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Questões de Historia Mundial FGV: comentadas e grátis

Pratique questões de Historia Mundial da banca FGV, comentadas e de graça, para concursos públicos. Gabarito e explicação em cada questão.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

O Novo Ensino Médio concebe a área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, a partir de uma perspectiva articulada da Filosofia, Geografia, História e Sociologia, considerando o uso de tecnologias. Nesse sentido, é esperado que o estudante desenvolva capacidades de estabelecer diálogos entre indivíduos, grupos sociais e cidadãos em contextos diversos de nacionalidade, saber e cultura. As afirmativas a seguir indicam orientações encarecidas pela formação escolar, à exceção de uma. Assinale-a.

  • A)Aceitação da alteridade.
  • B)Diálogo intercultural.
  • C)Hierarquia de valores sociais.
  • D)Engajamento cooperativo.
  • E)Conduta ética em sociedade.
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Resposta correta: C

A questão trabalha uma ideia central da formação no Novo Ensino Médio: a área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas deve estimular convivência democrática, respeito às diferenças e capacidade de dialogar em contextos culturais diversos. Em outras palavras, a escola não quer formar alguém que apenas decore conteúdos, mas alguém que saiba conviver, ouvir, argumentar e agir com responsabilidade social. Isso aparece muito bem em documentos da educação brasileira, como a LDB e a BNCC, que valorizam cidadania, pensamento crítico, respeito à diversidade e participação social. Também dialoga com a noção de direitos humanos e com a formação ética prevista para a educação básica. Por isso, alternativas como aceitação da alteridade, diálogo intercultural, engajamento cooperativo e conduta ética em sociedade combinam com esse objetivo formativo. Todas apontam para convivência, cooperação e respeito entre sujeitos diferentes, o que é exatamente a lógica esperada. A exceção é a hierarquia de valores sociais, porque essa expressão sugere uma ordenação rígida e desigual entre grupos, valores ou culturas. Isso contraria a proposta de diálogo, pluralidade e reconhecimento do outro como sujeito legítimo. Em vez de aproximar pessoas, a ideia de hierarquia tende a separar e subordinar.

Questão 2

A respeito dos projetos de integração desenvolvidos na segunda metade do século XX, leia as descrições a seguir. I. É um projeto de integração concebido por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai em 1991. No aspecto econômico, assume o caráter de união aduaneira, mas seu fim é constituir um verdadeiro mercado comum, seguindo os objetivos estabelecidos no Tratado de Assunção. II. É um acordo de livre comércio planejado para ser instrumento de integração das economias dos Estados Unidos, Canadá e México. Entrou em vigor em 1994 e ajudou a consolidar o comércio regional no hemisfério norte do continente americano. Os textos I e II caracterizam, respectivamente,

  • A)MERCOSUL e NAFTA.
  • B)BRICS e UNIÃO EUROPEIA.
  • C)UNIÃO EUROPEIA e MERCOSUL.
  • D)NAFTA e ALIANÇA DO PACÍFICO.
  • E)ALIANÇA DO PACÍFICO e BRICS.
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Resposta correta: A

A questão cobra dois processos de integração regional muito conhecidos da segunda metade do século XX. O primeiro texto descreve o MERCOSUL, criado em 1991 pelo Tratado de Assunção por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. Ele começou como união aduaneira e tinha a ambição de avançar para um mercado comum, isto é, facilitar a circulação de bens, serviços, capitais e, em perspectiva, de pessoas entre os membros. O segundo texto aponta para o NAFTA, sigla em inglês para North American Free Trade Agreement, ou Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Ele reuniu Estados Unidos, Canadá e México e entrou em vigor em 1994, com foco na redução de barreiras comerciais e na integração econômica da região. Em outras palavras, era comércio rodando com menos atrito e mais previsibilidade. O gabarito é a letra A porque os dois enunciados correspondem exatamente a esses blocos regionais: I = MERCOSUL e II = NAFTA. A banca gosta de cobrar a lógica dos tratados fundadores e dos objetivos declarados, então vale memorizar o casal clássico: Tratado de Assunção para o MERCOSUL e acordo trilateral norte-americano para o NAFTA. Se você guardar só isso, já derruba boa parte das questões sobre integração regional: quem integra, quando surgiu e qual é o objetivo principal de cada bloco.

Questão 3

No livro O Mundo Muçulmano, Peter Demant afirma que, ao contrário de outras importantes religiões, o surgimento do Islã teve data e local demarcados: começos do século VII, na península Árabe, à margem de duas superpotências do Oriente Médio da época (a Pérsia e o Império Bizantino). A respeito do panorama geopolítico em que se desenvolveu inicialmente a civilização muçulmana, assinale a afirmativa correta.

  • A)O Cristianismo passou a ser uma religião perseguida no Império Bizantino a partir de 380, com o Édito de Tessalônica, o que permitiu seu enraizamento no Oriente Médio.
  • B)O Império Persa era o herdeiro do zoroastrismo antigo, religião que legou ao Islamismo um caráter monoteísta e a figura de um profeta fundador: Zoroastro / Maomé.
  • C)Antes mesmo da fundação do Islã, Medina era um centro comercial e religioso de todos os árabes, alimentado pelas reuniões periódicas de milhares de crentes politeístas.
  • D)No Império Bizantino, a dimensão espiritual e temporal do poder reunia-se no cesaropapismo, fenômeno que influenciou a sobreposição entre política e religião no Islã.
  • E)Maomé entrou em contato com o Judaísmo e o Cristianismo, mas, diferentemente dos monoteísmos tradicionais, estabeleceu o Islamismo como uma religião revelada.
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Resposta correta: D

Para entender o nascimento do Islã, vale olhar o mapa do Oriente Médio no começo do século VII: a península Arábica ficava espremida entre dois gigantes, o Império Bizantino e o Império Persa. Isso ajuda a explicar por que a nova religião surgiu em um ambiente de intensas trocas comerciais, disputas políticas e contato com tradições religiosas já consolidadas. A alternativa correta é a letra D porque o Império Bizantino é um exemplo clássico de cesaropapismo, isto é, a forte união entre poder político e poder religioso na figura do imperador. Em outras palavras: o Estado e a religião andavam bem de mãos dadas, e essa combinação influenciou, em diferentes graus, a forma como o Islã também articulou autoridade espiritual e poder temporal. No Islã, desde Maomé, a liderança religiosa e política aparece muito próxima. O profeta não foi apenas um mensageiro espiritual, mas também chefe político e organizador da comunidade muçulmana em Medina. Por isso, a formação inicial da civilização islâmica já nasce com essa mistura de fé, norma social e governo, o que faz a ideia de influência do cesaropapismo ser a chave da questão. As demais alternativas escorregam em fatos históricos básicos. A FGV gosta disso: troca um termo, inverte uma cronologia, e pronto, a armadilha está armada.

Questão 4

Na historiografia da Revolução Francesa, o fenômeno do Terror é objeto de amplo debate. A esse respeito, leia a caracterização de François Furet. “As circunstâncias que cercam o nascimento do Terror serviram de meio de desenvolvimento à ideologia e às práticas progressivas das instituições terroristas. Tal ideologia, presente na revolução de 1789, é anterior às instituições, e delas possui uma realidade independente, ligada à natureza da cultura revolucionária francesa mediante três itinerários de ideias: o da regeneração do homem, que faz com que a Revolução Francesa se assemelhe a uma anunciação de tipo religioso; a ideia de que a política pode tudo; e a jurisdição ilimitada atribuída à soberania.” FURET, F. “O Terror” in Dicionário Crítico da Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1989, pp. 157-58. Com base no texto, assinale a afirmativa que identifica corretamente a perspectiva revisionista de Furet sobre o Terror.

  • A)O Terror é um mito criado no período termidoriano, para desacreditar o projeto igualitário de Robespierre.
  • B)As medidas extremas do Terror resultam circunstancialmente da ameaça aos ideais revolucionários dos anos de 1793-94.
  • C)O Terror tem raízes econômicas e resulta da pressão que os sans-culottes fazem na Convenção para tabelar o trigo.
  • D)A violência do Terror não é inédita, sendo um traço constitutivo da sociedade desigual do Antigo Regime.
  • E)O Terror é uma ideologia política voltada para impor a fabricação de um novo tipo de homem.
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Resposta correta: E

A leitura de François Furet é típica da virada revisionista na historiografia da Revolução Francesa. Em vez de explicar o Terror só como resposta militar, social ou conjuntural, ele destaca que havia dentro da própria cultura revolucionária uma lógica política e ideológica que abria espaço para a violência em nome da regeneração da sociedade. No trecho, aparecem três ideias centrais: a crença de que a Revolução poderia regenerar o homem, a noção de que a política tinha poder quase ilimitado e a atribuição de soberania sem freios. Em outras palavras, o Terror não surge apenas como acidente de percurso; ele é visto como desdobramento de uma mentalidade revolucionária que queria refazer a sociedade e até o próprio ser humano. É uma revolução que não queria só mudar leis, queria mudar gente. Aí o bicho pega. Por isso, a alternativa E está correta: ela resume exatamente essa leitura de que o Terror é uma ideologia política voltada para impor a fabricação de um novo tipo de homem. Isso combina com a crítica de Furet à ideia de que a violência foi apenas uma reação defensiva. Para ele, existe uma ambição política de transformação total, com forte carga messiânica e disciplinadora. As demais alternativas seguem outras interpretações historiográficas: umas falam em circunstância, outras em fatores sociais ou econômicos, e outras ainda deslocam o foco para o Antigo Regime. Mas o texto de Furet quer justamente mostrar o contrário: o Terror não é um simples efeito colateral, e sim algo enraizado na própria dinâmica ideológica da Revolução.

Questão 5

A respeito do Diretório dos Índios, publicado em 1757 e aplicado em toda a América Portuguesa no ano seguinte, leia as afirmativas a seguir e assinale (V) para a verdadeira e (F) para a falsa. ( ) Manifestava o projeto colonizador de "civilizar" os nativos mediante a educação e o trabalho, alçando-os à condição de súditos de Sua Majestade. ( ) Apoiava a fundação de vilas nos lugares das antigas aldeias missionárias, medida de caráter estratégico, pois visava o povoamento e a defesa das fronteiras. ( ) Modificava a legislação indigenista vigente, estabelecendo que o poder temporal sobre os nativos livres da escravidão seria exercido por diretores seculares. As afirmativas são, de cima para baixo,

  • A)V – V – F.
  • B)V – F – F.
  • C)F – V – V.
  • D)F – V – F.
  • E)V – V – V.
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Resposta correta: E

O Diretório dos Índios foi uma peça central da política pombalina para os povos indígenas na América Portuguesa. Ele tinha um objetivo bem claro: tirar os nativos do controle missionário tradicional e integrá-los ao projeto colonial, com trabalho, língua portuguesa, vida em vilas e submissão direta à Coroa. Em resumo, a ideia era “civilizar” para controlar, o que na prática significava enquadrar os indígenas como vassalos do rei, dentro da lógica do Império português. A primeira afirmativa está correta porque o texto do Diretório defendia justamente a transformação dos indígenas em súditos úteis, por meio da educação, do trabalho e da adoção dos costumes considerados europeus. Não era uma política de proteção desinteressada; era um mecanismo de assimilação e disciplinamento social. A segunda também está certa. O Diretório incentivava a criação de vilas no lugar das antigas aldeias missionárias, o que ajudava a fixar população, organizar o território e reforçar a defesa das fronteiras coloniais. Ou seja: além de “civilizar”, o plano também era bem pragmático, com olho na ocupação do espaço e na segurança da colônia. A terceira afirmativa é verdadeira porque o Diretório alterou a ordem anterior ao retirar dos missionários grande parte do poder sobre os indígenas e entregar a administração temporal a diretores seculares. Na prática, isso marcou a substituição da tutela religiosa por uma gestão mais diretamente subordinada ao Estado colonial. Por isso, o gabarito E está correto: V - V - V.

Questão 6

O nome Rota da Seda é uma convenção historiográfica do século XIX para designar o fluxo comercial ancestral da Eurásia. Na verdade, a Rota da Seda era um conjunto de vias comerciais, ao norte e ao sul, através das estepes, desertos, montanhas e mares, conectando desde a costa chinesa do Pacífico às costas atlânticas da Europa e da África; da Escandinávia ao Oceano Índico. A respeito da história milenar da Rota da Seda, assinale a afirmativa correta.

  • A)No período helenístico, a antiga Rota da Seda permitiu a difusão da cultura greco-romana no Extremo Oriente, nas pegadas do expansionismo mongólico.
  • B)No século XIII, o empreendimento liderado por Marco Polo rendeu à cidade de Veneza o monopólio do comércio da seda, dos entrepostos do Mediterrâneo até os de Cantão.
  • C)No século XV, os dois polos da rota da seda foram bloqueados em função da conquista de Constantinopla pelos turcos otomanos e da China Ming pelo Islã.
  • D)No início da Época Moderna, Vasco da Gama contornou o Cabo das Tormentas, abrindo a primeira via marítima da Rota da Seda na Eurásia.
  • E)Na atualidade, a China pretende conectar, por terra e mar, o Oriente Médio, a Europa, a África e a Ásia, com o projeto da Nova Rota da Seda, cujo lema é “um cinturão, uma rota”.
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Resposta correta: E

A Rota da Seda não era uma estrada única, mas uma rede enorme de caminhos terrestres e marítimos que, por séculos, ligou China, Ásia Central, Oriente Médio, África e Europa. Ela serviu para circular seda, especiarias, metais, ideias, técnicas, religiões e também doenças. Ou seja, não foi só comércio: foi uma verdadeira “internet da Antiguidade e da Idade Média”, com muita troca cultural no pacote. A alternativa correta é a letra E porque ela descreve um projeto contemporâneo da China conhecido como Nova Rota da Seda, ou Belt and Road Initiative, lançado para ampliar conexões por terra e por mar entre Ásia, Europa, África e Oriente Médio. O lema oficial remete justamente a isso: “um cinturão, uma rota”, isto é, um eixo terrestre e uma rota marítima de integração econômica. As demais alternativas misturam épocas e fatos de forma problemática. A Rota da Seda não nasceu do expansionismo mongol, Marco Polo não deu a Veneza monopólio de nada, e a conquista de Constantinopla pelos otomanos não bloqueou simultaneamente um suposto “polo chinês islâmico”. Já Vasco da Gama não abriu a “primeira via marítima da Rota da Seda”; ele inaugurou a rota europeia para as Índias pelo Cabo da Boa Esperança, mudando o comércio mundial, mas não criando a Rota da Seda. Em história mundial, a banca gosta de testar você com uma linha do tempo confusa: pega um fenômeno antigo, mistura com Idade Média, joga uma pitada de Época Moderna e vê se você escorrega. Aqui, o ponto decisivo é reconhecer a atualidade do tema na estratégia chinesa de integração eurasiática.

Questão 7

Relacione os grupos armados de resistência que atuam na geopolítica do Oriente Médio a suas respectivas características. 1. Hezbollah 2. Hamas 3. Organização pela Libertação da Palestina ( ) Organização política e paramilitar fundamentalista islâmica predominantemente xiita. ( ) Movimento islamista predominantemente sunita, de resistência palestino, com braço político e armado. ( ) Organização política e paramilitar islâmica que reconhece o Estado de Israel e advoga o direito à autodeterminação dos palestinos. Assinale a opção que mostra a relação correta, de cima para baixo.

  • A)3, 2 e 1.
  • B)2, 3 e 1.
  • C)1, 2 e 3.
  • D)3, 1 e 2.
  • E)1, 3 e 2.
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Resposta correta: C

No Oriente Medio, esses grupos costumam aparecer em provas como exemplos de movimentos armados com mistura de ação política, resistência e combate. O Hezbollah é ligado ao Líbano e ao xiismo; surgiu como força política e paramilitar, com forte identidade islâmica e apoio iraniano. O Hamas, por sua vez, é palestino e sunita, também com braço político e braço armado, muito associado à Faixa de Gaza. Já a Organização pela Libertação da Palestina, a OLP, é a grande frente histórica do nacionalismo palestino. Ela ficou conhecida por buscar a autodeterminação dos palestinos e, em certos momentos, adotar posição de reconhecimento do Estado de Israel em negociações de paz, especialmente após o processo de Oslo. Em prova, a banca costuma cobrar essa diferença entre os três: Hezbollah, Hamas e OLP não são sinônimos, nem têm a mesma base religiosa ou política. Por isso, a sequência correta é 1, 2 e 3. Primeiro vem o Hezbollah, depois o Hamas e, por fim, a OLP. O gabarito C está certo porque cada descrição do enunciado corresponde exatamente ao grupo indicado nessa ordem. Se você guardar só um atalho mental, pense assim: Hezbollah = xiita/libanês; Hamas = sunita/palestino; OLP = representação histórica da causa palestina, mais ligada à negociação política do que ao perfil religioso.

Questão 8

Leia o trecho da entrevista do escritor manauense Márcio Souza comentando um trecho de seu História da Amazônia (2019): “Um movimento de veículos de toda a sorte, um vaivém contínuo, que parecia mais um grande centro europeu do que uma cidade tropical”, disse um viajante europeu sobre a Belém do fim do século 19. “A mais refinada das civilizações chegou até o rio Negro”, teria afirmado outro, em referência ao Teatro Amazonas, erguido em Manaus. Entre 1870 e 1910, o extrativismo da borracha trouxe prosperidade e europeização para as grandes cidades amazônicas. Algo, obviamente, desfrutado apenas por uma minoria. Por debaixo da opulência, se encontrava “a mais criminosa organização do trabalho que ainda engendrou o mais desaçamado egoísmo”, conforme a descrição de Euclides da Cunha das condições dos seringueiros em ‘À Margem da História’, citado em ‘História da Amazônia’.” (https://www.nexojornal.com.br) Assinale a afirmativa que interpreta corretamente os impactos do desenvolvimento da economia gomífera indicados no texto.

  • A)O auge da borracha atraiu massas de trabalhadores, impactando o sistema rodoviário de Belém e Manaus.
  • B)O sistema de trabalho nos seringais era similar ao das indústrias europeias, com longas jornadas e baixos salários.
  • C)Os seringueiros estavam à margem da história, pois não se beneficiavam com o progresso industrial de Belém e Manaus.
  • D)A exportação do látex amazônico custeou o embelezamento urbano de Manaus, transformada em “Miami brasileira”.
  • E)A prosperidade da borracha permitiu reestruturar em estilo europeu as principais cidades da Amazônia.
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Resposta correta: E

A questão trata do ciclo da borracha na Amazônia, especialmente entre o fim do século XIX e o início do XX, quando a exportação do látex gerou muita riqueza para poucos e transformou as capitais amazônicas em vitrines de modernização. Belém e Manaus passaram por obras urbanas, abertura de avenidas, construção de edifícios e adoção de padrões arquitetônicos inspirados na Europa, como se a elite local quisesse vestir a cidade com roupa de salão europeu. Mas essa beleza tinha um custo social enorme. Enquanto o centro urbano brilhava, o trabalho nos seringais era marcado por exploração, endividamento e isolamento dos trabalhadores. Ou seja, a prosperidade não foi distribuída de forma igual: a modernização ficou concentrada nas áreas urbanas e nas mãos de uma minoria. É exatamente esse contraste que o texto destaca ao opor a opulência das cidades à dureza da vida dos seringueiros. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela capta a ideia central de que a riqueza da borracha permitiu reestruturar as principais cidades amazônicas em estilo europeu, especialmente Manaus, que ficou famosa por obras de embelezamento urbano e símbolos de luxo, como o Teatro Amazonas. Em termos históricos, foi uma modernização urbana financiada pela economia gomífera, mas sustentada por forte desigualdade social. Se voce quiser guardar uma imagem mental, pense assim: o centro da cidade virou cartão-postal, enquanto o seringal continuava bem longe do glamour. A FGV adora esse contraste entre aparência civilizada e base social extremamente dura.

Questão 9

A “política dos governadores” foi um arranjo estabelecido entre o presidente Campos Sales (1898-1902) e os governadores e presidentes estaduais. A respeito dos objetivos da política dos governadores, analise as afirmativas a seguir. I. Superar a crise política que caracterizou os primeiros governos da República, com base no comprometimento presidencial de não intervir em conflitos regionais, em troca da garantia do pleno controle do Executivo sobre o Congresso. II. Minimizar a influência das oposições ao Governo federal, em troca da aliança entre este e as elites dominantes nos estados, estabelecendo um novo equilíbrio entre os poderes estadual e central. III. Estabelecer um pacto federativo que possibilitasse superar a ordem oligárquica e patrimonialista, herança do Segundo Reinado, e inserir o Brasil na ordem política e econômica internacional. Está correto o que se afirma em

  • A)I, apenas.
  • B)I e II, apenas.
  • C)II e III, apenas.
  • D)I e III, apenas.
  • E)I, II e III.
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Resposta correta: B

A política dos governadores foi um acordo montado no governo Campos Sales para dar estabilidade à Primeira República. A lógica era simples: o presidente evitava interferir na política dos estados e, em troca, os governadores ajudavam a sustentar o governo federal no Congresso, principalmente por meio do controle das bancadas estaduais. Era uma espécie de troca de favores institucionalizada, com cheiro forte de oligarquia, mas funcionando como cola do sistema político da época. Na prática, isso fortalecia as elites estaduais e reduzia o espaço das oposições. O governo federal passava a contar com maioria parlamentar, enquanto os governadores garantiam proteção e autonomia local. Esse arranjo também se conectava à chamada política do café com leite e ao coronelismo, que ajudavam a controlar eleições e a fabricar maiorias políticas. Não é uma previsão constitucional formal, mas um mecanismo político da República Velha, construído para estabilizar o regime. Por isso, a afirmativa I está correta: ela descreve bem o pacto de não intervenção federal em troca de apoio no Congresso. A afirmativa II também está correta, porque aponta justamente a redução da força das oposições e a aliança entre o centro e as elites estaduais. Já a III exagera bonito: a política dos governadores não tinha o objetivo de superar a ordem oligárquica, e sim de consolidá-la. Portanto, o gabarito é B, com I e II apenas.

Questão 10

Em 2014, a China ultrapassou os EUA e passou a assumir o posto de maior economia do mundo, representando 16,6% do PIB mundial. Esse crescimento é o fruto de mudanças estruturais implementadas desde a segunda metade do século XX. A respeito do crescimento chinês, assinale a afirmativa que caracteriza corretamente uma de suas etapas.

  • A)O Grande Salto para Frente de Mao (1958-60) aumentou a produtividade agrícola, ao implementar programas de concentração fundiária.
  • B)A Revolução Cultural (1966-76) propôs uma adesão às bases liberais da economia de mercado, para revolucionar a estrutura arcaica de produção na China.
  • C)A modernizações industrial e agrícola de Deng Xiaoping (1978-92) incentivou o intercambio com o mercado internacional, para obtenção de tecnologia e fortalecimento do papel da China.
  • D)O ingresso da China na Organização Mundial do Comércio (2001) foi uma vitória dos setores liberais pró-Ocidente, ligados a Taiwan, no Partido Comunista Chinês.
  • E)No século XXI, sob a liderança de Xi Jinping, o avanço da matriz industrialista liberal comprometeu as conquistas sociais e o projeto de erradicação da pobreza absoluta.
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Resposta correta: C

A trajetória econômica da China no século XX e início do XXI é marcada por fases bem diferentes. No período maoísta, especialmente com o Grande Salto para Frente e a Revolução Cultural, o país apostou em mobilização ideológica, coletivização e ruptura com lógicas de mercado, o que trouxe enormes custos econômicos e sociais. Nada de “modernização liberal” ali: era mais voluntarismo político do que eficiência produtiva. A virada começa com Deng Xiaoping, a partir de 1978. Ele introduziu as chamadas Quatro Modernizações, com foco em agricultura, indústria, defesa e ciência e tecnologia, além de abrir a economia para investimentos, tecnologia estrangeira e maior integração ao comércio mundial. Em outras palavras: a China deixou de olhar o mercado como inimigo e passou a usá-lo como ferramenta. É essa inflexão que explica o salto posterior do país. Por isso, a alternativa correta é a letra C. Ela descreve adequadamente a modernização industrial e agrícola conduzida por Deng Xiaoping, com incentivo ao intercâmbio com o mercado internacional para obtenção de tecnologia e fortalecimento do papel da China. Esse processo se articula com as reformas de abertura e com a inserção progressiva da China na economia global, que mais tarde ajudariam a consolidar sua expansão. As demais alternativas misturam períodos e ideias de forma confusa: algumas atribuem ao maoísmo características de economia de mercado, outras tratam o ingresso na OMC como se fosse vitória de um setor político inexistente nesses termos, e outra projeta em Xi Jinping uma agenda liberal que não combina com sua linha de maior centralização estatal.

Perguntas frequentes

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