Questão 1
A Portaria GM/MS nº 1.823, de 23 de agosto de 2012, que institui a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, pressupondo o princípio da universalidade, dispõe que são sujeitos dessa política todos os trabalhadores, homens e mulheres, independentemente de sua localização, urbana ou rural, de sua forma de inserção no mercado de trabalho, formal ou informal, de seu vínculo empregatício, público ou privado, assalariado, autônomo, avulso, temporário, cooperativado, aprendiz, estagiário, doméstico, aposentado ou desempregado, sendo que a mesma Portaria prioriza os trabalhadores em situação de maior vulnerabilidade de risco. A Portaria GM/MS nº 1.823 prioriza os trabalhadores em situação de maior vulnerabilidade de risco porque:
- A)reforça o princípio da igualdade, preconizado pelo SUS desde a Constituição da República de 1988;
- B)prevê a necessidade de execução das ações em saúde do trabalhador exclusivamente a partir de critérios de riscos;
- C)prevê a necessidade de ações preventivas nos ambientes de trabalho das empresas de maior risco;
- D)aponta para o controle social representativo dos trabalhadores com os casos mais graves;
- E)procura o princípio da equidade, priorizando os mais vulneráveis nas ações do SUS voltadas à saúde dos trabalhadores.
Ver gabarito e explicação
Resposta correta: E
A Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora foi instituída pela Portaria GM/MS nº 1.823/2012 e parte de uma lógica bem importante do SUS: todo mundo tem direito à saúde, mas nem todo mundo chega ao risco do mesmo jeito. Por isso, além da universalidade, a política trabalha com a ideia de equidade. Em português claro: tratar desigualmente os desiguais, na medida das suas desigualdades, para reduzir injustiças. Na prática, isso significa que trabalhadores em maior vulnerabilidade, seja por informalidade, precarização, exposição a agentes nocivos, dificuldade de acesso à rede ou maior risco social, precisam ser priorizados nas ações de vigilância, prevenção, promoção e atenção à saúde. Não é favoritismo; é justiça sanitária. O SUS olha para quem mais precisa, porque se todo mundo recebe exatamente a mesma resposta, quem está em pior condição continua para trás. Esse raciocínio vem da própria Constituição de 1988, que organiza o SUS com base na universalidade, integralidade e equidade. A equidade é o fundamento que explica a priorização dos grupos mais vulneráveis na política de saúde do trabalhador. A Portaria 1.823/2012, ao destacar esse foco, está apenas aplicando esse princípio ao mundo do trabalho. Por isso, a alternativa correta é a letra E. Ela traduz com precisão a lógica da política: priorizar os mais vulneráveis nas ações do SUS voltadas à saúde dos trabalhadores. É a equidade fazendo o serviço pesado, sem pedir holofote.