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Controle de Constitucionalidade: grátis

Questões sobre controle difuso e concentrado, ADI, ADC, ADPF.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

É constitucional a lei municipal que autoriza o Poder Executivo Municipal a explorar, diretamente ou mediante concessão ou permissão, os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens, PORQUE compete aos municípios organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local. Analisando-se as afirmativas anteriores, conclui-se que

  • A)as duas afirmativas são verdadeiras, e a segunda justifica a primeira.
  • B)as duas afirmativas são verdadeiras, e a segunda não justifica a primeira.
  • C)a primeira afirmativa é verdadeira, e a segunda é falsa.
  • D)a primeira afirmativa é falsa, e a segunda é verdadeira.
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Resposta correta: D

Aqui a banca testa uma divisão clássica da Constituição: nem todo serviço público pode ser encampado pelo município. A radiodifusão sonora e de sons e imagens pertence à competência da União, que pode explorá-la diretamente ou por meio de autorização, concessão ou permissão, nos termos do art. 21, XII, alíneas a e b, da CF. Ou seja, quando o assunto é rádio e televisão, o município não entra na jogada como titular do serviço. Já a segunda afirmativa está correta ao lembrar que os municípios prestam serviços públicos de interesse local, conforme o art. 30, V, da CF. Esse é um poder importante, mas limitado ao que efetivamente seja local, como transporte coletivo municipal, por exemplo. A Constituição não transforma essa competência em uma chave-mestra para qualquer serviço público. Por isso, o gabarito é D: a primeira afirmativa é falsa, porque o município não pode explorar radiodifusão sonora e de sons e imagens; a segunda é verdadeira, porque os municípios realmente organizam e prestam serviços de interesse local. Em prova, quando aparecer radiodifusão, pense em União antes de pensar em município. É quase um reflexo constitucional.

Questão 2

Em uma cidade com cerca de 200 mil habitantes, a saúde preventiva, como serviço público essencial, era bastante precária e sua prestação se dava por meio de terceirização e contratos temporários mediante Recibo de Pagamento de Autônomo. Após Recomendação do MPT, o Poder Executivo resolveu abrir certame público para admissão de novos agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias, atividades consagradas no Art. 198, §4º ao §11, da CRFB/1988, regulamentadas pela Lei nº 11.350/2006, visando prover os cargos existentes. O ente federativo, desde antes de 1988, tem lei municipal, pela qual os vínculos de trabalho no serviço público são firmados pelo regime jurídico único estatutário. Ocorre que, mediante termo aditivo ao Edital lançado em 2015, o referido ente local alterou o regime jurídico, passando-o para contrato temporário de dois anos, prorrogáveis por mais dois anos, mediante modelo diverso do que prevê o arcabouço normativo acima apontado, mantendo, contudo, as demais regras fixadas no Edital. Mediante Ação Civil Pública, promovida pela Defensoria Pública Estadual, na defesa do serviço público contínuo, confiável e de qualidade, as desconformidades foram sanadas. A respeito do caso apresentado, é correto afirmar que:

  • A)a terceirização e a contratação temporária de agentes comunitários de saúde e agentes de combate a endemias são vedadas, em qualquer hipótese;
  • B)a Lei nº 11.350/2006 determina que a contratação se faça pelo regime celetista, desde que não esteja em vigor regime diverso no ente federativo municipal, facultada a realização de concurso;
  • C)a redação do Art. 39 da CRFB/1988, alterada pela EC nº 19/1998, teve sua eficácia suspensa por decisão do STF no bojo da ADI 2135, afetando, por consequência, de modo retroativo, as normas infraconstitucionais incompatíveis;
  • D)a presença de agentes comunitários de saúde na Estratégia de Saúde da Família, cujo ocupante do cargo ou emprego público, aprovado em concurso, pode residir fora do território abrangido pela Unidade Básica de Saúde da Família, é essencial e obrigatória;
  • E)a redação do Art. 39 da CFRB/1988 está com eficácia suspensa por liminar, deferida no bojo de ação direta de inconstitucionalidade, por vício formal da Emenda EC nº 19/1998, cujos efeitos se operam ex-nunc sobre as normas infraconstitucionais editadas.
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Resposta correta: E

A questão mistura dois assuntos clássicos: o regime jurídico dos servidores e a disciplina específica dos agentes comunitários de saúde e dos agentes de combate a endemias. Esses agentes têm regramento próprio na Constituição e na Lei nº 11.350/2006, com ingresso por processo seletivo público, e não por arranjos improvisados de terceirização ou RPAs como se fosse “gambiarra administrativa”. O ponto-chave é que o art. 39 da CF, na redação dada pela EC nº 19/1998, ficou com a eficácia suspensa por liminar na ADI 2135. O STF entendeu que havia vício formal no processo de alteração constitucional, e, por isso, a suspensão produz efeitos ex nunc, isto é, dali para frente, sem desfazer automaticamente tudo o que já existia antes. É exatamente essa combinação que a alternativa E traz. Além disso, a Lei nº 11.350/2006 trata desses profissionais de forma específica, exigindo processo seletivo público e observância das regras constitucionais e legais da área. Portanto, o município não podia simplesmente inventar um contrato temporário de dois anos, prorrogável por mais dois, se isso contrariasse o modelo normativo aplicável. Em resumo: a banca está testando se voce sabe que a ADI 2135 atingiu a eficácia do art. 39 da CF com efeitos prospectivos, e que a Administração Pública não pode trocar o regime jurídico no meio do jogo para contornar a disciplina constitucional e legal.

Questão 3

Existem instrumentos capazes de resguardar a supremacia da Constituição e confirmar a constitucionalidade ou não de uma lei. A ação direta de inconstitucionalidade objetiva a declaração de inconstitucionalidade

  • A)de lei ou ato normativo federal, ou estadual ou municipal, tendo a decisão eficácia erga omnes e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como ao Legislativo.
  • B)de lei ou ato normativo federal, ou estadual, tendo a decisão eficácia erga omnes e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como ao Legislativo.
  • C)de lei ou ato normativo federal ou estadual, tendo a decisão eficácia erga omnes e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
  • D)de lei ou ato normativo federal, ou estadual ou municipal, tendo a decisão eficácia erga omnes e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
  • E)apenas de lei ou ato normativo federal ou estadual, tendo a decisão eficácia inter partes e efeito vinculante relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como ao Legislativo.
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Resposta correta: C

A ação direta de inconstitucionalidade, a famosa ADI, é um instrumento de controle concentrado usado para retirar do ordenamento lei ou ato normativo incompatível com a Constituição. No plano federal, ela é proposta perante o STF e serve para discutir, em tese, a validade de normas. Quando a Corte declara a inconstitucionalidade, a decisão tem eficácia erga omnes e efeito vinculante, nos termos do art. 102, I, a, e do art. 102, § 2º, da Constituição, além da Lei 9.868/1999. O ponto principal da questão está no alcance da ADI. Ela não serve para impugnar lei ou ato normativo municipal em face da Constituição Federal, porque, nesse caso, em regra, o caminho é a arguição de descumprimento de preceito fundamental ou o controle difuso, conforme a situação. Também não cabe falar em eficácia inter partes, porque o controle concentrado produz efeitos gerais. Por isso, a banca acertou ao indicar a alternativa C: a ADI objetiva a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual, com eficácia erga omnes e efeito vinculante em relação ao Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. O detalhe do município é importante: ele aparece como destinatário dos efeitos da decisão, não como objeto típico da ADI perante o STF. Em resumo: ADI é controle concentrado, com efeito amplo e forte. Se a questão tentar incluir norma municipal como objeto, desconfie, porque esse é o tipo de pegadinha favorita para testar se você sabe onde a Constituição realmente permite o ataque direto.

Questão 4

Em uma gincana jurídica, os três grupos participantes deveriam apresentar considerações em relação à relevância dos referenciais de vigência e validade na perspectiva do controle concentrado de constitucionalidade, bem como sobre o paradigma de confronto passível de ser utilizado. O grupo Alfa sustentou que a vigência de uma norma não é imprescindível à sua submissão a essa espécie de controle. O grupo Beta, por sua vez, defendia que normas inválidas, mesmo sendo reconhecidas como tais em sede de controle concentrado de constitucionalidade, podem continuar a produzir efeitos em certas situações. Já o grupo Gama defendeu que norma infraconstitucional também pode ser utilizada como paradigma de confronto para se avaliar a compatibilidade de uma norma com a Constituição da República de 1988. A professora Ana, ao analisar as respostas dos grupos Alfa, Beta e Gama, concluiu corretamente que

  • A)todas estão certas.
  • B)apenas o grupo Alfa está certo.
  • C)apenas o grupo Gama está certo.
  • D)apenas os grupos Alfa e Beta estão certos.
  • E)apenas os grupos Gama e Beta estão certos.
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Resposta correta: A

No controle concentrado de constitucionalidade, a ideia central é comparar a norma impugnada com a Constituição, que é o parâmetro de controle por excelência. Em regra, o STF analisa a compatibilidade da lei ou ato normativo com a Carta de 1988 em abstrato, sem depender de um caso concreto. Aqui entra a dupla clássica: vigência e validade. Nem sempre a falta de vigência impede o controle, porque o STF admite o exame de normas revogadas quando ainda houver efeitos jurídicos a serem preservados ou afastados. Em outras palavras, a norma pode ter saído de cena, mas deixado o estrago no palco. O grupo Beta também acertou. Quando o STF reconhece a inconstitucionalidade, a consequência natural é a retirada da norma do sistema, mas isso não significa que os efeitos passados ou até mesmo alguns efeitos futuros desapareçam automaticamente. A própria Lei 9.868/1999, no art. 27, permite a modulação dos efeitos da decisão por razões de segurança jurídica ou excepcional interesse social. Então, uma norma inválida pode continuar irradiando efeitos por determinado tempo, se a Corte assim decidir. Já o grupo Gama errou no ponto principal. No controle concentrado, o paradigma de confronto é a Constituição da República, e não uma norma infraconstitucional. Norma infraconstitucional não serve, em regra, como parâmetro direto para declarar outra norma inconstitucional em ação direta. Pode haver discussão de legalidade, hierarquia infraconstitucional ou até outros mecanismos de controle, mas isso não transforma uma lei em “parâmetro constitucional”. Por isso, o gabarito é a letra A: Alfa e Beta estão corretos, e Gama está incorreto. A questão mistura conceitos parecidos para testar se você lembra que o controle concentrado olha para a Constituição, mas não fica preso a uma visão mecânica de vigência e efeitos. O STF costuma tratar esses temas com pragmatismo, especialmente para evitar vácuo normativo e insegurança jurídica.

Questão 5

Analise as afirmativas em relação a disciplina poder judiciário. I - O Superior Tribunal de Justiça compõe-se de, no máximo trinta e três ministros; II - Aos Juízes Federais compete processar e julgar crimes contra a organização do trabalho; III - Podem propor ação direta de inconstitucionalidade o Presidente da República, Presidente do Senado Federal e da Câmara dos Deputados; IV - Compete aos estados a representação de Inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Federal de 1988. Assinale a alternativa que indica a(s) afirmativa(s) correta(s):

  • A)É correta apenas a afirmativa IV.
  • B)É correta apenas a afirmativa II.
  • C)São corretas as afirmativas I, II, III e IV.
  • D)São corretas as afirmativas I e III.
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Resposta correta: B

Essa questão mistura Constituição com um pouco de “pegadinha sem vergonha”. O ponto central aqui é lembrar que, no Poder Judiciário, a redação exata da CF faz toda a diferença. Quando a banca troca uma palavrinha, como “mínimo” por “máximo”, ou “Mesa” por “Presidente”, ela já quer te derrubar na sutileza. A afirmativa I está errada porque o art. 104 da CF diz que o STJ se compõe de, no mínimo, 33 Ministros, e não “no máximo” 33. Já a afirmativa II está correta: o art. 109, VI, atribui aos juízes federais o processamento e julgamento dos crimes contra a organização do trabalho, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral e da Justiça Militar quando cabível. A afirmativa III também está errada. A legitimação para a ação direta de inconstitucionalidade, no art. 103 da CF, é da Mesa do Senado Federal e da Mesa da Câmara dos Deputados, e não dos seus Presidentes individualmente. Parece detalhe, mas em prova isso vale ouro. Por fim, a afirmativa IV está errada porque a representação de inconstitucionalidade perante os Estados diz respeito a leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, e não da Constituição Federal. Por isso, o gabarito B está certo: somente a afirmativa II corresponde ao texto constitucional.

Questão 6

A respeito do controle de constitucionalidade, assinale a alternativa correta.

  • A)O Supremo Tribunal Federal admite ação direta de inconstitucionalidade que vise impugnar norma de caráter secundário.
  • B)O Governador do Estado e a Mesa da Assembleia Legislativa podem propor ação direta de inconstitucionalidade exclusivamente em face das normas que se originam do seu próprio Estado.
  • C)Lei anterior à Constituição pode ser objeto de controle concentrado de constitucionalidade, desde que demonstrado que o parâmetro de controle, apesar de diferente, tem o mesmo teor.
  • D)Todos os legitimados a propor a declaração de inconstitucionalidade de lei têm capacidade postulatória para tanto.
  • E)O Estado-membro não tem legitimidade para interpor agravo interno da decisão do relator que em sede de controle normativo abstrato indeferiu a petição inicial proposta pelo Governador do Estado.
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Resposta correta: E

No controle de constitucionalidade, a primeira pergunta sempre é: qual norma está sendo atacada e qual é o parâmetro de comparação. No controle concentrado, via de regra, o STF julga a compatibilidade de uma norma com a Constituição, especialmente em ações como ADI, ADC e ADPF. Aqui mora a pegadinha clássica: nem toda norma pode ser objeto de ADI no STF. Norma de caráter secundário, como ato infralegal, normalmente não é discutida por ADI, mas por outras vias, porque ela não tem o mesmo status de lei em sentido estrito. Outro ponto importante: a ADI não serve para atacar lei anterior à Constituição quando o problema é de recepção. Nesses casos, a análise não é de constitucionalidade, mas de compatibilidade com a nova ordem constitucional, e o instrumento adequado costuma ser outro. A banca gosta de trocar os nomes das coisas para ver se voce escorrega no caminho. Quanto à legitimidade, nem todo legitimado da CF/88 tem capacidade postulatória. Alguns podem propor a ação, mas precisam de advogado; outros, como certas autoridades e órgãos de cúpula, têm legitimidade e podem agir diretamente. Ou seja: legitimidade para propor não é a mesma coisa que capacidade postulatória. Clássico assunto de concurso. O gabarito é a letra E porque o Estado-membro, na hipótese descrita, não tem legitimidade para recorrer em nome do Governador quando a decisão impugna a petição inicial da ADI proposta por ele. A jurisprudência do STF é firme no sentido de que o recurso deve ser manejado pelo próprio legitimado ativo afetado, e não por terceiro ente federativo, salvo situações específicas de representação processual que não se confundem com esta hipótese.

Questão 7

Acerca do controle de constitucionalidade, assinale a alternativa correta.

  • A)Proposta a ação direta de inconstitucionalidade por omissão, não se admitirá desistência.
  • B)O Supremo Tribunal Federal, por decisão da maioria de dois terços de seus membros, poderá deferir pedido de medida cautelar na ação declaratória de constitucionalidade, para determinar que juízes e tribunais suspendam o julgamento dos processos que envolvam a aplicação da norma objeto da ação até seu julgamento definitivo.
  • C)Cabe aos estados a instituição de representação de inconstitucionalidade de leis ou atos normativos estaduais ou municipais em face da Constituição Estadual, admitida a atribuição da legitimação para agir a um único órgão.
  • D)Caberá reclamação da decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em arguição de descumprimento de preceito fundamental.
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Resposta correta: A

Nesta questao, a banca cobra um ponto bem comum do controle de constitucionalidade: as regras processuais das acoes objetivas. Aqui, a ideia central e que essas acoes nao pertencem ao autor como se fossem um processo privado. Elas servem para proteger a ordem constitucional, entao o controle nao pode ficar ao sabor de arrependimento depois que a acao foi proposta. Por isso, na acao direta de inconstitucionalidade por omissao (ADO), nao se admite desistencia. A lei que disciplina o tema (Lei 9.868/1999, com as alteracoes da Lei 12.063/2009) trata a ADO como instrumento voltado a suprir omissao inconstitucional, o que reforca seu carater objetivo e indisponivel. A alternativa A esta correta justamente por isso: proposta a ADO, o legitimado nao pode simplesmente desistir. A logica e simples, embora a linguagem da lei goste de complicar a vida de quem estuda: o interesse protegido e da Constituicao, nao da vontade passageira do autor. As demais alternativas trazem erros de regra ou de quórum. Em controle de constitucionalidade, esses detalhes sao muito cobrados, entao vale memorizar o texto legal com carinho, porque a banca adora trocar uma palavrinha e fazer voce escorregar.

Questão 8

A partir da proteção constitucional e infraconstitucional dos direitos dos índios no território brasileiro, Joana e Helena promoveram alentada análise a respeito dos direitos dos índios sobre as terras que tradicionalmente ocupam. Ao fim de suas reflexões, concluíram que: (1) a exclusividade na posse da terra impede a abertura de estradas ou a instalação de equipamentos urbanos sem prévia e expressa autorização dos índios; (2) os índios podem instituir pedágio, no interior de suas terras, para regular o acesso de não-índios; (3) as terras indígenas situadas na faixa de fronteira não obstam a presença das instituições de Estado, inclusive com a instalação de postos de vigilância. Em relação às conclusões de Joana e Helena, é correto afirmar que

  • A)todas estão certas.
  • B)todas estão erradas.
  • C)apenas a conclusão 3 está certa
  • D)apenas as conclusões 1 e 3 estão certas.
  • E)apenas as conclusões 1 e 2 estão certas.
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Resposta correta: C

A CF protege fortemente as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios, mas isso não significa soberania plena sobre elas. O art. 231 da Constituição garante a posse permanente e o usufruto exclusivo das riquezas do solo, rios e lagos, porém a propriedade continua sendo da União. Por isso, a instalação de obras públicas ou equipamentos estatais não depende de uma suposta autorização prévia e expressa dos índios como regra geral. Em situações de relevante interesse público da União, a própria Constituição admite a possibilidade de intervenção, desde que observados os requisitos constitucionais e legais. A conclusão 2 também escorrega feio. Os índios não podem criar pedágio para controlar o acesso de terceiros às terras indígenas, porque não exercem poder tributário sobre esse espaço. Pedágio é exação ligada a sistema viário e à competência do ente público, não a uma faculdade privada ou comunitária de cobrança dentro de terra indígena. Já a conclusão 3 está correta. As terras indígenas situadas em faixa de fronteira não impedem a presença de instituições do Estado, inclusive para fins de vigilância e defesa da soberania nacional. A proteção constitucional das terras indígenas convive com interesses públicos maiores, especialmente segurança e controle de fronteira. Assim, o gabarito é a letra C, pois somente a conclusão 3 está certa.

Questão 9

Antônio e João travaram intenso debate a respeito da inconstitucionalidade por omissão, em razão da infração ao dever constitucional de legislar, e dos instrumentos passíveis de serem utilizados, pelos legitimados, para obterem um provimento jurisdicional que integre a eficácia da norma constitucional, não se limitando a comunicar a omissão ao Poder Legislativo. Ao final, concluíram que: (I) a ação direta de inconstitucionalidade por omissão não pode ser utilizada com esse objetivo; (II) o mandado de injunção pode ser utilizado com esse objetivo, qualquer que seja a natureza da omissão; e (III) a superveniência de norma regulamentadora, mais favorável, sempre produzirá efeitos ex nunc em relação aos beneficiados por decisão transitada em julgado proferida em sede de mandado de injunção. Nesse caso, é correto afirmar que

  • A)nenhuma conclusão está certa.
  • B)todas as conclusões estão certas.
  • C)apenas as conclusões I e II estão certas.
  • D)apenas as conclusões I e III estão certas.
  • E)apenas as conclusões II e III estão certas.
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Resposta correta: A

A inconstitucionalidade por omissão aparece quando a Constituição manda agir, mas o Poder Público fica parado. O remédio clássico é a ação direta de inconstitucionalidade por omissão, prevista no art. 103, §2º, da CF, que serve para comunicar a omissão ao órgão competente e, no caso de órgão administrativo, fixar prazo para agir. Repare no detalhe: ela não entrega, por si só, uma solução concreta para integrar a norma constitucional, então a afirmação I já cai por terra. O mandado de injunção, por sua vez, foi feito justamente para enfrentar a falta de norma que inviabiliza o exercício de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas ligadas à nacionalidade, soberania e cidadania, nos termos do art. 5º, LXXI, da CF. Só que ele não cabe para qualquer omissão do planeta: é preciso que a ausência normativa torne inviável o exercício de um direito constitucional. Por isso, a conclusão II também está errada. A conclusão III também não se sustenta. A superveniência de norma regulamentadora pode afetar a utilidade do mandado de injunção, mas não existe regra absoluta de que os efeitos serão sempre ex nunc em relação a quem já obteve decisão transitada em julgado. Em matéria de MI, o efeito da norma superveniente depende do caso concreto e do regime jurídico aplicável, então a palavra "sempre" entrega a pegadinha. Resumo de prova: ADI por omissão comunica a omissão; mandado de injunção busca viabilizar o direito inviabilizado pela falta de norma. Como as três afirmações do enunciado exageram ou erram o alcance desses instrumentos, o gabarito é a alternativa A.

Questão 10

Certo legitimado ajuizou representação de inconstitucionalidade perante o Tribunal de Justiça do Estado Alfa, visando ao controle concentrado de constitucionalidade da Lei municipal nº XX/2020, que teria afrontado a Constituição da República de 1988. Nesse caso, a representação formulada:

  • A)não deve ser conhecida, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal;
  • B)só pode ser conhecida caso se trate de preceito fundamental, de reprodução obrigatória, ou não, na Constituição Estadual;
  • C)só pode ser conhecida caso se trate de norma de reprodução obrigatória na Constituição Estadual e essa reprodução tenha ocorrido;
  • D)só pode ser conhecida caso se trate de norma de reprodução obrigatória na Constituição Estadual, mesmo que a reprodução não tenha ocorrido;
  • E)só pode ser conhecida caso se trate de preceito fundamental, de reprodução obrigatória na Constituição Estadual, mesmo que a reprodução não tenha ocorrido.
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Resposta correta: D

Aqui mora uma pegadinha clássica de controle de constitucionalidade: o Tribunal de Justiça não faz controle concentrado de lei municipal diretamente em face da Constituição da República, porque isso seria tarefa do STF. No âmbito estadual, o parâmetro do TJ é a Constituição Estadual. Só que, quando a Constituição Estadual repete uma norma da Constituição Federal que é de reprodução obrigatória, essa regra também pode servir de parâmetro para o controle abstrato local. Por isso, a ideia não é “julgar a Constituição Federal” no TJ, e sim usar, no controle da lei municipal, uma norma estadual que espelhe comando federal obrigatório. O STF admite essa construção: as normas de reprodução obrigatória integram o chamado bloco de constitucionalidade estadual, permitindo o controle concentrado no Tribunal de Justiça. O detalhe que derruba muita gente é este: a reprodução não precisa ter ocorrido de forma literal na Constituição Estadual para que a questão seja conhecida, desde que se trate de norma de reprodução obrigatória. Em outras palavras, o caráter obrigatório da regra federal é o que importa, não a existência de um copia-e-cola perfeito no texto estadual. Assim, o gabarito D está correto porque a representação no TJ só pode ser conhecida quando a discussão envolver norma de reprodução obrigatória na Constituição Estadual, mesmo que essa reprodução não tenha sido feita expressamente. É a forma de o controle estadual não invadir a competência do STF, mas ainda assim proteger a supremacia da Constituição.

Perguntas frequentes

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