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Processo Civil: questões comentadas

Fundamentos do CPC/2015, recursos, cumprimento de sentença.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

O Capítulo I do Título 3 do Código de Processo Civil é dedicado às regras de competência que decidem em qual juízo serão processadas as causas cíveis. Marque a alternativa que contém uma dentre essas regras.

  • A)Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele deverá ser demandado onde for encontrado.
  • B)Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles.
  • C)Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil a ação deverá ser proposta em qualquer foro, independente do domicílio do autor.
  • D)A execução fiscal será proposta no foro de domicílio da Pessoa Jurídica de Direito Público.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: B

O Capítulo I do Título III do CPC trata da competência territorial e de algumas regras especiais de fixação do juízo. Em geral, a ideia é simples: o Código define onde a ação deve começar para evitar que cada processo vire um passeio sem destino pelo mapa do Brasil. Na regra geral, a ação é proposta no foro do domicílio do réu. Se ele tiver mais de um domicílio, a lei permite que voce escolha qualquer um deles, exatamente para dar praticidade ao processo. Essa é a lógica da distribuição da competência no CPC: facilitar o acesso à Justiça e dar previsibilidade. Por isso, o gabarito é a letra B. Ela reproduz a regra do art. 46 do CPC: tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles. É uma hipótese expressa de competência territorial prevista no Código. As demais alternativas misturam exceções ou trazem regras diferentes. A questão cobra leitura literal do CPC, então vale guardar a fórmula: múltiplos domicílios do réu? O autor pode escolher qualquer um. Simples, direto e muito cobrado em prova.

Questão 2

Em relação à Ação Civil Pública, assinale a afirmativa correta:

  • A)não poderá ter por objeto a condenação em dinheiro, mas apenas o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.
  • B)não pode ser proposta por empresas privadas.
  • C)é de cinco anos o prazo prescricional para ajuizamento da execução individual de sentença proferida em Ação Civil Pública.
  • D)em caso de desistência infundada ou abandono da ação por associação legitimada, haverá a extinção do processo sem resolução do mérito.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: C

A Ação Civil Pública (ACP) é uma das principais ferramentas de tutela coletiva no Brasil, prevista na Lei 7.347/1985. Ela serve para proteger interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos, e pode buscar tanto obrigação de fazer ou não fazer quanto condenação em dinheiro, então a ideia de que ela seria limitada só a uma dessas formas já cai por terra logo no começo. O art. 3 da LACP é bem direto nesse ponto. Outro ponto importante é a legitimação ativa. A ACP não é exclusiva do Poder Público: além de Ministério Público, Defensoria, União, Estados, Municípios, autarquias, empresas públicas e fundações, também podem propor a ação as associações que preencham os requisitos legais. Então, dizer que empresa privada nunca pode propor ACP é simplificação demais para a vida real do processo coletivo. O gabarito está na alternativa C porque a jurisprudência consolidada trabalha com prazo prescricional de 5 anos para a execução individual de sentença proferida em ação coletiva, por aplicação analógica do Decreto 20.910/1932, especialmente quando se trata de pretensão contra a Fazenda Pública. É o tipo de detalhe que a banca gosta de cobrar: não basta ganhar a coletiva, é preciso observar o prazo para transformar a vitória em resultado prático. Por fim, na ACP proposta por associação, a desistência infundada ou o abandono não levam automaticamente à extinção sem resolução do mérito como regra seca e isolada. A legislação prevê mecanismo de substituição da legitimada para preservar a tutela coletiva, evitando que um capricho processual deixe o direito coletivo órfão.

Questão 3

O CPC (Lei n.º 13.105/05) prevê hipóteses de suspensão e extinção da execução, não havendo confusão entre elas. Nesse aspecto a única alternativa correta é:

  • A)Extingue-se a execução com o indeferimento da inicial.
  • B)quando não for localizado o executado ou bens penhoráveis.
  • C)se a alienação dos bens penhorados não se realizar por falta de licitantes.
  • D)quando concedido o parcelamento.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: A

Na execução, nem tudo é suspensão, nem tudo é extinção: o CPC separa bem os efeitos. A suspensão apenas pausa o processo, como quando o executado não é localizado ou não há bens penhoráveis, hipótese do art. 921, III, do CPC. Já a extinção encerra de vez a execução, como ocorre quando a petição inicial é indeferida, o que leva à aplicação do art. 924, I, combinado com o art. 485, I, do CPC. No caso da alternativa correta, a lógica é simples: se a inicial da execução é indeferida, não há nem mesmo formação válida da relação processual executiva para seguir adiante. Por isso, a execução se extingue, e não fica apenas suspensa. É a clássica diferença entre "parar para depois voltar" e "encerrar o jogo". As outras alternativas misturam situações de suspensão e de atos posteriores da execução. Parcelamento, por exemplo, costuma suspender a exigibilidade/andamento enquanto o devedor cumpre o acordo, e a falta de licitantes em hasta pública não gera extinção automática da execução, mas um problema na expropriação que pode exigir novas providências. Então, o gabarito A está correto porque o indeferimento da inicial é causa de extinção da execução, e essa distinção é exatamente o que o CPC cobra com frequência: suspensão em hipóteses provisórias e extinção quando a execução não pode prosseguir juridicamente.

Questão 4

Uma vez citado da execução de título extrajudicial o executado pode apresentar seus embargos à execução. Quanto a esse instituto marque a alternativa correta:

  • A)Concedido efeito suspensivo não poderá haver penhora.
  • B)Existe a necessidade de autenticação cartorária dos documentos juntados com os embargos à execução.
  • C)Nas execuções por carta, o prazo para embargos será contado da juntada, na carta, da certificação da citação, quando versarem unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, da avaliação ou da alienação dos bens.
  • D)O exequente será intimado para manifestar-se sobre o preenchimento dos pressupostos do caput, e o juiz decidirá o requerimento em 15 (quinze) dias.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: C

Os embargos à execução são a defesa típica do executado contra a execução de título extrajudicial. Pelo CPC, eles não travam a execução automaticamente: em regra, a execução continua andando, salvo se o juiz conceder efeito suspensivo, nos termos do art. 919, §1º. Ou seja, embargos não são um

Questão 5

Com base no que dispõe o Código de Processo Civil, analise os itens abaixo e, em seguida, marque a opção CORRETA. I. No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem simples e com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões. II. É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da perícia. III. Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos podem valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de terceiros ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas, plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento do objeto da perícia. IV. Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, o juiz poderá nomear mais de um perito, e a parte deverá indicar apenas um assistente técnico. Estão CORRETOS os itens:

  • A)I e II, apenas.
  • B)II e III, apenas.
  • C)I, II e III, apenas.
  • D)I, II, III e IV.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: C

Nesta questao, o CPC cobra a parte de prova pericial que mais aparece em concurso: o que o perito pode, o que nao pode e como deve redigir o laudo. A ideia central e simples: a pericia deve ser tecnica, objetiva e inteligivel, sem virar opiniao pessoal disfarcada de ciencia. O item I esta correto porque o art. 473 do CPC exige que o laudo apresente fundamentacao em linguagem simples, com coerencia logica, indicando o metodo utilizado e como o perito chegou as conclusoes. Ou seja: nao basta dizer "da minha experiencia, deu isso". O juiz precisa enxergar o caminho percorrido. O item II tambem esta correto. O mesmo art. 473, em seu §2, veda que o perito ultrapasse os limites da sua designacao e emita opinioes pessoais que excedam o exame tecnico ou cientifico do objeto da pericia. Perito nao e comentarista do processo: ele responde ao que foi perguntado e dentro da sua area. O item III igualmente esta correto, porque o art. 473, §3, permite ao perito e aos assistentes tecnicos valerem-se de todos os meios necessarios para esclarecer o objeto da pericia, inclusive com obtencao de informacoes, documentos e instrucao do laudo com elementos como planilhas, mapas, fotos e desenhos. Ja o item IV esta errado, pois, em pericia complexa, o juiz pode nomear mais de um perito e a parte pode indicar mais de um assistente tecnico, nao apenas um. Por isso, o gabarito e a letra C.

Questão 6

Do Código de Processo Civil, Art. 833. São impenhoráveis:

  • A)Os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução;
  • B)Os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida;
  • C)Os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor;
  • D)Direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de alienação fiduciária em garantia;
  • E)Os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do executado.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: A

O art. 833 do CPC traz um rol de bens e valores que, em regra, não podem ser penhorados. A lógica é simples: o processo de execução serve para satisfazer o credor, mas sem passar por cima de certos bens protegidos por lei, como forma de preservar a dignidade, o mínimo existencial e a própria atividade do devedor. Na questão, o gabarito apontado é a letra A porque ela reproduz a hipótese do inciso I do art. 833: os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução. Em outras palavras, se o bem não pode ser alienado, ele também não deve ser levado à execução, pois nem faria sentido vendê-lo para pagar a dívida. Esse tipo de proteção aparece também em outros incisos do artigo, como móveis da residência, vestuário, ferramentas de trabalho e outros bens de uso essencial. O CPC mistura proteção patrimonial com bom senso prático: não é para transformar a execução em confisco disfarçado. Então, para essa questão, a chave é identificar a redação literal do dispositivo cobrado. A banca apontou a letra A como correta por ser a formulação correspondente ao inciso I do art. 833 do CPC.

Questão 7

Acerca da Fazenda Pública, assinale a alternativa correta.

  • A)Em todo processo administrativo, a Fazenda Pública conta com o prazo mínimo de 30 (trinta) dias para manifestação.
  • B)São imprescritíveis as ações e os direitos previstos em favor da Fazenda Pública.
  • C)A Fazenda Pública dispõe de prerrogativas especiais no processo civil brasileiro.
  • D)Compete à Fazenda Pública promover a privatização de serviços públicos não essenciais, independentemente de autorização legislativa.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: C

A Fazenda Pública possui prerrogativas processuais especiais, como regras próprias de intimação, prazos em certas hipóteses e regime diferenciado de execução.

Questão 8

Com base na Lei nº 12.153/2009, que dispõe sobre os Juizados Especiais da Fazenda Pública no âmbito dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, assinale a alternativa CORRETA.

  • A)É de competência dos Juizados Especiais da Fazenda Pública processar, conciliar e julgar causas cíveis de interesse dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, até o valor de 60 (sessenta) salários mínimos.
  • B)Inclui-se na competência do Juizado Especial da Fazenda Pública as ações de mandado de segurança, de desapropriação, de divisão e demarcação, populares, por improbidade administrativa, execuções fiscais e as demandas sobre direitos ou interesses difusos e coletivos.
  • C)As Turmas Recursais do Sistema dos Juizados Especiais são compostas por desembargadores do Tribunal de Justiça Estadual, com mandato de 3 (três) anos.
  • D)É vedada a designação de Juízes Leigos para atuarem nos Juizados Especiais da Fazenda Pública.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: A

Os Juizados Especiais da Fazenda Pública julgam causas cíveis de interesse dos Estados, Distrito Federal, Territórios e Municípios até sessenta salários mínimos, observadas as exclusões legais.

Questão 9

Considere a seguinte situação hipotética: Ângela, após lograr êxito na ação que movia contra seu Município, ingressou com pedido de cumprimento da sentença, a qual reconhecia a exigibilidade da obrigação de pagamento de quantia certa. Ao ser intimada da decisão, a Procuradoria Municipal decidiu impugnar a execução. De acordo com as disposições do Código de Processo Civil pátrio acerca da impugnação mencionada, a Procuradoria poderá fazê-lo no prazo de:

  • A)10 dias.
  • B)15 dias.
  • C)30 dias.
  • D)45 dias.
  • E)60 dias.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: C

No cumprimento de sentença que reconhece obrigação de pagar quantia pela Fazenda Pública, o ente é intimado para impugnar em trinta dias. Esse é o prazo específico previsto no CPC.

Questão 10

Analise as seguintes assertivas, nos termos do Código de Processo Civil: I. O Ministério Público intervirá, quando não for parte, nas ações de família em que figure como parte vítima de violência doméstica e familiar, ainda que não exista interesse de incapaz. II. Aplica-se o benefício da contagem em dobro quando a lei estabelecer, de forma expressa, prazo próprio para o Ministério Público. III. Incumbe ao autor adiantar as despesas relativas a ato cuja realização o juiz determinar de ofício ou a requerimento do Ministério Público, quando sua intervenção ocorrer como fiscal da ordem jurídica. IV. A requerimento do Ministério Público como fiscal da ordem jurídica, o juiz poderá decidir novamente as questões já decididas relativas à mesma lide, salvo se tratar de relação jurídica de trato continuado em que sobreveio modificação no estado de fato ou de direito. Assinale a alternativa CORRETA:

  • A)Todas as assertivas são falsas.
  • B)As assertivas II e IV são falsas.
  • C)Apenas a assertiva II é verdadeira.
  • D)Todas as assertivas são verdadeiras.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: B

Aqui o tema mistura dois assuntos bem cobrados em CPC: atuação do Ministério Público e regras de despesas e prazo. O ponto principal é que o MP não entra no processo por capricho, mas por hipótese legal. Nas ações de família, ele intervém quando há vítima de violência doméstica e familiar, mesmo sem incapaz, por força do CPC em harmonia com a proteção da Lei Maria da Penha. Já a contagem em dobro do prazo para o MP não é um passe livre universal. O CPC é claro: o benefício existe quando a lei não fixa prazo próprio para o Ministério Público. Se a lei já deu prazo específico, acabou a vantagem. Por isso a assertiva II cai. A assertiva III está correta porque o CPC realmente atribui ao autor o adiantamento das despesas de ato determinado de ofício pelo juiz ou a pedido do MP, quando ele atua como fiscal da ordem jurídica. É uma regra de custeio processual que costuma aparecer em prova com linguagem parecida, então vale atenção. Por fim, a assertiva IV erra feio ao colocar essa ideia como se dependesse de requerimento do MP. A impossibilidade de o juiz decidir novamente questão já decidida é regra geral do CPC, com a exceção das relações de trato continuado quando houver mudança no fato ou no direito. Como a frase tenta amarrar isso à atuação do MP, ela fica incorreta. Assim, o gabarito B está certo porque apenas as assertivas II e IV são falsas.

Perguntas frequentes

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