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Questões de Medicina Veterinária CESPE/CEBRASPE: comentadas e grátis

Pratique questões de Medicina Veterinária da banca CESPE/CEBRASPE, comentadas e de graça, para concursos públicos. Gabarito e explicação em cada questão.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

Zoonoses são doenças transmitidas entre os seres humanos e animais. Assinale a opção que apresenta uma doença com caráter zoonótico de grande importância para saúde pública.

  • A)pneumonia
  • B)podridão de casco
  • C)otite
  • D)tuberculose
  • E)mastite
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Resposta correta: D

Zoonoses são doenças que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos, e isso faz delas um tema clássico de saúde pública. O ponto da questão é identificar uma enfermidade que tenha relevância zoonótica real, isto é, que circule entre espécies e exija vigilância, prevenção e controle sanitário. Em provas, a banca costuma misturar doenças comuns na clínica veterinária com zoonoses de interesse coletivo, para ver se voce reconhece o que realmente preocupa a saúde pública. A tuberculose é o melhor exemplo da lista. Ela pode atingir humanos e diversos animais, especialmente bovinos, sendo tradicionalmente associada ao Mycobacterium bovis, além de envolver o complexo Mycobacterium tuberculosis. Por isso, é uma doença de grande importância sanitária, pois pode ser transmitida entre animais e pessoas, exigindo inspeção, controle de rebanhos e medidas de vigilância epidemiológica. As outras alternativas falam de problemas que podem ser frequentes na veterinária, mas não são zoonoses clássicas de grande interesse em saúde pública. Pneumonia é um termo amplo, podendo ter várias causas, e as demais opções descrevem condições clínicas de animais que não configuram, por si, doenças zoonóticas. Então, o gabarito é a letra D, porque tuberculose é uma zoonose relevante e historicamente importante no controle sanitário. Em prova, quando aparecer a expressão "zoonótico de grande importância para saúde pública", pense logo em doenças com potencial de transmissão entre espécies e impacto coletivo, não apenas em enfermidades do dia a dia da clínica.

Questão 2

A peste suína africana (PSA) é uma das mais graves ameaças à produção de suínos em todo o mundo, sendo especialmente importante para os países que são grandes produtores e exportadores de produtos de origem suína, como o Brasil, onde a doença foi introduzida em 1978 e erradicada em 1981. De acordo com a Instrução Normativa n.º 50/2013 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), eventual suspeita ou diagnóstico laboratorial da PSA no Brasil, no presente, será de notificação

  • A)obrigatória, por qualquer cidadão, ao serviço veterinário oficial brasileiro, no prazo máximo de vinte e quatro horas.
  • B)obrigatória, por profissionais que atuem na área de diagnóstico, ensino ou pesquisa em saúde animal, ao serviço veterinário oficial brasileiro, no prazo máximo de doze horas.
  • C)mensal, por profissionais que atuem na área de diagnóstico em saúde animal, ao serviço veterinário oficial brasileiro.
  • D)mensal, por profissionais que atuem na pesquisa em saúde animal, ao serviço veterinário oficial brasileiro.
  • E)facultativa ao serviço veterinário oficial brasileiro, uma vez que a doença ocorreu anteriormente em território brasileiro.
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Resposta correta: A

A peste suína africana (PSA) é doença de notificação compulsória imediata porque representa risco sanitário grave, com impacto econômico enorme e potencial de rápida disseminação. Na lógica do MAPA, quando existe suspeita clínica ou confirmação laboratorial, não dá para “esperar para ver”: a comunicação precisa ser rápida para acionar vigilância, contenção e investigação epidemiológica. Na Instrução Normativa n.º 50/2013 do MAPA, a PSA aparece na lista de doenças cuja notificação é obrigatória e deve ser feita ao serviço veterinário oficial. O prazo é curto justamente porque, em doenças exóticas ou de alto impacto, cada hora conta. É o famoso caso em que o relógio vira parte do diagnóstico. Por isso, a alternativa A está correta: eventual suspeita ou diagnóstico laboratorial de PSA deve ser notificado obrigatoriamente por qualquer cidadão ao serviço veterinário oficial brasileiro, em até 24 horas. A norma amplia o dever de notificação para que ninguém fique segurando informação sensível em doença de notificação obrigatória. As demais opções erram o prazo, o público obrigado ou tentam transformar a notificação em algo facultativo ou mensal, o que contraria a lógica da vigilância sanitária animal e o próprio regramento do MAPA.

Questão 3

Algumas doenças evoluem de forma aguda e levam os animais a óbito em poucas horas; outras doenças evoluem para a forma crônica. Assinale a opção que apresenta sinal clínico de doença crônica.

  • A)estro intermitente
  • B)cólica intestinal
  • C)agressividade
  • D)febre
  • E)emagrecimento progressivo
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Resposta correta: E

Quando a doença é aguda, o animal costuma piorar rápido: febre, dor, cólica, prostração e até morte em poucas horas ou dias. Já na doença crônica, o quadro vai se arrastando, com sinais que persistem por bastante tempo e tendem a consumir o organismo aos poucos. É aí que aparece a ideia de “perda de condição corporal”, aquela imagem de animal que vai afinando sem explicação rápida e óbvia. O sinal clínico clássico de doença crônica entre as alternativas é o emagrecimento progressivo. Isso acontece porque processos prolongados, como infecções crônicas, neoplasias, parasitoses persistentes ou enfermidades metabólicas, levam a gasto energético contínuo, menor aproveitamento de nutrientes e perda de massa corporal ao longo do tempo. As outras opções combinam mais com alterações agudas, hormonais ou comportamentais. Estro intermitente aponta para alteração reprodutiva, agressividade é sinal inespecífico e febre é muito comum em quadros agudos inflamatórios ou infecciosos. Cólica intestinal também remete mais a episódio agudo, especialmente em grandes animais. Então, pensando no padrão “crônico = lento, progressivo e consumptivo”, o gabarito fica com emagrecimento progressivo. Em prova, sempre desconfie quando a banca coloca um sinal geral ou súbito para fazer você esquecer que doença crônica costuma dar perda de peso e apatia aos poucos.

Questão 4

A tristeza parasitária, uma das doenças a que se deve dispensar grande importância em bovinocultura de leite, ocasiona altos índices de mortalidade quando não tratada. A respeito dessa doença, assinale a opção correta.

  • A)O principal vetor de transmissão dessa patologia é a mosca hematófaga Stomoxys calcitrans.
  • B)Trata-se de uma zoonose que causa grandes problemas de ordem sanitária e, devido aos altos índices de mortalidade e morbidade, acarreta grandes prejuízos econômicos à pecuária bovina.
  • C)Os animais adultos acometidos por essa patologia reagem de maneira mais eficiente e segura ao processo de imunização que os animais mais jovens, os quais costumam apresentar reações mais severas, necessitando de tratamento específico para evitar a morte.
  • D)A doença em questão é causada pela associação dos protozoários Babesia sp. e da riquétsia Anaplasma sp., que parasitam as células vermelhas do sangue.
  • E)A prevenção dessa doença é feita com a aplicação anual da vacina recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS); em casos de surtos positivos no rebanho, é necessário o abate sanitário de todo o rebanho.
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Resposta correta: D

A chamada tristeza parasitária bovina nao e uma unica doenca, mas um conjunto de infeccoes que costuma andar junto no campo: babesiose e anaplasmose. Ela afeta muito o rebanho leiteiro porque provoca anemia, febre, fraqueza, queda na producao e, se nao houver tratamento rapido, pode matar de verdade. O quadro e especialmente importante em areas onde ha presenca de carrapatos, porque eles sao os principais transmissores na pratica. A doenca tambem preocupa por causar prejuizos economicos grandes, mas nao e uma zoonose tipica de prova, entao cuidado com afirmações exageradas. A alternativa correta e a D porque a tristeza parasitaria e causada pela associacao de protozoarios do genero Babesia e do agente Anaplasma, que parasitam as hemacias, levando a destruicao dessas celulas e aos sinais de anemia e ictericia.

Questão 5

Doença que afeta exclusivamente os suínos, a peste suína clássica (PSC) pode ocorrer de forma aguda (com mortalidade muito alta), de formas menos graves (quadros crônicos) ou de formas que afetam negativamente a reprodução dos animais contaminados. Acerca da PSC e de assuntos a ela relacionados, assinale a opção correta.

  • A)Também conhecida como febre suína ou cólera dos porcos, a PSC é causada pela bactéria Flaviviridae e considerada uma enfermidade causadora de grande prejuízo econômico e de alta letalidade nos suínos.
  • B)A PSC é uma zoonose de notificação obrigatória no Brasil, tendo sido erradicada no Brasil na década de 90 do século passado.
  • C)Em animais mais velhos, a taxa de mortalidade da PSC pode chegar a 90%; em animais mais jovens, a enfermidade pode manifestar-se discretamente ou até mesmo ser subclínica.
  • D)Os sinais clínicos da PSC incluem febre alta, leucopenia, petéquias e hemorragia nas mucosas, letargia, ranger de dentes e dificuldade de locomoção.
  • E)Embora o agente etiológico da PSC e o da peste suína africana (PSA) sejam o mesmo — família Flaviviridae, de gênero Pestivirus —, a letalidade da PSA é maior, devido ao seu grande poder de difusão.
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Resposta correta: D

A peste suína clássica (PSC) é uma doença viral exclusiva dos suínos, causada por um vírus da família Flaviviridae, gênero Pestivirus. Ela é importante porque pode aparecer de várias formas: aguda, com febre alta e mortalidade elevada, crônica, ou até reprodutiva, afetando a fertilidade e os leitões. Em prova, a banca gosta de misturar PSC com peste suína africana e com nomes populares antigos, então vale ficar atento aos detalhes, porque o enunciado parece simples, mas cobra precisão cirúrgica. Na PSC, os sinais clínicos clássicos incluem febre alta, leucopenia, apatia/letargia, petéquias e hemorragias em mucosas, além de alterações como dificuldade de locomoção e, em alguns casos, ranger de dentes. Isso acontece porque o vírus causa importante dano vascular e imunossupressão, o que explica o quadro hemorrágico e a alta gravidade em surtos agudos. Em animais jovens, a doença pode ser muito grave; em outros, pode ter apresentação menos exuberante ou até subclínica. Por isso, o gabarito está na alternativa D: ela reúne manifestações clínicas típicas e compatíveis com a PSC. Já as demais alternativas trazem erros de agente etiológico, classificação do vírus, epidemiologia ou confundem PSC com PSA. Em concurso, esse tipo de questão costuma exigir que voce separe o que é "parecido" do que é "igual", e aqui essa diferença muda tudo.

Questão 6

Com relação ao controle da brucelose no Brasil e ao Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT), assinale a opção correta.

  • A)Tanto a brucelose, causada pela Brucella abortus, quanto a tuberculose, causada pelo Mycobacterium bovis, estão erradicadas no Brasil.
  • B)Todo animal que apresente resultado positivo em testes de diagnóstico de brucelose e de tuberculose deve ser colocado em quarentena, respeitando-se os protocolos de tratamento. Nesses casos, é obrigatória a notificação ao órgão competente.
  • C)A estratégia de atuação do PNCEBT baseia-se na classificação das unidades federativas quanto ao grau de risco para essas doenças e quanto à definição e à aplicação de procedimentos de defesa sanitária animal, de acordo com a classificação de risco.
  • D)O tratamento da brucelose é uma prática permitida pelos órgãos sanitários, desde que, após sua confirmação por exame, o médico veterinário responsável informe aos órgãos competentes regionais o antimicrobiano utilizado, bem como as intervenções clínicas adotadas.
  • E)A incidência de tuberculose ovina e caprina no Brasil cresceu nos últimos vinte anos, o que tornou necessária a implantação de medidas específicas para o controle sistemático da doença em pequenos ruminantes.
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Resposta correta: C

O PNCEBT existe para reduzir e, onde for possível, erradicar a brucelose e a tuberculose bovinas e bubalinas no Brasil. O ponto central do programa não é “tratar” o animal doente, porque essas enfermidades são de controle sanitário e o foco é diagnóstico, notificação, saneamento do rebanho e eliminação de positivos, além de medidas de prevenção e vigilância. A lógica do programa é organizar a atuação sanitária conforme o risco epidemiológico de cada unidade federativa. Em outras palavras, o país não é tratado como se todo lugar estivesse no mesmo nível de risco: as ações, exigências e prioridades variam de acordo com a classificação do estado ou região. É exatamente isso que a alternativa C descreve. Outro ponto importante: brucelose e tuberculose não estão erradicadas no Brasil. Elas seguem como doenças de relevância sanitária, com controle oficial pelo MAPA e pelos serviços veterinários estaduais. Por isso, quando aparece questão falando em cura por tratamento, quarentena com tratamento ou erradicação total, desconfie bastante. A base normativa do tema está no PNCEBT instituído pelo MAPA, especialmente pelo Decreto nº 5.741/2006 no contexto do SUASA, e pelas normas específicas do programa, como a Instrução Normativa SDA nº 10/2017, que reforça a vigilância, a certificação e as medidas sanitárias para brucelose e tuberculose. Em prova, a ideia-chave é simples: controle oficial, foco em prevenção e eliminação de fontes de infecção, com estratégia adaptada ao risco.

Questão 7

A toxoplasmose, uma zoonose causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, comum em todo o mundo, é transmissível ao ser humano por meio de

  • A)leite não pasteurizado.
  • B)água contaminada por fezes humanas.
  • C)cereais contaminados por insetos vetores.
  • D)alimentos contaminados por fezes de felinos.
  • E)frutas contaminadas por fezes de insetos infectados.
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Resposta correta: D

A toxoplasmose é uma zoonose causada pelo protozoário Toxoplasma gondii e, na prática, a via clássica de transmissão para humanos é a ingestão de formas infectantes eliminadas por felinos, principalmente oocistos presentes em fezes de gatos. O gato é o hospedeiro definitivo do parasita, então ele funciona como a peça-chave dessa história epidemiológica. Pense nele como o “ponto de partida” da contaminação ambiental, e não como o vilão direto da transmissão cotidiana em si. Depois que o felino elimina os oocistos nas fezes, esses ovos microscópicos podem contaminar solo, água, verduras, frutas e outros alimentos. A pessoa se infecta ao ingerir esses oocistos, ou também ao consumir carne crua ou malcozida com cistos teciduais, mas a questão foi bem direcionada para a via relacionada às fezes de felinos. Em provas, a banca gosta muito de trocar o hospedeiro definitivo por outros animais ou misturar isso com transmissão por alimentos em geral. Por isso, o gabarito é a alternativa D. A expressão “alimentos contaminados por fezes de felinos” resume exatamente a rota clássica de transmissão ambiental da toxoplasmose. Em termos doutrinários de parasitologia veterinária, o ciclo do T. gondii envolve felídeos como hospedeiros definitivos e diversos mamíferos e aves como intermediários, o que explica a facilidade de disseminação no ambiente. Na hora da prova, lembre de uma regra simples: se a questão falar em toxoplasmose e felinos, pense em oocistos nas fezes, contaminação de alimentos/água e risco para o ser humano. É um daqueles temas em que a banca aposta em confundir vetor, hospedeiro definitivo e fonte de infecção.

Questão 8

De acordo com a Instrução Normativa n.º 20/2016 do MAPA, que estabelece o controle e o monitoramento de Salmonella spp., os estabelecimentos avícolas comerciais de frangos e perus de corte devem

  • A)encaminhar anualmente ao serviço veterinário estadual, os diagnósticos positivos para Salmonella enteritidis, Salmonella typhimurium, Salmonella gallinarum e Salmonella pullorum.
  • B)por meio do médico veterinário, que realiza o controle sanitário, priorizar galpões onde haja aves com sinais clínicos, índices zootécnicos abaixo do esperado ou que tenham sido submetidas a estresse, quando da coleta de amostras em núcleos com vários galpões.
  • C)acondicionar as amostras a serem enviadas ao laboratório de forma a manter a umidade e a temperatura entre dez e vinte graus centígrados negativos, aceitando uma variação de um grau centígrado a mais ou a menos.
  • D)aplicar vazio sanitário de quinze dias, previamente ao processo de limpeza e desinfecção, nos casos em que houver detecção de salmonela.
  • E)assegurar que, no momento da coleta de amostras para controle de Salmonella spp., as aves não estejam sob efeito de agentes melhoradores de desempenho presentes nas rações.
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Resposta correta: B

A Instrução Normativa n.º 20/2016 do MAPA criou regras para controle e monitoramento de Salmonella spp. em estabelecimentos avícolas comerciais, justamente para reduzir o risco sanitário na cadeia de frangos e perus de corte. A lógica da norma é simples: coletar, monitorar e agir de forma dirigida, sem chute e sem improviso. Em núcleos com vários galpões, a coleta não deve ser aleatória pura, porque faz mais sentido começar pelos locais com maior chance de detecção do agente. É exatamente aí que a alternativa B acerta. A norma orienta que, por meio do médico veterinário responsável pelo controle sanitário, a coleta priorize galpões com aves que apresentem sinais clínicos, desempenho zootécnico abaixo do esperado ou que tenham sido submetidas a estresse. Isso aumenta a chance de encontrar o problema onde ele tende a aparecer primeiro, o que é bem compatível com um programa de vigilância sanitária. As demais alternativas tentam misturar exigências que não correspondem ao texto normativo ou exageram em detalhes técnicos. Em prova, a banca gosta de colocar um pedaço verdadeiro junto com outro inventado, para testar se voce leu a regra com atenção. Aqui, o foco é o critério de priorização da coleta, não inventar prazos, temperaturas ou condições fora do padrão da IN. Então, guarde a ideia central: em monitoramento de Salmonella, a fiscalização quer amostragem inteligente, com foco nos pontos de maior risco. É por isso que a B é a correta.

Questão 9

Os acidentes ofídicos têm provocado problemas médicos e médico-veterinários significativos no Brasil, em decorrência da grande incidência e da alta toxicidade dos venenos das serpentes encontradas no território nacional. Em relação a esse assunto e aos aspectos pertinentes a ele, assinale a opção correta.

  • A)O diagnóstico de envenenamento ofídico é eminentemente por meio de exames laboratoriais, visto que a apresentação clínico-epidemiológica não possui valor ou pertinência relevante para o imediato diagnóstico.
  • B)O único tratamento eficiente para casos de acidente ofídico botrópico é pelo uso da soroterapia, principalmente, com soro antibotrópico ou antibotrópico-crotálico.
  • C)Diferentemente do que ocorre em humanos, a principal incidência de acidentes ofídicos na medicina veterinária envolve peçonhas do gênero Lachesis e Micrurus.
  • D)Os animais acidentados por peçonhas do gênero botrópico apresentam transtornos de locomoção, fasciculações musculares, flacidez de musculatura, insuficiência respiratória e depressão neurológica grave.
  • E)No Brasil, a grande maioria dos acidentes ofídicos por botrópicos resulta em óbito, sendo 85% dos casos humanos e mais de 96% dos registrados envolvendo animais hospitalizados.
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Resposta correta: B

Nos acidentes ofídicos, o diagnóstico costuma ser clínico-epidemiológico, com base na identificação da serpente, no local do acidente e nas manifestações apresentadas pelo animal. Exames laboratoriais podem ajudar, mas não são a primeira chave do caso, porque o tempo conta muito. Na prática, o veterinário precisa reconhecer o padrão do envenenamento e agir rápido, sem ficar esperando o laboratório fazer drama de suspense. No Brasil, os acidentes botrópicos, causados por serpentes do gênero Bothrops, são os mais frequentes e costumam provocar dor, edema, sangramento, necrose e alterações de coagulação. O tratamento específico é a soroterapia, com soro antibotrópico ou antibotrópico-crotálico, conforme a indicação clínica e a disponibilidade do produto. É isso que torna a alternativa B correta: o soro é o único tratamento realmente eficaz para neutralizar o veneno, embora o atendimento de suporte também seja importante. As demais alternativas erram o alvo ao trocar o quadro clínico típico de cada gênero de serpente ou ao exagerar a gravidade e a mortalidade. Em medicina veterinária, o raciocínio é o mesmo da medicina humana: conhecer a espécie envolvida, entender o efeito do veneno e iniciar o antiveneno o quanto antes. Na prática brasileira, isso segue as orientações do Ministério da Saúde e da veterinária clínica de urgência.

Questão 10

Biossegurança compreende o conjunto de medidas de manejo e físicas destinadas a reduzir o risco de introdução, estabelecimento e disseminação de doenças, infecções ou infestações. A respeito de níveis de biossegurança (NB) e barreiras de contenção biológica, assinale a opção correta.

  • A)A manipulação laboratorial de salmonelas e toxoplasma requer laboratórios com NB-2.
  • B)Barreiras de contenção biológica primárias são soluções físicas presentes em ambientes devidamente previstas em projetos de arquitetura e de instalações prediais.
  • C)Laboratórios com NB-1 apresentam maior nível de biossegurança, enquanto aqueles com NB-4 apresentam menor nível de biossegurança.
  • D)O NB-1 enseja contenção que requer barreiras primárias ou secundárias.
  • E)Vírus como os de Marburg ou o da febre hemorrágica Crimeia-Congo devem ser manipulados em laboratórios com NB-2.
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Resposta correta: A

Biossegurança em laboratório é basicamente a arte de evitar que o microrganismo saia do lugar certo e faça turismo onde nao deve. Os níveis de biossegurança (NB-1 a NB-4) sobem conforme aumentam o risco do agente, a gravidade da doença e a necessidade de contenção. Em termos simples: quanto maior o perigo, mais rigor nas barreiras, no treinamento e no controle do ambiente. No NB-1, lidamos com agentes de baixo risco e as práticas basicas de laboratorio costumam bastar. Já no NB-2, entram agentes com risco moderado, exigindo mais cuidados, como acesso restrito, EPI e, quando necessario, cabines de seguranca biologica. NB-3 e NB-4 ficam para agentes muito mais perigosos, com contenção progressivamente mais rigorosa. A questao acerta ao indicar salmonelas e toxoplasma como agentes que requerem NB-2. Isso porque ambos sao classicamente enquadrados em um nivel de risco que demanda contenção intermediaria, nao o ambiente basico do NB-1 nem os laboratorios de maxima contenção. Essa classificacao bate com a lógica adotada em manuais de biossegurança e referencias tecnicas da area, como as orientacoes da OMS/WHO e do CDC para níveis de biossegurança. Outra ideia importante é a diferença entre barreiras primarias e secundarias. As primarias sao aquelas que protegem diretamente o manipulador e a amostra, como cabines de seguranca biologica, EPI e equipamentos de contenção; as secundarias dizem respeito ao proprio laboratorio, como paredes, portas, ventilação e projeto fisico. Essa distinção costuma cair bastante, entao vale guardar bem.

Perguntas frequentes

Este quiz de Medicina Veterinária CESPE/CEBRASPE é gratuito?

Sim. As 10 questões são gratuitas, com gabarito e microaula (explicação) em cada uma.

As questões de Medicina Veterinária CESPE/CEBRASPE são reais de concurso?

Sim. São questões reais de concursos públicos e da OAB, da banca CESPE/CEBRASPE, selecionadas do acervo do furafila.

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Como funciona a pontuação da Cebraspe?

É líquida: um item errado anula um certo (fator 1:1) e, em alguns certames, são duas erradas para anular uma certa (2:1). Por isso o chute aleatório, na média, reduz a nota.

Quantos itens devo deixar em branco na Cebraspe?

Candidatos aprovados costumam deixar de 10% a 20% dos itens em branco, justamente os que seriam chute puro, para proteger a pontuação líquida.

A Cebraspe cobra decoreba ou entendimento?

Mais entendimento. Ela explora conceitos, exceções e aplicação prática, então estudar só palavra-chave não basta: é preciso saber quando a regra não vale.

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