Existe um nível de fé que todo ser humano pode ter, que não possui sentido religioso. É a fé antropológica, que mobiliza a ação das pessoas de acordo com seus valores, como a solidariedade e o altruísmo, e permite a realização de projetos que promovem a vida, a dignidade humana, a justiça e a paz. Indígenas, umbandistas, cristãos, mulçumanos, espíritas, budistas, ateus, todos podem compartilhar da mesma fé antropológica. H. S. Carvalho. Sistema Marista de Educação. Ensino Religioso, v. 1. São Paulo: FTD, 2018 (com adaptações). Considerando-se a diferenciação dos tipos de fé descritas no texto precedente, é correto afirmar que o conceito de fé antropológica refere-se à
- A)fé universal que dá sentido à vida das pessoas, pois pauta o seu agir segundo determinada escala de valores.
Certa, porque define a fé antropológica como uma fé universal que orienta a vida por valores e dá sentido ao agir humano.
- B)fé libertária orientada por questões políticas e sociais.
Errada, porque a alternativa desloca o conceito para um campo político-social específico, enquanto o texto fala de uma base ética humana mais ampla.
- C)fé comum baseada em situações e experiências do senso comum.
Errada, porque fé comum baseada no senso comum não corresponde ao conceito apresentado, que é normativo e valorativo, não apenas cotidiano.
- D)fé natural que se vale da observação empírica da natureza para existir.
Errada, porque fé natural ligada à observação empírica da natureza é ideia mais próxima de conhecimento científico, não da fé antropológica do enunciado.
- E)fé sobrenatural que utiliza ferramentas de consolidação do mundo cristão.
Errada, porque fé sobrenatural e consolidação do mundo cristão remetem à religião institucional, e o texto afirma justamente uma fé compartilhável por todos.
Gabarito: A
A questão trabalha uma ideia de fé bem específica: não a fé ligada a uma religião, mas uma disposição humana de acreditar em valores que orientam a ação no mundo. No texto, essa fé antropológica aparece como algo que pode ser compartilhado por qualquer pessoa, religiosa ou não, porque está ligada a solidariedade, altruísmo, dignidade, justiça e paz. Em outras palavras: é uma confiança existencial em valores humanos que dão direção à vida. Perceba que a banca não está falando de dogma, culto ou doutrina. Ela quer a noção de fé como base ética e universal, isto é, uma fé que faz a pessoa agir com sentido, mesmo fora de uma tradição religiosa específica. Isso ajuda a distinguir o conceito de fé antropológica de fé sobrenatural, de fé ritual ou de crença baseada em experiência religiosa institucional. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Ela traduz exatamente essa ideia de uma fé universal que confere sentido à vida e orienta o agir segundo uma escala de valores. O texto inclusive diz que indígenas, umbandistas, cristãos, muçulmanos, espíritas, budistas e ateus podem compartilhá-la, o que reforça seu caráter amplo e não confessional. Em prova, lembre desta chave: quando a fé é apresentada como valor humano e fundamento ético da ação, estamos diante de uma fé antropológica. Não é fé de missa, terreiro ou templo; é aquela que empurra a pessoa a construir vida, justiça e dignidade. A banca costuma gostar exatamente dessa troca entre linguagem religiosa e linguagem ética.