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Quiz Princípio do Juiz Natural: questões grátis

10 questões inéditas sobre o princípio do juiz natural: vedação ao tribunal de exceção, CF art. 5º, XXXVII e LIII, e jurisprudência do STF, com gabarito comentado.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

O princípio do juiz natural decorre da combinação de dois incisos do art. 5º da Constituição Federal, que estabelecem que

  • A)não haverá juízo ou tribunal de exceção e ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.
  • B)a lei não prejudicará o direito adquirido e o ato jurídico perfeito.
  • C)ninguém será privado da liberdade sem o devido processo legal e é assegurado o contraditório.
  • D)a casa é asilo inviolável e é livre o exercício de qualquer trabalho.
  • E)não há crime sem lei anterior que o defina nem pena sem prévia cominação legal.
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Resposta correta: A

O juiz natural nasce da soma do art. 5º, XXXVII (não haverá juízo ou tribunal de exceção) com o LIII (ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente). A face negativa proíbe tribunais criados após o fato, sob medida para julgá-lo; a positiva exige que a competência esteja fixada em regras gerais e abstratas ANTERIORES ao fato. O princípio protege a imparcialidade: se fosse possível escolher o julgador depois do caso concreto, o resultado poderia ser encomendado. Toda a disciplina de competência do processo penal e civil é, no fundo, densificação do juiz natural.

Questão 2

Tribunal de exceção é

  • A)órgão jurisdicional criado após o fato, especificamente para julgá-lo, fora das regras gerais e abstratas de competência.
  • B)qualquer vara especializada criada por lei de organização judiciária.
  • C)a Justiça Militar da União.
  • D)o Tribunal do Júri.
  • E)o juízo universal da falência.
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Resposta correta: A

Tribunal de exceção é o juízo ad hoc, post factum: montado depois do acontecimento e para ele, escapando das normas gerais de competência. É disso que o art. 5º, XXXVII, trata, na memória de experiências autoritárias de tribunais de encomenda. O contraste indispensável: JUSTIÇAS ESPECIALIZADAS (Militar, Eleitoral, do Trabalho) e VARAS ESPECIALIZADAS não são tribunais de exceção, porque são criadas por norma geral e abstrata, ANTES dos fatos, para classes de casos definidas em tese. Especialização é técnica de organização judiciária legítima; exceção é escolha casuística do julgador. Essa diferença é o coração de qualquer questão do tema.

Questão 3

Conforme a Súmula 704 do STF, a atração por continência ou conexão do processo do corréu ao foro por prerrogativa de função de um dos denunciados

  • A)viola o princípio do juiz natural.
  • B)não viola as garantias do juiz natural, da ampla defesa e do devido processo legal.
  • C)somente é admitida em crimes hediondos.
  • D)depende de anuência expressa do corréu.
  • E)foi vedada pela EC 45/2004.
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Resposta correta: B

Texto da Súmula 704 do STF: NÃO viola juiz natural, ampla defesa nem devido processo legal a atração, por conexão ou continência, do processo do corréu ao foro por prerrogativa de um dos denunciados. O julgamento conjunto preserva a visão unitária dos fatos. O cenário mudou de tempero com a restrição do foro por prerrogativa (AP 937: o foro de parlamentar vale para crimes praticados no cargo e em razão dele), o que multiplicou desmembramentos: a regra hoje é separar e manter no tribunal só a autoridade, salvo quando a cisão prejudicar a instrução. A súmula segue válida, mas convive com a preferência prática pelo desmembramento. Provas cobram as duas camadas.

Questão 4

A criação de varas especializadas em lavagem de dinheiro e crime organizado, por resolução de tribunal, abrangendo fatos anteriores à especialização,

  • A)viola o juiz natural, pois configura tribunal de exceção.
  • B)é compatível com a Constituição, segundo o STF, por se tratar de regra geral e abstrata de organização judiciária, não de designação casuística.
  • C)somente é válida se aprovada por lei federal específica para cada comarca.
  • D)é permitida apenas na Justiça Estadual.
  • E)exige anuência do Ministério Público.
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Resposta correta: B

O STF validou a especialização de varas por resolução dos tribunais (com base na competência de organização judiciária), inclusive alcançando processos em curso e fatos anteriores: a redistribuição geral e impessoal de processos entre juízos abstratamente competentes não é escolha casuística de julgador (HC 88.660 e precedentes correlatos). A fronteira da inconstitucionalidade é a designação INDIVIDUALIZADA: escolher a dedo o juiz de um caso específico, aí sim, fere o juiz natural. Regra que vale para uma classe inteira de processos, definida em tese, passa no teste. Guarde o critério: geral e abstrato passa; casuístico e individualizado, não.

Questão 5

Quanto à relação entre o juiz natural e o Tribunal do Júri, é correto afirmar que

  • A)o júri é tribunal de exceção tolerado pela Constituição.
  • B)o júri é o juiz natural dos crimes dolosos contra a vida, por expressa previsão constitucional.
  • C)qualquer crime pode ser levado ao júri por decisão do Ministério Público.
  • D)o júri julga também os crimes culposos contra a vida.
  • E)a competência do júri pode ser afastada por lei estadual.
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Resposta correta: B

O art. 5º, XXXVIII, "d", da Constituição fixa a competência do júri para os crimes DOLOSOS contra a vida (homicídio, induzimento ao suicídio, infanticídio e aborto, consumados ou tentados): ele é o juiz natural dessas causas, instituição constitucional permanente, o oposto de um tribunal de exceção. Culposos ficam no juízo singular. E a competência do júri, por ser constitucional, cede apenas diante de OUTRA regra constitucional: autoridade com foro por prerrogativa prevista NA PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO escapa do júri (Súmula 721/STF e Súmula Vinculante 45: a competência do júri prevalece sobre foro estabelecido exclusivamente em Constituição ESTADUAL). Hierarquia de normas resolvendo conflito de competência: tema nobre de prova.

Questão 6

A respeito do desaforamento no procedimento do júri, é correto afirmar que ele

  • A)viola o juiz natural, sendo vedado pelo CPP.
  • B)é compatível com o juiz natural, pois previsto em lei geral e fundado em razões objetivas, como dúvida sobre a imparcialidade do júri ou risco à segurança do réu.
  • C)pode ser determinado de ofício pelo delegado de polícia.
  • D)transfere o julgamento para o tribunal de segundo grau.
  • E)é cabível apenas antes do recebimento da denúncia.
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Resposta correta: B

O desaforamento (arts. 427 e 428 do CPP) desloca o julgamento pelo júri para comarca vizinha quando presentes razões OBJETIVAS previstas em lei: interesse da ordem pública, dúvida sobre a imparcialidade do júri, risco à segurança do acusado ou excesso de serviço que atrase o julgamento por mais de 6 meses. Não fere o juiz natural exatamente porque é hipótese legal, geral e abstrata, decidida pelo tribunal com contraditório. O que seria inconstitucional é transferir o caso por conveniência casuística, sem amparo nas hipóteses legais. Note a direção: desaforamento muda o LUGAR do júri, nunca o órgão (o julgamento continua sendo por jurados, não pelo tribunal togado).

Questão 7

Sobre a convocação de juízes de primeiro grau para compor órgão julgador de tribunal, o STF entende que

  • A)é inconstitucional em qualquer hipótese.
  • B)não viola o juiz natural quando feita na forma da lei, com critérios objetivos e impessoais.
  • C)somente é válida no Superior Tribunal de Justiça.
  • D)depende de aprovação do Conselho Nacional de Justiça caso a caso.
  • E)é permitida apenas em matéria cível.
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Resposta correta: B

O STF reconhece a validade do julgamento por órgãos com juízes convocados quando a convocação segue LEI e critérios objetivos e impessoais, inclusive em câmaras compostas majoritariamente por convocados: o julgador não foi escolhido para o caso, foi alocado por regra geral (RE 597.133, repercussão geral). A razão de fundo é a mesma de sempre: o juiz natural não garante o julgamento por uma PESSOA determinada, e sim por um ÓRGÃO investido segundo regras prévias e gerais. Substituições, convocações, mutirões e redistribuições são constitucionais enquanto forem impessoais. A pessoalização é que contamina.

Questão 8

O princípio da identidade física do juiz, segundo o qual o juiz que preside a instrução deve sentenciar,

  • A)confunde-se integralmente com o juiz natural.
  • B)é regra infraconstitucional relacionada, prevista no art. 399, § 2º, do CPP, que convive com exceções como férias, promoção ou aposentadoria do magistrado.
  • C)impede qualquer substituição de juiz no curso do processo.
  • D)aplica-se somente ao processo do trabalho.
  • E)foi declarado inconstitucional pelo STF.
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Resposta correta: B

Identidade física (art. 399, § 2º, do CPP: o juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença) é prima do juiz natural, mas não se confundem: o juiz natural fixa o ÓRGÃO competente por regras prévias; a identidade física vincula a PESSOA do juiz instrutor à sentença, como técnica de valorização da imediatidade. A jurisprudência aplica ao processo penal, por analogia, as exceções históricas do CPC de 1973: convocação, licença, férias, promoção, aposentadoria ou qualquer afastamento legítimo transferem os autos ao sucessor. Substituição fundada em regra legal não anula a sentença. Item que trate a identidade física como absoluta, ou que a eleve a garantia constitucional expressa, está errado.

Questão 9

Em relação ao juiz das garantias, introduzido no CPP pela Lei 13.964/2019, sua compatibilização com o princípio do juiz natural indica que

  • A)trata-se de tribunal de exceção criado para casos de corrupção.
  • B)é estrutura geral e abstrata de repartição funcional de competência na fase de investigação, considerada constitucional pelo STF nas ADIs 6.298 a 6.305, com implementação modulada.
  • C)só se aplica aos processos do Tribunal do Júri.
  • D)permite ao investigado escolher o juiz da instrução.
  • E)foi rejeitado pelo Congresso Nacional.
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Resposta correta: B

O juiz das garantias (arts. 3º-A a 3º-F do CPP) separa funções: um juiz controla a legalidade da investigação e decide as cautelares; outro instrui e julga. O STF, nas ADIs 6.298, 6.299, 6.300 e 6.305, declarou o instituto constitucional em essência (com ajustes: caráter não vinculante do prazo de implantação, exclusões como júri, violência doméstica e competência originária dos tribunais) e fixou prazo de implementação pelos tribunais. Longe de violar o juiz natural, a estrutura o reforça: as regras são gerais, abstratas e prévias, e ninguém escolhe seu julgador. O tema é novíssimo em provas e tende a cair combinando o texto do CPP com a modulação do STF: estude os dois juntos.

Questão 10

Constitui violação ao princípio do juiz natural

  • A)a distribuição aleatória de processos entre varas igualmente competentes.
  • B)a designação casuística e direcionada de um magistrado específico para julgar determinado caso, fora das regras gerais de substituição e distribuição.
  • C)a atuação de juiz substituto durante férias do titular.
  • D)o julgamento de recurso por câmara com composição alterada por aposentadoria de desembargador.
  • E)a redistribuição de processos por criação de nova vara.
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Resposta correta: B

A síntese do princípio em uma frase: o que o juiz natural proíbe é a ESCOLHA DIRECIONADA do julgador para o caso concreto. Distribuição aleatória, substituição legal, alteração de composição por fato natural da carreira e redistribuição por criação de vara são mecanismos impessoais, todos válidos. Quando avaliar qualquer situação em prova, aplique o teste em três perguntas: a regra é anterior ao fato? É geral e abstrata? A definição do julgador escapou à vontade das partes e das autoridades? Três sins = constitucional. Um não, especialmente no quesito escolha direcionada, = violação. Esse checklist resolve praticamente qualquer alternativa do tema.

Perguntas frequentes

Este quiz de Princípio do Juiz Natural é gratuito?

Sim. As 10 questões são gratuitas, com gabarito e microaula (explicação) em cada uma.

De onde vêm as questões de Princípio do Juiz Natural?

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