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Servidores públicos: questões

Lei 8.112, estágio probatório, acumulação, teto remuneratório.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

Determinado servidor público foi acusado de ter recebido vantagens indevidas valendo-se de seu cargo público, sendo denunciado à justiça criminal e instaurado, no âmbito administrativo, processo administrativo disciplinar por ter infringindo seu estatuto funcional pela mesma conduta. Ocorre que o servidor foi absolvido pelo Poder Judiciário em razão de ter ficado provada a inexistência do ato ilícito que lhe fora atribuído. Nessa situação, é correto afirmar que

  • A)a decisão absolutória não influirá na decisão administrativa do processo administrativo disciplinar, por serem independentes.
  • B)haverá repercussão no âmbito do processo administrativo disciplinar, não podendo a administração pública punir o servidor pelo fato decidido na esfera penal.
  • C)em nenhuma hipótese a decisão penal surtirá efeito na esfera administrativa, mesmo que a conduta praticada pelo servidor seja prevista como ilícito penal e ilícito administrativo.
  • D)a punição na instância administrativa nunca poderá ser anulada, caso tenha sido aplicada.
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Resposta correta: B

Em regra, as esferas penal e administrativa são independentes. Isso significa que o servidor pode responder ao mesmo tempo no processo administrativo disciplinar e na ação penal, sem que uma anule automaticamente a outra. Parece confuso, mas é a lógica do sistema: cada instância apura consequências próprias do mesmo fato. Só que essa independência não é absoluta. Quando o Poder Judiciário absolve o servidor criminalmente porque ficou provada a inexistência do fato ou a negativa de autoria, essa conclusão faz coisa julgada e vincula a Administração. Em outras palavras, se a Justiça disse que o fato não existiu, não faz sentido a Administração punir o servidor pelo mesmo episódio. É exatamente o que acontece no enunciado: o servidor foi absolvido porque se provou a inexistência do ato ilícito atribuído a ele. Nessa hipótese, o processo administrativo disciplinar não pode manter punição baseada nesse mesmo fato. Esse é o entendimento consolidado na doutrina e na jurisprudência, inclusive com base na ideia de que a independência das instâncias cede diante da decisão penal absolutória sobre a própria materialidade ou autoria. Então, o gabarito é a letra B: a decisão penal repercute no âmbito administrativo, impedindo a punição pelo fato já afastado na esfera criminal.

Questão 2

O processo disciplinar é o instrumento destinado a apurar responsabilidade de servidor por infração praticada no exercício de suas atribuições, ou que tenha relação com as atribuições do cargo em que se encontre investido. Quanto ao processo administrativo disciplinar previsto no regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais, é possível afirmar que

  • A)sempre que o ilícito praticado pelo servidor ensejar a imposição de penalidade de suspensão por mais de 15 (quinze) dias, será obrigatória a instauração de processo disciplinar.
  • B)como medida cautelar, e a fim de que o servidor não venha a influir na apuração da irregularidade, a autoridade instauradora do processo disciplinar deverá determinar o seu afastamento do exercício do cargo, pelo prazo de até 30 (trinta) dias.
  • C)da sindicância poderá resultar a instauração de processo disciplinar.
  • D)a instauração do processo disciplinar ocorre após a realização do inquérito administrativo.
  • E)quando o relatório da comissão contrariar as provas dos autos, a autoridade julgadora poderá, motivadamente, agravar a penalidade proposta e abrandá-la, sendo vedado, porém, que isente o servidor de responsabilidade.
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Resposta correta: C

No regime da Lei 8.112/1990, o processo administrativo disciplinar (PAD) é o caminho formal para apurar falta funcional com maior gravidade. Ele serve para garantir apuração séria e, ao mesmo tempo, defesa do servidor, porque aqui não vale "resolver no grito". A lógica do procedimento é simples: primeiro pode haver uma investigação preliminar, como a sindicância, e dela podem sair três caminhos principais: arquivamento, aplicação de penalidade mais leve ou instauração de PAD. É por isso que a sindicância não é um beco sem saída; ela pode, sim, abrir a porta para o processo disciplinar. O gabarito é a letra C porque está de acordo com o art. 145 da Lei 8.112/1990, que prevê expressamente que da sindicância poderá resultar a instauração de processo disciplinar. Ou seja, a sindicância pode funcionar como etapa anterior e preparatória, sem impedir a abertura do PAD quando houver indícios suficientes. As demais alternativas tropeçam em detalhes clássicos da lei: prazo de afastamento cautelar, hipótese de instauração obrigatória e poderes da autoridade julgadora. Em concurso, esses detalhes são armadilhas favoritas, então vale decorar os números e a sequência do procedimento.

Questão 3

Diante do que dispõe a Lei nº 8.112/1990, considere: I. Marisa, servidora estável, volta a ocupar o cargo do qual era titular, após ser reprovada no estágio probatório do cargo para o qual foi recentemente nomeada. II. Gilberto, após decisão judicial que invalidou sua demissão, pois constatou a ilegalidade do ato que a provocou, retorna ao cargo que anteriormente ocupava no serviço público. III. Judite, servidora pública, retorna ao exercício de seu cargo após a perícia médica oficial constatar que deixaram de existir os motivos que a levaram a se aposentar por invalidez. As formas de provimento acima descritas são, respectivamente:

  • A)reversão, recondução e reintegração.
  • B)reintegração, reversão e recondução.
  • C)recondução, reintegração e reversão.
  • D)recondução, reversão e reintegração.
  • E)reintegração, recondução e reversão.
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Resposta correta: C

A Lei 8.112/1990 cobra com frequência as formas de retorno ao serviço público, e aqui a chave é identificar o fato gerador de cada uma. A regra é simples: se o servidor estável volta ao cargo anterior depois de não se adaptar ao novo cargo, estamos diante de recondução, prevista no art. 29. Foi exatamente o caso de Marisa, que não passou no estágio probatório do cargo novo e retorna ao cargo de origem. Já a reversão acontece quando o servidor aposentado volta à atividade. No art. 25 da Lei 8.112, isso ocorre, entre outras hipóteses, quando cessam os motivos da aposentadoria por invalidez. Por isso, Judite, que deixou a aposentadoria após a perícia médica oficial constatar a recuperação da capacidade, foi revertida ao cargo. A reintegração, por sua vez, é o retorno do servidor ao cargo antes ocupado em razão da invalidação de sua demissão, com ressarcimento das vantagens, conforme art. 28. É o caso de Gilberto, cuja demissão foi anulada por decisão judicial que reconheceu a ilegalidade do ato. Sem mistério: ilegalidade da demissão chama reintegração. Assim, a sequência correta é: recondução (Marisa), reintegração (Gilberto) e reversão (Judite). É por isso que o gabarito é a alternativa C.

Questão 4

Segundo a Lei nº 8.112/1990, no período de 12 (doze) meses, a licença por motivo de doença em pessoa da família será concedida por até

  • A)60 dias, consecutivos ou não, mantida a remuneração do servidor.
  • B)90 dias, consecutivos ou não, mantida a remuneração do servidor.
  • C)150 dias, consecutivos ou não, mantida a remuneração do servidor.
  • D)60 dias, consecutivos ou não, mantida a remuneração do servidor, e mais 90 dias, consecutivos ou não, não mantida a remuneração do servidor.
  • E)90 dias, consecutivos ou não, mantida a remuneração do servidor, e mais 60 dias, consecutivos ou não, não mantida a remuneração do servidor.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: D

A licença por motivo de doença em pessoa da família está prevista na Lei nº 8.112/1990 e permite que o servidor se afaste para acompanhar cônjuge, companheiro, pais, filhos, madrasta, padrasto, enteado ou dependente que viva às suas expensas e conste do assentamento funcional. O ponto que mais cai em prova é a divisão do prazo dentro de um período de 12 meses. Pela lei, essa licença pode ser concedida por até 60 dias, consecutivos ou não, com remuneração. Se a necessidade continuar, ainda é possível prorrogar por mais 90 dias, também consecutivos ou não, mas sem remuneração. Ou seja, o total pode chegar a 150 dias no período de 12 meses, mas só os primeiros 60 são remunerados. Por isso, o gabarito é a letra D. A banca costuma explorar exatamente essa troca entre tempo e remuneração: você lê um número e esquece o outro detalhe. Aqui, não basta lembrar o prazo total, porque a lei separa claramente a parte remunerada da parte não remunerada. Fundamento legal: art. 83 da Lei nº 8.112/1990.

Questão 5

Identifique o procedimento adequado diante de uma situação onde um servidor público, membro da equipe de planejamento da contratação, possui parentesco com sócio de empresa que atua no ramo do objeto a ser licitado:

  • A)Manter o servidor na equipe, desde que ele se abstenha de analisar a proposta da empresa específica do parente.
  • B)Orientar o servidor a não compartilhar informações sobre o processo com o familiar, mantendo-o na equipe para aproveitar seu conhecimento técnico.
  • C)Transferir a responsabilidade das análises técnicas do servidor para outro membro da equipe, sem necessidade de registro formal.
  • D)Comunicar formalmente à autoridade competente, registrar o impedimento em ata, solicitar substituição do servidor e documentar todos os encaminhamentos no processo.
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Resposta correta: D

Parentesco com sócio de empresa do ramo do objeto licitado gera risco de conflito de interesses e impedimento na equipe de planejamento. A medida correta é comunicar formalmente, registrar o impedimento, substituir o servidor e documentar os encaminhamentos no processo. Não basta pedir abstenção informal ou manter o servidor por conveniência técnica.

Questão 6

O Estado Alfa editou lei estadual estabelecendo a vinculação de reajuste de vencimentos de servidores públicos estaduais ao índice federal de correção monetária (Índice Nacional de Preços ao Consumidor – INPC, calculado pelo IBGE). De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, a citada lei estadual é

  • A)constitucional, pois é permitida a vinculação ou equiparação de espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público, desde que por meio de lei específica.
  • B)constitucional, pois a Constituição da República prevê que a remuneração dos servidores públicos somente poderá ser fixada ou alterada por lei específica, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices.
  • C)inconstitucional, pois a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais aos índices federais de correção monetária viola a Constituição, exceto se o Estado Alfa tiver obtido prévia autorização do IBGE e da União para utilização do INPC.
  • D)inconstitucional, pois a vinculação do reajuste de vencimentos de servidores estaduais aos índices federais de correção monetária viola a Constituição, e o texto constitucional veda a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público.
  • E)constitucional, pois, apesar de ser vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies de reajuste para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público, a utilização de índices oficiais federais representa segurança jurídica na concretização do direito dos servidores à revisão geral anual de seus vencimentos.
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Resposta correta: D

A Constituição tem uma regra bem clara para evitar que a remuneração do servidor vire uma espécie de corrida automática atrás de qualquer índice econômico: é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal do serviço público (art. 37, XIII, da CF). Em outras palavras, o Estado não pode amarrar o reajuste dos vencimentos de seus servidores a um índice externo, como o INPC, porque isso cria um reajuste automático e engessa a política remuneratória. Além disso, a revisão geral anual prevista no art. 37, X, depende de lei específica e não significa indexação automática a um índice de inflação. O STF tem jurisprudência firme no sentido de que a vinculação de vencimentos de servidores a índice de correção monetária viola a Constituição, justamente por contornar a regra constitucional de remuneração por lei e por abrir espaço para reajustes automáticos sem a disciplina própria do ente federado. Por isso, a lei estadual é inconstitucional. A banca está cobrando a diferença entre revisão geral anual e indexação automática: a primeira pode existir, mas depende de lei e decisão política do ente; a segunda é vedada pela Constituição. O Estado não pode pegar carona no índice do IBGE como se isso resolvesse tudo sozinho. Assim, o gabarito D está correto porque a Constituição veda a vinculação de espécies remuneratórias para remuneração de pessoal do serviço público, e a lei estadual criou exatamente essa vinculação ao INPC.

Questão 7

Considerando o que, expressamente, dispõe o regime jurídico dos servidores públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas federais (Lei nº 8.112/90), analise as afirmativas abaixo. I Quando julgado incapaz para o serviço público, o readaptando é exonerado. II Uma das condições necessárias para a reversão no interesse da Administração é que a aposentadoria tenha sido voluntária. III O servidor reintegrado deve ser ressarcido de todas as vantagens. IV Redistribuição é o deslocamento do servidor no âmbito do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede. Das afirmativas, estão corretas

  • A)III e IV.
  • B)I e IV.
  • C)I e II.
  • D)II e III.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: D

Essa questão cobra um bloco clássico da Lei 8.112/90: readaptação, reversão, reintegração e redistribuição. Aqui a banca gosta de trocar o sujeito da ação, porque na Administração Pública isso muda tudo. Não basta saber o nome do instituto, você precisa lembrar quem é deslocado, quem é aposentado e quem é ressarcido. Na afirmativa I, a pegadinha é forte: o servidor readaptado não é exonerado por ter sido julgado incapaz para o serviço público. A lei diz que, se houver limitação, ele será readaptado em cargo compatível; se for considerado incapaz para o serviço público, aí o caminho é a aposentadoria, não a exoneração. Então essa frase está errada. A afirmativa II está correta. A reversão no interesse da Administração exige, expressamente, que a aposentadoria tenha sido voluntária, conforme o art. 25 da Lei 8.112/90. A lei ainda traz outros requisitos, como o servidor ter solicitado, em regra, que a aposentadoria tenha ocorrido há menos de cinco anos e que haja cargo vago. É o tipo de detalhe que a banca adora temperar. A afirmativa III também está correta. O art. 28 prevê que o servidor reintegrado será ressarcido de todas as vantagens. Ou seja: voltou, foi reconhecido o direito, e a lei manda recompor a situação funcional e financeira. Já a afirmativa IV está errada porque a redistribuição não é do servidor, e sim do cargo de provimento efetivo, dentro do mesmo quadro, com ou sem mudança de sede. Por isso, o gabarito é D, pois apenas II e III estão certas.

Questão 8

A Lei 8.112/90 traz uma série de penalidades disciplinares que serão aplicadas, em determinadas situações. No caso da demissão, a lei prevê sua aplicação, em algumas hipóteses, estando elas previstas, abaixo, não estando correta a expressa, na alternativa:

  • A)inassiduidade habitual.
  • B)abandono de cargo.
  • C)ofensa física, em serviço, a servidor ou a particular, em qual situação.
  • D)insubordinação grave em serviço.
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Resposta correta: C

A Lei 8.112/90 trata a demissão como a pena mais pesada do regime disciplinar, reservada para faltas funcionais mais graves. O artigo 132 lista as hipóteses em que a Administração pode chegar a essa sanção, como abandono de cargo, inassiduidade habitual e insubordinação grave em serviço. Em prova, o truque costuma estar em pequenos detalhes de redação: às vezes a frase parece correta, mas traz uma expressão mais ampla do que a lei permite. Aqui, o ponto central é o inciso que fala em ofensa física. A lei prevê demissão quando houver ofensa física, em serviço, a servidor ou particular. Repare no recorte: precisa acontecer em serviço, não em qualquer contexto da vida do servidor. Se a alternativa amplia isso para "em qualquer situação", ela foge do texto legal e fica errada. Ou seja, a banca cobra a leitura literal do art. 132 da Lei 8.112/90. A disciplina fica em serviço, a punição também. Se saiu do ambiente funcional, a tipificação disciplinar pode mudar bastante, e a resposta deixa de bater com o que a lei diz.

Questão 9

Leia o caso a seguir e assinale a alternativa correta. O Município XYZ foi atingido por fortes chuvas em uma noite do mês de janeiro. A emergência constatada provocou a interrupção dos serviços de iluminação pública e de ônibus municipais por 10 horas para a realização dos reparos técnicos necessários para a segurança das instalações e dos usuários. Em razão dos prejuízos financeiros sofridos pelos concessionários do serviço de transporte, o Poder Público resolveu aumentar em R$ 5,00 (cinco reais) o valor da passagem de ônibus. O aumento provocou protestos dos munícipes, que contaram com o apoio de algumas categorias de servidores públicos, como policiais militares, motoristas e cobradores, que resolveram entrar em greve e reivindicar aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

  • A)Os serviços de iluminação pública e transporte não poderiam ter sido paralisados, pois, por se tratarem de serviços essenciais, era necessária a prévia comunicação do usuário.
  • B)O movimento grevista foi legítimo, pois é assegurado pela Constituição o direito de greve aos servidores públicos nos termos e nos limites definidos em lei específica.
  • C)Não havia qualquer impedimento legal para o aumento das passagens, visto que os contratos de concessão podem prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manter-se o equilíbrio econômico-financeiro.
  • D)O aumento da tarifa, no caso descrito, viola o princípio da continuidade do serviço público, pois impede que as camadas mais humildes da população tenham acesso ao serviço de transporte pelo alto custo.
  • E)A iluminação pública, por se tratar de serviço uti universi, é remunerada por meio de impostos e contribuições, diferentemente do serviço de transporte, classificado como uti singuli.
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Resposta correta: C

Aqui a ideia central é simples: serviço público concedido não é museu, ele pode e deve passar por ajustes quando há impacto no equilíbrio do contrato. Se as fortes chuvas interromperam o serviço por necessidade técnica e de segurança, o Poder Público pode adotar medidas para recompor a relação econômico-financeira da concessão, inclusive com revisão tarifária, desde que respeitados os critérios legais e contratuais. No regime das concessões, a tarifa não é um número sagrado gravado em pedra. A Lei 8.987/1995, especialmente o art. 9º, admite a revisão para manter o equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Isso conversa diretamente com o art. 37, XXI, da Constituição, que protege esse equilíbrio nos contratos administrativos. Por isso, o gabarito é a letra C: não há impedimento legal, em tese, para o aumento da passagem se ele decorre de mecanismo contratual de revisão destinado a recompor os custos do serviço. Em concurso, sempre vale lembrar: continuidade do serviço público não significa tarifa congelada, e equilíbrio econômico-financeiro não é detalhe, é regra do jogo. As demais alternativas tentam misturar conceitos corretos com conclusões erradas. A banca gosta muito dessa receita: pega uma ideia verdadeira, dá uma torcida no raciocínio e pronto, nasce a pegadinha.

Questão 10

Julgue o item que se segue. Os agentes públicos ocupantes de cargos em comissão são considerados servidores efetivos da Administração Pública, regidos pelas mesmas normas aplicáveis aos servidores públicos concursados.

  • C)Certo
  • E)Errado
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: E

Nem todo mundo que trabalha na Administração vira servidor efetivo. Os cargos em comissão existem justamente para funções de direção, chefia e assessoramento, e têm uma característica bem marcante: são de livre nomeação e exoneração. Ou seja, não entram na lógica do concurso como regra principal. Por isso, quem ocupa cargo em comissão não é considerado servidor efetivo, nem se submete, por isso só, às mesmas regras dos servidores concursados. A Constituição, no art. 37, V, deixa claro que esses cargos são de livre nomeação e exoneração, e que devem ser preenchidos nos casos, condições e percentuais previstos em lei. Na prática, o vínculo do comissionado é diferente do vínculo do servidor efetivo. O efetivo ingressa por concurso e tem estabilidade depois de preenchidos os requisitos legais; o comissionado pode ser dispensado sem a necessidade de processo de desligamento típico do efetivo, porque sua confiança é o elemento central do cargo. Então, o item está errado porque mistura duas categorias que a Constituição separa com cuidado: servidor efetivo e ocupante de cargo em comissão. Em concurso, essa troca de rótulo é uma pegadinha clássica.

Perguntas frequentes

Este quiz de Servidores públicos é gratuito?

Sim. As 10 questões são gratuitas, com gabarito e microaula (explicação) em cada uma.

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Sim. São questões reais de concursos públicos e da OAB, selecionadas do acervo do furafila.

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