Questão 1
Paciente do sexo feminino, 28 anos, apresenta episódios recorrentes de vertigem há 6 anos acompanhada de constante desequilíbrio, náusea, vômitos ocasionais e cefaléia hemicraniana a esquerda, pulsátil, de forte intensidade com foto e fonofobia. Tem exames audiológicos e vectoeletronistagmografia normais. Em seu histórico familiar a avó materna e irmã apresentam migrânea. Assinale a alternativa que corresponde a principal hipótese diagnostica e ao tratamento medicamentoso que pode ser realizado:
- A)Neurite vestibular – bloqueadores de canais de cálcio, sumatriptano, antagonistas serotoninérgicos
- B)Neurite vestibular – triptanos, ondasetrona, betabloqueadores, antidepressivos triciclicos
- C)Migrânea vestibular – betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, bloqueadores de canais de cálcio, antagonistas serotoninérgicos, anticonvulsivantes
- D)Migrânea vestibular – corticoides, betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, bloqueadores de canais de cálcio, antagonistas serotoninérgicos
Ver gabarito e explicação
Resposta correta: C
O quadro descrito é muito mais compatível com migrânea vestibular do que com uma vestibulopatia periférica isolada. A pista principal está na associação de vertigem recorrente com cefaleia hemicraniana pulsátil, fotofobia, fonofobia e histórico pessoal/familiar de migrânea. Exames audiológicos normais e vectoeletronistagmografia normal também ajudam a afastar causas como Ménière e neurite vestibular, que costumam ter outro desenho clínico. Na migrânea vestibular, a vertigem pode aparecer com ou sem dor de cabeça no mesmo episódio, e o paciente pode relatar desequilíbrio crônico entre as crises. O diagnóstico é clínico, baseado na história, e não depende de um exame “fechando a conta”. Ou seja, é mais Sherlock Holmes do que raio-x: a soma dos sinais é que manda. O tratamento medicamentoso pode incluir fármacos usados na profilaxia da enxaqueca, como betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, bloqueadores de canais de cálcio, antagonistas serotoninérgicos e anticonvulsivantes. Em crises agudas, podem ser usados sintomáticos, mas o ponto da questão é o tratamento de base da migrânea vestibular. Por isso, a alternativa C está correta: ela identifica a principal hipótese diagnóstica e traz classes de medicamentos adequadas para profilaxia da migrânea vestibular. Já neurite vestibular não explica bem a cefaleia migranosa com fotofobia/fonofobia nem o padrão recorrente ao longo de anos.