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Questões de Direito Ambiental FCC: comentadas e grátis

Pratique questões de Direito Ambiental da banca FCC, comentadas e de graça, para concursos públicos. Gabarito e explicação em cada questão.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

O proprietário da Fazenda Santa Teresa, cuja área corresponde a três módulos fiscais, foi autuado pelo plantio de soja em área de preservação permanente localizada ao longo de um curso d’água que corta o imóvel rural. Em defesa, alegou e provou que o plantio ocorreu em data anterior a 22 de julho de 2008. A Fazenda não está inscrita no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O auto de infração ambiental foi mantido. O proprietário ajuizou uma ação buscando a anulação do ato administrativo, que deverá ser julgada

  • A)parcialmente procedente para determinar a continuidade da atividade agrícola com a recuperação de uma faixa de quinze metros ao longo do curso d’água.
  • B)extinta, sem resolução de mérito, diante da presunção de veracidade dos atos administrativos.
  • C)parcialmente procedente para manter a continuidade da atividade agrícola, mas sem possibilidade de alternância de cultura.
  • D)procedente por se tratar da continuidade de atividade agrícola em área consolidada.
  • E)improcedente pela impossibilidade de adesão ao Programa de Regularização Ambiental (PRA).
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Resposta correta: A

Aqui a palavra-chave é area rural consolidada. O Código Florestal (Lei 12.651/2012) protege a atividade rural que já existia em 22 de julho de 2008 em APP, permitindo a continuidade do uso, desde que o imóvel faça a regularização ambiental com recomposição da faixa exigida. Ou seja: não é porque havia soja em APP que tudo vira automaticamente proibido para sempre. A lei criou um regime de transição para situações já consolidadas. Para imóvel rural com área entre 2 e 4 módulos fiscais, como é o caso da Fazenda Santa Teresa, a recomposição mínima ao longo de curso d’água é de 15 metros, nos termos do art. 61-A do Código Florestal. Então a atividade agrícola pode continuar na area consolidada, mas deve respeitar essa faixa de recuperação. É exatamente esse o ajuste fino que a FCC adora cobrar: nem libera geral, nem embargo total sem nuance. O fato de a fazenda ainda não estar inscrita no CAR não elimina, por si só, o tratamento jurídico da area consolidada. O CAR é importante para a regularização e para o acesso ao PRA, mas a discussão da continuidade da atividade e da recomposição mínima decorre diretamente da lei. Por isso, a ação deve ser julgada parcialmente procedente para ajustar os efeitos do auto de infração ao regime legal aplicável. Em resumo: o plantio anterior a 22/07/2008 coloca o caso no regime de transição, e a recomposição exigida, para esse tamanho de imóvel, é de 15 metros. A banca quer que você saiba que o Código Florestal não é só 'preservar ou punir', ele também prevê regularização gradual.

Questão 2

Foram submetidos ao licenciamento ambiental conduzido pelo Estado de Goiás cinco empreendimentos com absoluta sinergia entre eles e que serão instalados em áreas limítrofes. Neste cenário, o órgão licenciador

  • A)poderá realizar um único licenciamento, desde que haja a instituição de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) para garantir o cumprimento das obrigações ambientais.
  • B)deverá conduzir um licenciamento para cada empreendimento e, ao final, emitir uma única licença para todos os empreendimentos com a instituição de solidariedade em relação às obrigações ambientais.
  • C)poderá conduzir um único licenciamento considerando o conjunto de empreendimentos.
  • D)está obrigado a abrir um processo de licenciamento para cada empreendimento isoladamente considerado, ainda que haja sinergia entre eles.
  • E)está obrigado a abrir um processo de licenciamento para cada empreendimento, mas deverá considerar a sinergia existente entre eles.
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Resposta correta: C

No licenciamento ambiental, a regra é olhar a realidade do empreendimento, e não só a roupa que ele veste no papel. Se vários projetos funcionam com absoluta sinergia, estão interligados e serão implantados em áreas vizinhas, o órgão ambiental pode tratar o conjunto como um só objeto de análise, desde que isso faça sentido técnico e ambiental. A ideia é evitar um licenciamento picado, que fragmenta artificialmente o impacto e enfraquece a avaliação global. É exatamente isso que o gabarito explora: quando os empreendimentos formam um conjunto integrado, o licenciamento pode ser conduzido de forma única, considerando os impactos cumulativos, sinérgicos e o arranjo total da atividade. Isso combina com a lógica da Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/1981), que exige avaliação adequada dos impactos, e com a prática administrativa do SISNAMA, que trabalha com prevenção e análise técnica do caso concreto. A banca quer que você perceba a diferença entre empreendimentos independentes e empreendimentos que, na prática, funcionam como um bloco único. Se há sinergia absoluta e áreas limítrofes, faz sentido o licenciamento conjunto. O foco não é a quantidade de CNPJs, mas a unidade ambiental do impacto. Por isso, a alternativa C está correta: o órgão licenciador poderá conduzir um único licenciamento considerando o conjunto de empreendimentos. A palavra-chave aqui é "poderá", porque se trata de uma possibilidade técnica-jurídica ligada ao caso concreto, e não de uma obrigação automática para todo e qualquer empreendimento.

Questão 3

Na gestão da fauna silvestre, compete aos estados

  • A)exercer, de forma consorciada, o controle ambiental da pesca em âmbito regional.
  • B)controlar a apanha de espécimes, ovos e larvas destinadas à implantação de criadouros e à pesquisa científica.
  • C)elaborar lista de espécies existentes em cada município para fins comerciais.
  • D)aprovar a liberação de exemplares de espécie exótica em ecossistemas naturais frágeis ou protegidos.
  • E)proteger a fauna migratória.
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Resposta correta: B

Na fauna silvestre, a regra é que a proteção ambiental segue uma lógica de repartição de competências: a União edita normas gerais e os estados podem atuar de forma complementar, especialmente na gestão e fiscalização em seu território. Em matéria de fauna, isso aparece com força na Lei 5.197/1967 e na repartição constitucional de competência para proteger o meio ambiente e a fauna, cada ente dentro do seu espaço de atuação. A banca está cobrando uma atribuição bem específica dos estados: controlar a apanha de espécimes, ovos e larvas destinadas à implantação de criadouros e à pesquisa científica. Ou seja, quando a captura não é para simples exploração livre, mas para finalidades controladas como criadouros e pesquisa, o estado pode exercer esse controle administrativo. Isso faz sentido porque a fauna silvestre não é um “vale tudo”: mesmo quando há finalidade científica ou de manejo, a atividade precisa de autorização e fiscalização. A ideia é evitar captura desordenada, tráfico e impacto sobre espécies nativas. Na prática, o poder público olha com desconfiança para qualquer coleta que pareça pequena demais para ser inocente e grande demais para ser sustentável. Então, o gabarito está correto porque essa é justamente uma competência estadual prevista na disciplina legal da fauna, enquanto as outras alternativas misturam pesca, listas comerciais ou liberação de exóticas, temas que não correspondem à atribuição indicada no enunciado.

Questão 4

Segundo a Lei de Crimes Ambientais, causar dano a Unidades de Conservação

  • A)é conduta punível apenas na modalidade dolosa em razão do princípio da legalidade que demanda expressa previsão de tipificação culposa.
  • B)é punível na modalidade culposa apenas quando afetar espécies ameaçadas de extinção no interior das Unidades de Conservação de Proteção Integral.
  • C)demanda a comprovação de dano direto, vedada a punição por dano meramente indireto.
  • D)abarca a conduta de provocar incêndio em floresta ou mata.
  • E)de modo a afetar espécies ameaçadas de extinção no interior das Unidades de Conservação de Proteção Integral será considerado circunstância agravante.
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Resposta correta: E

A Lei de Crimes Ambientais trata com bastante rigor qualquer lesão a Unidades de Conservação, porque elas existem justamente para proteger espaços especialmente relevantes para o meio ambiente. O ponto central aqui é o artigo 40 da Lei 9.605/1998: causar dano direto ou indireto a Unidades de Conservação e a áreas do entorno, quando assim definido no ato de criação, é crime. Ou seja, não precisa ser um estrago "na cara" do parque, e nem a banca pode inventar uma exigência mais restritiva do que a lei traz. Além da tipificação penal, a própria lei prevê uma circunstância que agrava a pena quando o dano atinge espécies ameaçadas de extinção no interior de Unidade de Conservação de Proteção Integral. Isso está no artigo 40, § 4º, inciso II, que aumenta a reprovação da conduta justamente porque o prejuízo ambiental fica ainda mais grave. Então o enunciado da questão não está falando de um novo crime, mas de uma consequência jurídica mais severa dentro do próprio tipo penal já previsto. Em prova de concurso, vale lembrar dessa lógica: dano em UC já é tratado com rigor, e se houver impacto sobre espécies ameaçadas dentro de proteção integral, a pena sobe de patamar. Resumo de bolso: o crime está no caput do art. 40, e a hipótese ligada a espécies ameaçadas em UC de Proteção Integral funciona como agravante. A FCC adora trocar um detalhe de tipificação por outro de dosimetria para ver se você cai na conversa.

Questão 5

José Bento, que cursou até a terceira série do ensino fundamental, foi denunciado por adentrar, sem autorização, um Refúgio da Vida Silvestre portando um facão. Confessou que sabia da ilegalidade da conduta, mas sua intenção era colher sementes para confecção de artesanato. A ação penal deverá ser julgada

  • A)procedente com circunstância atenuante.
  • B)procedente com aplicação do perdão judicial.
  • C)improcedente pela atipicidade formal do fato.
  • D)improcedente pela ausência de dolo.
  • E)procedente com aplicação da pena dentro do balizamento trazido pelo tipo penal, sem circunstâncias agravantes ou atenuantes.
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Resposta correta: A

A Lei dos Crimes Ambientais não olha só para a conduta em si, mas também para as circunstâncias pessoais do agente na dosimetria da pena. Pela Lei 9.605/98, art. 14, II, o baixo grau de instrução ou escolaridade do agente é circunstância atenuante. Aqui, José Bento cursou apenas até a terceira série do ensino fundamental, então esse dado entra no cálculo da pena como fator de redução. Isso não significa que a conduta deixe de ser punível. Ele admitiu que sabia da ilegalidade e entrou sem autorização em um Refúgio da Vida Silvestre, ou seja, não estamos diante de uma conduta inocente por falta de consciência. O ponto da questão não é absolvição, e sim a consequência penal adequada após a condenação. Por isso, a ação penal deve ser julgada procedente, com aplicação de circunstância atenuante. Em prova da FCC, fique atento: quando o enunciado traz escolaridade muito baixa, a banca costuma testar a incidência do art. 14, II, da Lei 9.605/98. É o clássico detalhe que parece pequeno, mas derruba quem passa correndo pelo texto. Em resumo: houve ilícito penal ambiental, mas a pena deve ser reconhecida com atenuante legal. É o tipo de questão em que a banca quer que você veja o crime, mas também enxergue o pacote completo da dosimetria.

Questão 6

Sobre a política nacional de resíduos sólidos:

  • A)O poder público municipal não pode instituir incentivos econômicos aos consumidores que participam do sistema de coleta seletiva estabelecido pelo plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos, na forma de lei municipal.
  • B)A elaboração e a implementação pelos Estados de planos microrregionais de resíduos sólidos, ou de planos de regiões metropolitanas ou aglomerações urbanas, substituem as prerrogativas a cargo dos Municípios envolvidos previstas pela Lei nº 12.305/2010.
  • C)Para Municípios com menos de 50.000 habitantes, o plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos terá conteúdo simplificado, na forma do regulamento.
  • D)Os fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de pneus e lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, dentre outros, são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa.
  • E)Os acordos setoriais e termos de compromisso firmados em âmbito municipal têm prevalência sobre os firmados em âmbito regional ou estadual, e estes sobre os firmados em âmbito nacional.
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Resposta correta: D

A Política Nacional de Resíduos Sólidos, prevista na Lei nº 12.305/2010, organiza a gestão do lixo com foco em prevenção, redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final adequada. Um dos pontos mais cobrados é a logística reversa, que joga a responsabilidade de volta para a cadeia produtiva quando o produto vira resíduo - a ideia é simples: quem coloca no mercado também ajuda a resolver o fim da linha. No caso da questão, a alternativa correta é a letra D porque a lei prevê, expressamente, que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de determinados produtos são obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa. Entre esses produtos estão pneus e lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, nos termos do art. 33 da Lei nº 12.305/2010. A banca gosta desse rol porque ele parece detalhe, mas é detalhe que cai muito. Outro ponto importante é que os municípios podem, sim, criar incentivos econômicos aos consumidores participantes da coleta seletiva, e os planos estaduais ou microrregionais não eliminam as atribuições municipais. Além disso, o plano municipal de gestão integrada pode ter conteúdo simplificado para municípios com menos de 20 mil habitantes, não 50 mil. Ou seja, a lei cobra leitura atenta, sem pressa e sem chute corajoso demais. Resumo prático: sempre que a questão falar em logística reversa, pense em responsabilização compartilhada e no art. 33; quando falar em planos e competências, confira a hierarquia e os limites que a própria lei estabelece. Aqui, a alternativa D está alinhada exatamente com o texto legal.

Questão 7

Uma comunidade se instalou em área de preservação permanente, fixando moradias em área de encosta na região metropolitana de Salvador. Apesar da existência dessa comunidade por mais de uma década, o poder público não adotou providências concretas diante desta situação. Em razão das modificações climáticas, o volume de chuvas se concentrou em um período reduzido de tempo, causando grandes deslizamentos de terras das encostas, tragicamente ceifando a vida de diversos moradores, além de destruir suas moradias e praticamente todos os pertences pessoais. Em tais circunstâncias,

  • A)o Estado responde pelo risco integral, por expressa disposição legal, não sendo aplicável qualquer excludente para ilidir a responsabilidade do Estado.
  • B)é possível sustentar a responsabilidade objetiva do Estado, embora esteja caracterizada omissão culposa suficiente para fundamentar a responsabilidade pelos danos e a exigência de prestações para assegurar condições mínimas de bem-estar.
  • C)não há como se sustentar a responsabilidade do Estado, uma vez que o excesso de chuvas em um determinado período se enquadra nas hipóteses excludentes de responsabilidade civil, ou seja, o caso fortuito ou a força maior.
  • D)existe a responsabilidade do Estado diante deste trágico evento, mas esta depende necessariamente da prova de sua culpa e se limita à indenização pelos danos sofridos pelas vítimas do deslizamento.
  • E)não há como se sustentar a responsabilidade do Estado, uma vez que se trata de hipótese de culpa exclusiva das próprias vítimas que ocuparam área de preservação permanente.
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Resposta correta: A

Aqui a ideia central é: quando o dano é ambiental, a responsabilidade civil tende a ser objetiva, com base no art. 14, 1º, da Lei 6.938/1981, e a jurisprudência do STJ costuma aplicar a teoria do risco integral. Isso significa que não se exige prova de culpa e, em regra, nem se admitem excludentes clássicas como caso fortuito, força maior ou fato de terceiro para afastar a reparação. No tema ambiental, a lógica é puxada para a proteção máxima do bem jurídico, porque o prejuízo não atinge só uma pessoa, mas a coletividade e o equilíbrio ecológico. No caso narrado, houve ocupação de área de preservação permanente, mas o ponto decisivo da questão é outro: o poder público sabia da situação, ficou inerte por mais de uma década e não adotou providências concretas para prevenir o desastre. Quando o Estado se omite diante de risco conhecido e previsível, especialmente em área de encosta e APP, a omissão deixa de ser neutra e pode gerar dever de indenizar. A jurisprudência do STJ admite a responsabilização estatal nessas hipóteses, inclusive com fundamento na falha no dever de fiscalização e prevenção. Por isso a alternativa A é a correta: em matéria ambiental, a resposta jurídica apontada pela banca é a incidência do risco integral, sem excludentes aptas a afastar a responsabilidade. A tragédia pode ter sido agravada pelas chuvas intensas, mas isso não apaga a omissão prolongada do Estado nem rompe, por si só, o nexo de imputação quando há dever legal de agir e evitar o resultado. Em resumo: no Direito Ambiental, o Estado não pode assistir de camarote e depois invocar o clima como desculpa.

Questão 8

Em um licenciamento de empreendimento classe 03 submetido ao Regime Extraordinário de Licenciamento Ambiental (REL), afora as medidas mitigadoras e compensatórias,

  • A)será devida compensação ambiental, que será cumprida de forma direta (obrigação de fazer).
  • B)será devida compensação ambiental, que será cumprida de forma indireta (obrigação de pagar).
  • C)será devida compensação ambiental, que poderá ser cumprida de forma direta (obrigação de fazer) ou indireta (obrigação de pagar) a critério do órgão ambiental.
  • D)poderá ser devida compensação ambiental a depender do grau de impacto.
  • E)não será devida compensação ambiental diante do baixo impacto.
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Resposta correta: C

No licenciamento ambiental, nem todo empreendimento gera a mesma resposta do poder público. Quando a atividade entra no Regime Extraordinário de Licenciamento Ambiental (REL) e é classificada como classe 03, a regra é que, além das medidas mitigadoras e compensatórias, possa haver compensação ambiental. Em outras palavras: o fato de o procedimento ser mais célere ou especial não “apaga” o dever de compensar os impactos relevantes. O ponto central da questão está na forma de cumprimento dessa compensação. A ideia correta é que ela pode ser feita de modo direto, como obrigação de fazer, ou de modo indireto, como obrigação de pagar, conforme a definição do órgão ambiental competente. Isso é o que torna a alternativa C a certa: ela combina a existência da compensação com a possibilidade de cumprimento por duas vias. Na prática, isso conversa com a lógica clássica do Direito Ambiental: quem causa impacto assume os ônus correspondentes. O licenciamento não serve só para autorizar; ele também condiciona, mitiga e, quando necessário, compensa. Então, se o empreendimento é de classe 03 no REL, não faz sentido dizer que a compensação desaparece, nem que ela só pode ocorrer de uma forma única e engessada. Resumo para prova: o REL não elimina a compensação ambiental, e o órgão ambiental pode definir se ela será cumprida diretamente ou por pagamento. É a cara da FCC: ela gosta de trocar a ideia de possibilidade regulada por absolutismo em alternativa errada.

Questão 9

In dubio pro ambiente ou in dubio pro natura: na dúvida sobre o perigo de uma certa atividade para o ambiente, decide-se a favor do ambiente e contra o potencial poluidor. Tal afirmação, no âmbito do Direito Ambiental, relaciona-se, direta ou indiretamente, ao princípio

  • A)da precaução.
  • B)do resguardo.
  • C)da proteção.
  • D)do risco ambiental.
  • E)da preservação.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: A

A expressão "in dubio pro ambiente" ou "in dubio pro natura" traduz a ideia de que, existindo dúvida relevante sobre o risco de uma atividade ao meio ambiente, a decisão deve pender para a proteção ambiental. Esse raciocínio é típico do princípio da precaução, que atua justamente quando não há certeza científica suficiente, mas há possibilidade de dano grave ou irreversível. Perceba a diferença: prevenção cuida de riscos conhecidos ou previsíveis; precaução entra em cena quando o perigo ainda não está totalmente comprovado, mas o alerta já existe. Em outras palavras, se a ciência ainda não deu um veredito fechado, o Direito Ambiental não espera o desastre acontecer para agir. No plano doutrinário, esse princípio é amplamente associado à Declaração do Rio de 1992 (Princípio 15), que recomenda a adoção de medidas de proteção mesmo na ausência de certeza científica absoluta. A jurisprudência brasileira também costuma usar essa lógica para justificar restrições a atividades potencialmente lesivas ao meio ambiente. Por isso, o gabarito é a letra A. A frase da questão descreve exatamente uma postura de cautela frente à incerteza, favorecendo o ambiente diante de possível perigo, o que é a marca registrada da precaução.

Questão 10

O Estado Delta decretou a desapropriação de terreno de propriedade particular situado à margem de rio navegável, sendo que na escritura do referido terreno não há nenhuma menção à transferência ou concessão dos chamados terrenos reservados, considerados assim aqueles que “banhados pelas correntes navegáveis, fora do alcance das marés, vão até a distância de quinze metros para a parte de terra, contados desde o ponto médio das enchentes ordinárias” (Decreto no 24.643/1934 – Código de Águas). A respeito de tal situação,

  • A)tal parcela do imóvel não será objeto de indenização, visto que o proprietário do imóvel é considerado mero possuidor de tais terrenos, que têm natureza de bens públicos dominicais.
  • B)somente se indenizará tal parcela do imóvel, se comprovado exercício contínuo e incontestado por vinte anos de servidão aparente sobre os terrenos marginais, considerado o imóvel principal dominante, nos termos do Código Civil.
  • C)presume-se que tais terrenos sejam de propriedade privada, dado o caráter acessório em relação ao imóvel principal, portanto, devem ser objeto de indenização.
  • D)tal parcela do imóvel é insuscetível de desapropriação, visto que todos os terrenos reservados são considerados próprios da União.
  • E)embora sejam considerados bens públicos dominicais, tais terrenos são de usufruto exclusivo do proprietário do imóvel principal, motivo pelo qual devem ser objeto de indenização.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: A

A questão trata dos chamados terrenos reservados do Código de Águas (Decreto 24.643/1934), que são as faixas lindeiras a correntes navegáveis, fora do alcance das marés, até 15 metros da linha das enchentes ordinárias. Em prova, a banca gosta de misturar isso com desapropriação para ver se voce separa propriedade privada de área que já nasce com forte restrição legal. O ponto central aqui é que, sem menção expressa na escritura à transferência ou concessão desses terrenos reservados, o particular não prova domínio sobre essa faixa marginal. Nessa linha, a jurisprudência do STJ trata tais áreas, em regra, como bens públicos dominicais, de modo que o ocupante é visto como mero possuidor, e não como proprietário pleno da faixa reservada. Daí vem a consequência prática: se a parcela não integra juridicamente o patrimônio privado do expropriado, ela não entra na indenização da desapropriação. A indenização alcança aquilo que efetivamente era de propriedade particular, não uma área cuja titularidade é pública e que apenas estava sob posse ou ocupação do particular. Por isso o gabarito é a letra A. A banca FCC costuma cobrar exatamente essa distinção: margem de rio navegável, terrenos reservados, ausência de título expresso e, no fim, nada de indenizar o que nunca foi domínio privado verdadeiro.

Perguntas frequentes

Este quiz de Direito Ambiental FCC é gratuito?

Sim. As 10 questões são gratuitas, com gabarito e microaula (explicação) em cada uma.

As questões de Direito Ambiental FCC são reais de concurso?

Sim. São questões reais de concursos públicos e da OAB, da banca FCC, selecionadas do acervo do furafila.

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A FCC cobra mais lei seca ou jurisprudência?

As duas. A base continua sendo a literalidade da lei, mas em cargos de nível alto a banca passou a exigir cada vez mais jurisprudência consolidada, súmulas e informativos do STF e do STJ. O ideal é estudar a lei e somar o entendimento dos tribunais.

Qual é a pegadinha mais comum da FCC?

O comando invertido: a questão pede a alternativa INCORRETA ou usa EXCETO, e o candidato responde no automático a correta. Some a isso os termos absolutos como sempre e nunca, que viram uma frase certa em errada. Ler o enunciado com atenção resolve a maioria.

Como estudar para passar na FCC?

Estude com a lei aberta, resolva muitas provas antigas da própria banca para internalizar o estilo e faça simulados cronometrados. Em concursos de Tribunais e MP, acrescente súmulas e jurisprudência recente do STF e STJ.

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