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Questões de Direito Ambiental FGV: comentadas e grátis

Pratique questões de Direito Ambiental da banca FGV, comentadas e de graça, para concursos públicos. Gabarito e explicação em cada questão.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

Diante das disposições estabelecidas pela Lei n. 9.605/98 sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, assinale a alternativa correta.

  • A)A desconsideração da pessoa jurídica somente será admitida se a pena restritiva de direitos se revelar inócua para os fins a que se destina.
  • B)A pena restritiva de direitos da pessoa jurídica, no que tange à proibição de contratar com o poder público, terá duração equivalente ao tempo de permanência dos efeitos negativos da conduta delituosa sobre o meio ambiente.
  • C)Constitui inovação da lei de crimes ambientais a excludente de antijuridicidade relativamente ao comércio não autorizado de animais da fauna silvestre voltado exclusivamente à subsistência da entidade familiar.
  • D)Os tipos penais ambientais, em regra, descrevem crimes de perigo abstrato, que se consumam com a própria criação do risco, efetivo ou presumido, independentemente de qualquer resultado danoso.
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Resposta correta: D

A Lei 9.605/98 juntou, num mesmo pacote, regras penais e administrativas para proteger o meio ambiente. Um ponto importante é que muitos crimes ambientais não esperam o dano final acontecer: basta a conduta criar risco proibido para que o tipo se aperfeiçoe. É a lógica dos crimes de perigo, muito comum nessa lei, porque o legislador prefere evitar a catástrofe do que chorar depois dela. Por isso, a alternativa D está correta. Em regra, os tipos penais ambientais são crimes de perigo abstrato, isto é, a consumação ocorre com a própria prática da conduta descrita na lei, sem necessidade de provar resultado lesivo concreto. A doutrina e a jurisprudência admitem amplamente essa técnica legislativa na tutela ambiental, já que o bem jurídico meio ambiente exige prevenção e não só repressão posterior. As demais alternativas tentam trocar o texto legal por uma versão “parece, mas não é”. A desconsideração da pessoa jurídica, por exemplo, não depende de a pena restritiva de direitos ser inócua, e sim de a personalidade jurídica ser obstáculo ao ressarcimento. Já a proibição de contratar com o Poder Público não dura “enquanto persistirem os efeitos negativos”, mas segue o prazo legal. Então, a chave aqui é simples: em crimes ambientais, a banca gosta de cobrar prevenção, risco e leitura literal da Lei 9.605/98. Se você lembrar que o foco é evitar o dano ambiental antes que ele vire manchete, já está bem perto do gabarito.

Questão 2

Relativamente à tutela penal do meio ambiente, assinale a opção correta.

  • A)Não constitui crime o abate de animal quando realizado, entre outras hipóteses, em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família.
  • B)Constitui crime matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar espécimes da fauna silvestre sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente. Tal proibição não alcança, entretanto, os espécimes em rota migratória que não sejam nativos.
  • C)Comprovada a responsabilidade de pessoa jurídica na prática de crime ambiental, ficará automaticamente excluída a responsabilidade das pessoas físicas, autoras, coautoras ou partícipes do mesmo fato.
  • D)Os animais ilegalmente caçados que forem apreendidos deverão ser libertados em seu habitat, não podendo ser entregues a jardins zoológicos ou a entidades similares.
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Resposta correta: A

A tutela penal ambiental aparece na Lei 9.605/1998, que criminaliza condutas contra a fauna, a flora e outros bens ambientais. No tema da fauna, a regra geral é que matar, perseguir, caçar, apanhar ou utilizar animal silvestre sem permissão da autoridade competente configura crime. Mas a própria lei traz exceções legais bem específicas, porque o Direito Penal não gosta de punir quem age em situação extrema. A alternativa correta é a letra A porque o art. 37 da Lei 9.605/1998 prevê que não é crime o abate de animal quando realizado em estado de necessidade, para saciar a fome do agente ou de sua família. É uma hipótese de exclusão da ilicitude prevista expressamente em lei, bem mais estreita do que a ideia genérica de “podia matar porque estava com fome”. Aqui não é licença para qualquer caça: é uma situação limite, de necessidade real. As demais alternativas tropeçam em pontos clássicos de prova. A banca costuma misturar regras sobre fauna silvestre, espécies migratórias, responsabilidade penal da pessoa jurídica e destino de animais apreendidos. É aquele tipo de questão em que ela joga um trecho verdadeiro com uma exceção falsa para ver se você escorrega. Portanto, o segredo é lembrar: no ambiente, o detalhe legal manda mais do que a intuição.

Questão 3

Assinale a opção correta de acordo com as normas constitucionais sobre zoneamento ambiental.

  • A)Os estados podem, por lei complementar, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, com a finalidade de integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. Para isso, precisam da concordância dos municípios envolvidos, os quais devem aprovar leis municipais com o mesmo teor e conteúdo da lei estadual.
  • B)Compete à União elaborar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social.
  • C)As zonas de uso predominantemente industrial destinam-se, preferencialmente, à localização de estabelecimentos industriais cujos resíduos sólidos, líquidos e gasosos, ruídos, vibrações e radiações possam causar danos à saúde, ao bem-estar e à segurança das populações, mesmo depois da aplicação de métodos adequados de combate e tratamento de efluentes.
  • D)É da competência dos estados a promoção, no que couber, do adequado ordenamento territorial mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano.
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Resposta correta: B

Quando a Constituição fala em zoneamento ambiental, ela está pensando em organizar o uso do território com algum critério, para evitar bagunça urbanística, degradação ambiental e conflito entre atividades econômicas. Em outras palavras: não é liberar tudo em qualquer lugar, nem tratar o solo como se fosse um tabuleiro sem regras. O ponto central da questão está no art. 21, IX, da Constituição Federal: compete à União elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social. Isso inclui a lógica do planejamento territorial, que conversa diretamente com o zoneamento ambiental e com políticas de uso sustentável do espaço. Por isso, o gabarito é a letra B. A Constituição atribui à União esse papel de planejamento macro, enquanto estados e municípios também têm competências ambientais e urbanísticas, mas dentro do desenho constitucional próprio. É um tema que a banca gosta de misturar com estatuto da cidade, regiões metropolitanas e ordenação urbana para ver se você troca a competência federal pela estadual ou municipal. Resumo prático: se a questão falar em plano nacional e regional de ordenação do território, pense em União. Se falar em organização local do uso do solo urbano, aí a conversa costuma migrar para competências estaduais e, principalmente, municipais.

Questão 4

Considerando a repartição de competências ambientais estabelecida na Constituição Federal, assinale a alternativa correta.

  • A)Deverá ser editada lei ordinária com as normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios para o exercício da competência comum de defesa do meio ambiente.
  • B)A exigência de apresentação, no processo de licenciamento ambiental, de certidão da Prefeitura Municipal sobre a conformidade do empreendimento com a legislação de uso e ocupação do solo decorre da competência do município para o planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano.
  • C)Legislar sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição é de competência concorrente da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, com fundamento no artigo 24 da Constituição Federal.
  • D)A competência executiva em matéria ambiental não alcança a aplicação de sanções administrativas por infração à legislação de meio ambiente.
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Resposta correta: B

A Constituição distribui as competências ambientais em camadas, como um jogo de encaixe: a União edita normas gerais, os Estados complementam, os Municípios atuam no interesse local e todos podem fiscalizar e proteger o meio ambiente. No tema do licenciamento, isso aparece muito na prática porque o ente licenciador precisa olhar não só a atividade em si, mas também se ela conversa com o ordenamento urbano e com as regras locais. O ponto central da questão está no art. 10 da Lei 6.938/1981 e na lógica constitucional do art. 30, VIII, da CF, que dá ao Município competência para ordenar o uso e ocupação do solo urbano. Por isso, no processo de licenciamento ambiental, é legítima a exigência de certidão da Prefeitura sobre a conformidade do empreendimento com a legislação municipal de uso e ocupação do solo. A ideia é simples: não adianta autorizar ambientalmente algo que bate de frente com o plano diretor ou com as regras urbanísticas locais. A alternativa A erra porque a Constituição, no art. 23, parágrafo único, fala em lei complementar para fixar normas de cooperação entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios, e não em lei ordinária. Já a C erra porque legislar sobre proteção do meio ambiente e controle da poluição é competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal, nos termos do art. 24, VI e VIII, não dos Municípios. E a D também falha: a competência administrativa ambiental inclui, sim, fiscalizar e aplicar sanções, como reconhece a jurisprudência do STF e a sistemática da Lei Complementar 140/2011. Então, quando a questão fala da certidão municipal no licenciamento, está cobrando a ligação entre licenciamento ambiental e planejamento urbano local. É a clássica situação em que o Direito Ambiental e o Direito Urbanístico andam de mãos dadas, sem brigar no corredor.

Questão 5

A Lei 9.985/2001, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, previu que as unidades de conservação devem dispor de uma zona de amortecimento definida no plano de manejo. A esse respeito, assinale a alternativa correta.

  • A)Os parques, como unidades de conservação de uso sustentado, não têm zona de amortecimento.
  • B)As Áreas de Proteção Ambiental – APAs não precisam demarcar sua zona de amortecimento.
  • C)Tanto as unidades de conservação de proteção integral como as de uso sustentado devem elaborar plano de manejo, delimitando suas zonas de amortecimento.
  • D)As Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN são obrigadas a elaborar plano de manejo delimitando suas zonas de amortecimento, por conta própria e orientação técnica particular.
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Resposta correta: B

O SNUC trabalha com uma ideia simples: a unidade de conservação não vive isolada no mapa. Em regra, o entorno também importa, por isso a lei fala em zona de amortecimento, que serve para reduzir impactos das atividades humanas sobre a área protegida. Esse tema aparece no art. 25 da Lei 9.985/2001, que trata da fixação da zona de amortecimento no plano de manejo. Mas atenção: isso não vale do mesmo jeito para todas as categorias. As Unidades de Proteção Integral costumam exigir mais cuidado com proteção do entorno, enquanto as de Uso Sustentável podem ter disciplina diferente, conforme a natureza da área e o próprio regime legal. Aqui mora a pegadinha clássica da FGV: ela gosta de misturar regra geral com exceções e fazer você marcar tudo como se fosse igual. Por isso, a alternativa B está correta. As Áreas de Proteção Ambiental, por sua própria configuração, são unidades de uso sustentável muito amplas e frequentemente já convivem com ocupação humana e regras de ordenamento territorial, de modo que não se exige, como regra geral, a demarcação de zona de amortecimento da mesma forma que em outras categorias. Em outras palavras, a APA já nasceu com vocação para dialogar com o entorno, então a lei não impõe essa exigência automática como faz em outras hipóteses. Em resumo: zona de amortecimento é um instrumento do SNUC, mas não é um carimbo igual para todo mundo. Leia sempre a categoria da unidade antes de generalizar.

Questão 6

O Estudo de Impacto de Vizinhança – EIV é uma espécie do gênero Avaliação de Impacto Ambiental e está disciplinado no Estatuto da Cidade, que estabelece e enumera os instrumentos da política de desenvolvimento urbano, de acordo com seus arts. 4º e 36 a 38. A esse respeito, assinale a alternativa correta.

  • A)As atividades de relevante e significativo impacto ambiental que atingem mais de um Município são precedidas de estudo de impacto de vizinhança.
  • B)O estudo de impacto de vizinhança só pode ser exigido em área rural pelo órgão ambiental municipal.
  • C)A Avaliação de Impacto Ambiental é exigida para analisar o adensamento populacional e a geração de tráfego e demanda por transporte público advindos da edificação de um prédio.
  • D)A elaboração de estudo de impacto de vizinhança não substitui a elaboração de estudo prévio de impacto ambiental, requerida nos termos da legislação ambiental.
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Resposta correta: D

O Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) aparece no Estatuto da Cidade como um instrumento de política urbana, ligado aos arts. 36 a 38 da Lei 10.257/2001. Ele serve para analisar como determinado empreendimento ou atividade pode afetar a qualidade de vida da vizinhança, olhando para pontos como adensamento populacional, tráfego, ventilação, iluminação, paisagem urbana, valorização imobiliária e demanda por serviços públicos. É aquele estudo que pergunta: “se isso aqui subir, a rua aguenta? o bairro respira? o trânsito chora?” A lógica do EIV é urbana e local. Quem define quando ele será exigido é a lei municipal, dentro das hipóteses previstas no plano diretor. Por isso, ele não substitui outros estudos ambientais mais amplos quando a legislação exigir, especialmente o Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA), que tem matriz constitucional no art. 225, §1º, IV, da CF e disciplina na legislação ambiental. É exatamente por isso que o gabarito é a letra D. O art. 38 do Estatuto da Cidade é expresso ao dizer que a elaboração do EIV não substitui a elaboração do EIA, nem o restante da legislação ambiental aplicável. Em outras palavras: o EIV cuida do impacto urbanístico e o EIA cuida do impacto ambiental mais amplo, quando exigido. Um não apaga o outro. Então, fique com a ideia central: EIV é instrumento urbanístico de vizinhança; EIA é instrumento ambiental de maior amplitude. Se a questão tentar misturar os dois como se fossem a mesma coisa, desconfie na hora.

Questão 7

Assinale a alternativa correta quanto ao licenciamento ambiental e ao acesso aos dados e informações existentes nos órgãos e entidades integrantes do Sisnama.

  • A)Caso a área que sofrerá o impacto ambiental seja considerada estratégica para o zoneamento industrial nacional de petróleo e gás e em áreas do pré-sal, o órgão ambiental poderá elaborar estudo prévio de impacto ambiental sigiloso.
  • B)Um cidadão brasileiro pode solicitar informações sobre a qualidade do meio ambiente em um município aos órgãos integrantes do Sisnama, mediante a apresentação de título de eleitor e comprovação de domicílio eleitoral no local.
  • C)A exigência de Estudo Prévio de Impacto Ambiental para aterros sanitários depende de decisão discricionária do órgão ambiental, que avaliará no caso concreto o potencial ofensivo da obra.
  • D)Uma pessoa jurídica com sede na França poderá solicitar, aos órgãos integrantes do Sisnama, mediante requerimento escrito, mesmo sem comprovação de interesse específico, informações sobre resultados de monitoramento e auditoria nos sistemas de controle de poluição e de atividades potencialmente poluidoras das empresas brasileiras.
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Resposta correta: D

A questão mistura dois temas que a FGV adora: licenciamento ambiental e acesso à informação ambiental no Sisnama. No licenciamento, a regra é publicidade e transparência, porque o meio ambiente é de interesse coletivo. Nada de “licença em segredo de Estado” como padrão, já que a Constituição, no art. 225, impõe a divulgação do Estudo Prévio de Impacto Ambiental e do respectivo Rima. Também é importante lembrar que o EIA não nasce da vontade do órgão ambiental nem de uma escolha livre ao sabor do dia. Ele é exigido quando a atividade ou obra for potencialmente causadora de significativa degradação ambiental, conforme a CF/88 e a Resolução CONAMA 01/86. Ou seja: não é um “talvez sim, talvez não” do fiscal mais simpático da repartição. No campo do acesso aos dados, a Lei 10.650/2003 é a estrela da questão. Ela garante a qualquer pessoa, física ou jurídica, o acesso aos documentos, expedientes e processos administrativos ambientais, sem exigir comprovação de interesse específico, por requerimento escrito. Entre as informações acessíveis estão justamente os resultados de monitoramento e auditoria dos sistemas de controle de poluição e de atividades potencialmente poluidoras. Por isso a alternativa D está correta: uma pessoa jurídica estrangeira também pode solicitar essas informações, porque a lei fala em “qualquer pessoa”, sem restringir nacionalidade.

Questão 8

A supressão de vegetação primária e secundária no estágio avançado de regeneração somente poderá ser autorizada em caso de utilidade pública, sendo que a vegetação secundária em estágio médio de regeneração poderá ser suprimida nos casos de utilidade pública e interesse social, em todos os casos devidamente caracterizados e motivados em procedimento administrativo próprio, quando inexistir alternativa técnica e locacional ao empreendimento proposto, conforme o disposto no art. 14 da Lei 11.428/2006, que dispõe sobre a utilização e proteção da vegetação nativa do bioma Mata Atlântica. A esse respeito, assinale a alternativa correta.

  • A)Um advogado de proprietário de terreno urbano afirma ser possível a obtenção de licença ambiental para edificação de condomínio residencial com supressão de Mata Atlântica com base em utilidade pública.
  • B)A licença ambiental de empreendimento de relevante e significativo impacto ambiental localizado em terreno recoberto de Mata Atlântica não pode ser concedida em hipótese alguma.
  • C)Um produtor de pequena propriedade ou posse rural entende que é possível a obtenção de licença ambiental para atividade agroflorestal sustentável, tendo como motivo o interesse social.
  • D)Desde que obtida a autorização de supressão de vegetação de Mata Atlântica, com base na Lei 11.428/2006, não é aplicável a legislação que exige a licença ambiental, de acordo com a CRFB/88, a Lei 6.938/81 e o Decreto 99.274/90.
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Resposta correta: C

A Lei 11.428/2006, que trata da Mata Atlântica, é bem protetiva: a regra é preservar, e a supressão de vegetação só entra como exceção, com justificativa forte e autorização no procedimento administrativo próprio. No caso de vegetação primária ou secundária em estágio avançado, a supressão só é admitida em utilidade pública; já a vegetação secundária em estágio médio pode ser suprimida tanto em utilidade pública quanto em interesse social, sempre sem alternativa técnica e locacional. É exatamente aí que a questão quer te pegar: ela mistura os tipos de vegetação e os motivos autorizadores. O ponto-chave é o art. 14 da Lei 11.428/2006, que conversa com as definições do art. 3 da própria lei. Pequena propriedade ou posse rural tem tratamento favorecido em várias hipóteses ligadas ao uso sustentável, justamente para conciliar proteção ambiental e atividade econômica de menor escala. Por isso, atividade agroflorestal sustentável pode se enquadrar como interesse social, desde que respeitados os demais requisitos legais. Na alternativa C, a ideia está alinhada com a lei: em pequena propriedade ou posse rural, a atividade agroflorestal sustentável pode fundamentar autorização de supressão em razão de interesse social, sem dispensar a análise administrativa e as exigências ambientais aplicáveis. A banca FGV costuma cobrar esse detalhe: não basta decorar que a Mata Atlântica é protegida, você precisa separar utilidade pública, interesse social e as hipóteses específicas da lei. Resumo de prova: para Mata Atlântica, não pense em permissão genérica, pense em exceção bem recortada. Se a hipótese encaixa no interesse social previsto em lei e cumpre os requisitos, a autorização pode existir; se não encaixa, a resposta vira uma porta fechada bem protegida pela legislação.

Questão 9

O inciso VII do §1º do art. 225 da Constituição da República prevê a proteção da fauna e da flora, vedadas as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, enquanto que o §1º do art. 231 do referido texto constitucional estabelece que são terras indígenas as habitadas por eles em caráter permanente e que podem ser utilizadas por esses povos, desde que necessárias ao seu bem-estar e à sua reprodução física e cultural. A esse respeito, assinale a alternativa correta.

  • A)Os indígenas têm o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nas terras ocupadas em caráter permanente por eles e, portanto, podem explorá-las, sem necessidade de licenciamento ambiental.
  • B)Os indígenas podem suprimir vegetação de mata atlântica sem autorização do órgão ambiental competente porque são usufrutuários das terras que habitam.
  • C)A exploração dos recursos florestais em terras indígenas somente poderá ser realizada pelas comunidades indígenas em regime de manejo florestal sustentável, para atender à sua subsistência, respeitado o Código Florestal.
  • D)Os indígenas são proprietários das terras que ocupam em caráter permanente, mas devem explorá-las segundo as normas ambientais estabelecidas na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente e do Código Florestal.
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Resposta correta: C

A questao mistura dois pontos que a FGV adora colocar para confundir: terras indígenas e exploração de recursos naturais. Pela Constituição, as terras tradicionalmente ocupadas pelos indígenas pertencem à União, e aos povos indígenas cabe o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes, nos termos do art. 231, §2º, da CF. Isso significa que eles usam e aproveitam a terra, mas nao sao proprietarios dela. Outro detalhe importante: esse usufruto nao é liberdade total para fazer o que quiser. A exploração de recursos florestais em terras indígenas é disciplinada pela legislação ambiental e deve respeitar a proteção da vegetação nativa e o modelo de manejo sustentável. Ou seja, a ideia central é compatibilizar a proteção ambiental com a subsistência e a reprodução física e cultural dos povos indígenas. Por isso, o gabarito é a letra C. Ela acerta ao dizer que a exploração dos recursos florestais em terras indígenas só pode ocorrer em regime de manejo florestal sustentável, para atender à subsistência, respeitando o Código Florestal. Esse raciocínio conversa com a lógica do art. 231 da CF e com a disciplina do Código Florestal (Lei 12.651/2012), que não afasta a incidência das regras ambientais por haver ocupação indígena. Em resumo: terra indígena nao é terra privada do grupo, mas também nao é terra sem lei. O uso existe, porém dentro de limites constitucionais e ambientais. Na prova, desconfie de alternativas que transformam usufruto em propriedade ou em dispensa de licenciamento e de proteção ambiental.

Questão 10

João adquiriu em maio de 2000 um imóvel em área rural, banhado pelo Rio Formoso. Em 2010, foi citado para responder a uma ação civil pública proposta pelo Município de Belas Veredas, que o responsabiliza civilmente por ter cometido corte raso na mata ciliar da propriedade. João alega que o desmatamento foi cometido pelo antigo proprietário da fazenda, que já praticava o plantio de milho no local. Em razão do exposto, é correto afirmar que

  • A)a responsabilidade por dano ambiental é objetiva, mas, como não há nexo de causalidade entre a ação do novo proprietário e o corte raso na área, verifica-se a excludente de responsabilidade, e João não será obrigado a reparar o dano.
  • B)a responsabilidade civil por dano ambiental difuso prescreve em cinco anos por força da Lei 9.873/99. Logo, João não será obrigado a reparar o dano.
  • C)João será obrigado a recuperar a área, mas, como não poderá mais utilizá-la para o plantio do milho, terá direito a indenização, a ser paga pelo Poder Público, por força do princípio do protetor-recebedor.
  • D)a manutenção de área de mata ciliar é obrigação propter rem; sendo obrigação de conservação, é automaticamente transferida do alienante ao adquirente. Logo, João terá que reparar a área.
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Resposta correta: D

Em Direito Ambiental, a regra é dura com o poluidor e generosa com a natureza: o dever de reparar o dano ambiental costuma acompanhar o imóvel e não a pessoa, como se a obrigação “grudasse” na terra. Por isso, quem compra uma área degradada pode ser cobrado para recuperar a vegetação, mesmo que não tenha sido quem desmatou. Essa lógica aparece com força quando falamos de área de preservação permanente, como mata ciliar, cuja conservação é exigência legal do Código Florestal. A jurisprudência do STJ consolidou que a obrigação de recuperar o passivo ambiental tem natureza propter rem, isto é, vincula o atual proprietário ou possuidor. Em outras palavras: não importa muito quem apertou o botão do trator no passado; se você assumiu o imóvel, assume também o dever de recompor o ambiente degradado. O tema costuma ser cobrado exatamente nessa pegadinha temporal. No caso, João comprou o imóvel já com o desmatamento alegado. Mesmo que ele não tenha realizado o corte raso, isso não afasta o dever de reparar, porque a tutela ambiental busca recompor o bem lesado e proteger um interesse difuso, acima da lógica patrimonial clássica. A responsabilidade ambiental é objetiva, mas aqui o ponto decisivo é outro: a obrigação de fazer a recomposição é transferida ao adquirente por ser obrigação propter rem. Por isso, o gabarito é a letra D. A mata ciliar deve ser recuperada pelo atual titular da área, sem prejuízo de eventual discussão regressiva contra o antigo proprietário, se houver prova e interesse jurídico para isso.

Perguntas frequentes

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