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Licitação (Lei 14.133/2021): o que é e como cai nos concursos

Neste artigo
  1. O que é licitação?
  2. Quais são os princípios da licitação?
  3. Quais são as modalidades de licitação na Lei 14.133/2021?
  4. Quais são os critérios de julgamento?
  5. O que é contratação direta (dispensa e inexigibilidade)?
  6. Quem conduz a licitação?
  7. Como esse tema cai nos concursos?
  8. Perguntas frequentes sobre licitação

Licitação é o procedimento administrativo pelo qual a administração pública seleciona a proposta mais vantajosa para celebrar um contrato, garantindo isonomia entre os interessados. Desde 2021, a regra geral está na Lei 14.133/2021, a Nova Lei de Licitações e Contratos, que substituiu a antiga Lei 8.666/1993. É um dos temas mais cobrados em Direito Administrativo, em bancas como Cebraspe, FGV e FCC.

Neste guia você vai entender o que é licitação, quais são as modalidades atuais (e as que foram extintas), os critérios de julgamento, quando cabe contratação direta e como as bancas transformam tudo isso em pegadinha.

O que é licitação?

Licitação é o processo formal por meio do qual a administração pública escolhe, de forma objetiva e impessoal, com quem vai contratar a compra de um bem, a prestação de um serviço, a realização de uma obra ou a alienação de um bem público. A ideia central é dupla: assegurar a isonomia (todos os interessados competem em igualdade) e obter a proposta mais vantajosa para o interesse público.

A regra é licitar. A Constituição exige licitação para os contratos da administração direta e indireta, e a lei só admite contratar sem disputa nas hipóteses que ela mesma prevê. Por isso a contratação direta (dispensa e inexigibilidade) é sempre exceção, e exceção precisa de fundamento legal expresso.

Hoje a norma geral é a Lei 14.133/2021, conhecida como Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos. Ela reuniu em um só diploma o que antes estava espalhado: a antiga Lei 8.666/1993 (regime geral), a Lei 10.520/2002 (que criou o pregão) e o Regime Diferenciado de Contratações, o RDC (Lei 12.462/2011). Houve um período de convivência entre os regimes, mas a nova lei passou a ser a regra única após o fim desse prazo de transição, ao longo de 2023.

Quais são os princípios da licitação?

Os princípios que regem a licitação estão listados no art. 5º da Lei 14.133/2021, que é uma das partes mais pedidas em prova justamente porque a banca adora cobrar a literalidade. Entre eles estão:

  • Legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência: os mesmos do art. 37 da Constituição, que se aplicam a toda a administração.
  • Igualdade (isonomia): todos os licitantes recebem o mesmo tratamento, sem cláusulas que restrinjam a competição sem justificativa.
  • Competitividade: quanto mais participantes, melhor a chance de uma proposta vantajosa, então o edital não pode frustrar a disputa.
  • Julgamento objetivo: a escolha do vencedor segue critérios definidos no edital, não a vontade subjetiva do gestor.
  • Vinculação ao edital: o edital é a "lei interna" da licitação. Administração e licitantes ficam presos às suas regras.
  • Segurança jurídica, motivação, transparência, razoabilidade, proporcionalidade e o novo desenvolvimento nacional sustentável, que insere preocupação ambiental e social nas contratações.

Uma pegadinha comum: a banca cita um princípio que parece existir, mas troca o nome ou inventa um princípio que não está no rol. Quando a questão pedir a literalidade, o art. 5º é a referência.

Quais são as modalidades de licitação na Lei 14.133/2021?

Aqui está a mudança que mais cai em prova. A Nova Lei de Licitações fixou as modalidades no art. 28 e reduziu a lista. Hoje são cinco modalidades:

  • Pregão: usado para a aquisição de bens e serviços comuns, aqueles cujos padrões de qualidade podem ser definidos de forma objetiva no edital. O critério de julgamento é, em regra, menor preço ou maior desconto. É a modalidade mais ágil, com disputa por lances.
  • Concorrência: modalidade para contratações de maior vulto, como obras, serviços de engenharia e compras de grande porte. Admite vários critérios de julgamento, não só o preço.
  • Concurso: usado para escolher trabalho técnico, científico ou artístico, com prêmio ou remuneração ao vencedor. Não confunda com o concurso público para provimento de cargos: aqui se contrata um projeto, não uma pessoa para o quadro.
  • Leilão: modalidade para alienar (vender) bens da administração, como bens móveis inservíveis, produtos apreendidos ou imóveis, a quem oferecer o maior lance.
  • Diálogo competitivo: a grande novidade da lei, prevista no art. 32. Serve para contratações de objetos complexos e inovadores, em que a administração ainda não sabe exatamente qual a melhor solução técnica. Ela dialoga com licitantes pré-selecionados para desenvolver alternativas e só depois recebe as propostas finais.

O que mudou nas modalidades?

O ponto que a banca mais explora é o que saiu da lista. Duas modalidades clássicas da Lei 8.666/1993 foram extintas pela Lei 14.133/2021:

  • Tomada de preços: extinta.
  • Convite: extinto.

Ou seja, se a questão citar tomada de preços ou convite como modalidade vigente, está errada. E se citar o diálogo competitivo como novidade, está certa.

Tabela-resumo das modalidades

ModalidadePara que serveStatus na nova lei
PregãoBens e serviços comunsMantido
ConcorrênciaObras, engenharia e contratações de maior vultoMantida
ConcursoTrabalho técnico, científico ou artístico, com prêmioMantido
LeilãoVenda (alienação) de bens públicos, maior lanceMantido
Diálogo competitivoObjetos complexos e inovadores, com solução em abertoNovidade
Tomada de preços(modalidade da Lei 8.666/93)Extinta
Convite(modalidade da Lei 8.666/93)Extinto

Uma observação que pega muita gente: o pregão não serve para tudo. Pelo art. 29, ele é vedado para serviços técnicos especializados de natureza predominantemente intelectual e, em regra, não se aplica a obras. Já os serviços comuns de engenharia podem ser contratados por pregão.

Quais são os critérios de julgamento?

Modalidade e critério de julgamento são coisas diferentes, e a banca adora misturar os dois. A modalidade é o rito do procedimento; o critério de julgamento é como você escolhe o vencedor. Os critérios estão no art. 33 da Lei 14.133/2021:

  • Menor preço: vence quem cobra menos.
  • Maior desconto: vence quem oferece o maior abatimento sobre um preço de referência.
  • Melhor técnica ou conteúdo artístico: avalia a qualidade da proposta, comum no concurso.
  • Técnica e preço: combina nota técnica e nota de preço, ponderadas.
  • Maior lance: típico do leilão, em que vence quem paga mais pelo bem.
  • Maior retorno econômico: usado em contratos de eficiência, em que o ganho do contratado depende da economia gerada para a administração.

A pegadinha clássica é a questão dizer que o critério de julgamento sempre é o menor preço. Não é: a lei prevê vários, e a escolha depende do objeto contratado.

O que é contratação direta (dispensa e inexigibilidade)?

Contratação direta é a hipótese em que a administração contrata sem realizar a licitação, nos casos previstos em lei. Ela tem duas espécies, e distinguir as duas é praticamente garantia de questão na prova:

  • Inexigibilidade de licitação (art. 74): ocorre quando a competição é inviável, ou seja, quando, na prática, não há como promover a disputa. Exemplos típicos: fornecedor exclusivo de um produto, contratação de profissional do setor artístico consagrado pela crítica ou pela opinião pública, e contratação de serviços técnicos especializados com profissional ou empresa de notória especialização. O rol da inexigibilidade é exemplificativo: cabe sempre que faltar viabilidade de competição.
  • Dispensa de licitação (art. 75): aqui a competição até seria possível, mas a lei autoriza que a administração não a realize, por razões de valor, urgência, segurança ou conveniência administrativa. Exemplos: contratações de pequeno valor (até os limites previstos na lei, atualizados periodicamente), emergência ou calamidade pública e licitação deserta. O rol da dispensa é taxativo: só vale nas hipóteses que a lei lista.

Tabela-resumo da contratação direta

CaracterísticaInexigibilidade (art. 74)Dispensa (art. 75)
CompetiçãoInviávelPossível, mas afastada por lei
Natureza do rolExemplificativoTaxativo
Exemplo típicoFornecedor exclusivo, notória especialização, artista consagradoPequeno valor, emergência, licitação deserta

A grande confusão que a banca arma é trocar uma pela outra. Memorize o gancho: na inexigibilidade a disputa é inviável (não tem como competir); na dispensa a disputa é viável, mas a lei dispensou.

Quem conduz a licitação?

A Nova Lei de Licitações reforçou a figura do agente de contratação, servidor designado para conduzir o procedimento, auxiliado por uma equipe de apoio. Quando a modalidade é o pregão, esse agente é chamado de pregoeiro. A lei também trata da comissão de contratação, usada em casos como o do diálogo competitivo. Esse desenho de governança, com responsabilidades mais claras, é um dos temas novos que as bancas começaram a explorar.

Como esse tema cai nos concursos?

Licitação é conteúdo de altíssima incidência em qualquer edital com Direito Administrativo, das áreas administrativa, fiscal e de controle às carreiras jurídicas. Veja como cada estilo de banca costuma cobrar:

  • Cebraspe (certo/errado): inverte um detalhe e espera que você não perceba. Exemplos: afirmar que a tomada de preços continua válida (errado, foi extinta), que o rol da dispensa é exemplificativo (errado, é taxativo) ou que o diálogo competitivo já existia na Lei 8.666/1993 (errado, é novidade da Lei 14.133/2021).
  • FGV e FCC (múltipla escolha): apresentam um caso e pedem a modalidade correta ou o tipo de contratação direta. Comprar de fornecedor exclusivo é inexigibilidade; contratar por urgência em calamidade é dispensa; vender bens inservíveis é leilão; escolher um projeto arquitetônico premiado é concurso.
  • Literalidade do art. 5º: as bancas cobram a lista de princípios quase palavra por palavra, então vale ter o rol na ponta da língua.
  • Modalidade x critério de julgamento: outra fonte de pegadinha. A questão troca a modalidade pelo critério (por exemplo, chamar "menor preço" de modalidade) para confundir.

Em provas da OAB, o tema aparece de passagem, normalmente cobrando o conceito de licitação ou a diferença entre dispensa e inexigibilidade. Em concursos, a cobrança é bem mais detalhada e literal.

A melhor forma de fixar não é reler o resumo, e sim resolver questões até reconhecer o padrão das pegadinhas na hora da prova.

Perguntas frequentes sobre licitação

O que é licitação?

Licitação é o procedimento administrativo pelo qual a administração pública seleciona, de forma objetiva e impessoal, a proposta mais vantajosa para celebrar um contrato, seja de obra, serviço, compra ou alienação. Ela garante a isonomia entre os interessados e busca o melhor resultado para o interesse público. A regra geral hoje está na Lei 14.133/2021.

Quais são as modalidades de licitação atuais?

Pela Lei 14.133/2021, as modalidades são cinco: pregão, concorrência, concurso, leilão e diálogo competitivo. O diálogo competitivo é a grande novidade, voltado a objetos complexos e inovadores. As antigas tomada de preços e convite, que existiam na Lei 8.666/1993, foram extintas.

Qual a diferença entre dispensa e inexigibilidade de licitação?

Na inexigibilidade (art. 74), a competição é inviável, ou seja, não há como promover a disputa, como na compra de fornecedor exclusivo. Na dispensa (art. 75), a competição seria possível, mas a lei autoriza a administração a não licitar, por valor, urgência ou conveniência. O rol da inexigibilidade é exemplificativo, e o da dispensa é taxativo.

A Lei 14.133/2021 revogou a Lei 8.666/1993?

Sim. A Lei 14.133/2021 é a Nova Lei de Licitações e Contratos Administrativos e substituiu a Lei 8.666/1993, além de absorver o pregão (Lei 10.520/2002) e o RDC (Lei 12.462/2011). Houve um período de convivência entre os regimes, mas a nova lei passou a ser a norma única após o fim da transição, ao longo de 2023.

O que é diálogo competitivo?

O diálogo competitivo é uma modalidade de licitação criada pela Lei 14.133/2021, prevista no art. 32. Ela serve para contratações de objetos complexos e inovadores, em que a administração ainda não conhece a melhor solução técnica. A administração dialoga com licitantes previamente selecionados para desenvolver alternativas e só depois recebe as propostas finais.

Quais são os critérios de julgamento da licitação?

Pelo art. 33 da Lei 14.133/2021, os critérios são menor preço, maior desconto, melhor técnica ou conteúdo artístico, técnica e preço, maior lance (no leilão) e maior retorno econômico. O critério adequado depende do objeto da contratação, e não existe um único critério obrigatório para toda licitação.

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  • Licitacao: principios, modalidades, fases, dispensa e inexigibilidade
    14.873
  • Estatuto Constitucional e Regime Juridico dos Servidores Federais
    9.721
  • Desconcentracao e Descentralizacao: Orgaos e Entidades
    6.061

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