativa A está correta porque Lévi-Strauss, com sua antropologia estrutural, criticou o evolucionismo etnocêntrico, que colocava as sociedades numa linha única de desenvolvimento. Para ele, não faz sentido dizer que umas culturas são mais avançadas que outras; o que existe é diferença, e não atraso. Isso valoriza a historicidade e a singularidade de todas as culturas humanas. Quando a questão fala em patrimônio, ela quer lembrar essa defesa da diversidade cultural como algo a ser preservado, o que depois dialoga com políticas internacionais de proteção cultural e com a noção de bens simbólicos coletivos. Em resumo: Lévi-Strauss ajudou a trocar a régua da superioridade por uma lente de compreensão das diferenças.

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