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Contratos: Direito Civil

Compra e venda, locação, mandato, prestação de serviços.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

Maria celebrou contrato de compra e venda do carro da marca X com Pedro, pagando um sinal de R$ 10.000,00. No dia da entrega do veículo, a garagem de Pedro foi invadida por bandidos, que furtaram o referido carro. A respeito da situação narrada, assinale a alternativa correta.

  • A)Haverá resolução do contrato pela falta superveniente do objeto, sendo restituído o valor já pago por Maria.
  • B)Não haverá resolução do contrato, pois Pedro pode alegar caso fortuito.
  • C)Maria poderá exigir a entrega de outro carro.
  • D)Pedro poderá entregar outro veículo no lugar do automóvel furtado.
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Resposta correta: A

Na compra e venda de coisa certa, a regra é simples: enquanto não houver a tradição, o risco continua com o vendedor. Isso aparece no art. 492 do Código Civil, que deixa claro que a entrega é o marco importante para a transferência dos riscos. Então, se o carro ainda estava na garagem de Pedro e foi furtado antes da entrega, o problema não é de Maria - é uma perda do objeto antes da tradição. Como o bem desapareceu sem que Pedro tenha entregue o veículo prometido, a prestação ficou impossibilitada. Nessa situação, o contrato pode ser resolvido, e o valor já pago deve ser devolvido. Em prova, pense assim: comprador não leva o prejuízo de coisa que ainda nem recebeu. A banca costuma misturar isso com caso fortuito e com a ideia de que "ninguém tem culpa". Mas a ausência de culpa não elimina a consequência contratual quando a coisa certa se perde antes da entrega. Em contratos com objeto determinado, a extinção da prestação gera a resolução e a recomposição patrimonial, especialmente pela restituição do que foi pago. Por isso o gabarito é a letra A: houve perda superveniente do objeto antes da tradição, o contrato se resolve e Maria tem direito à devolução do sinal de R$ 10.000,00. É o clássico exemplo de risco correndo por conta do vendedor até a entrega.

Questão 2

Juliana ajuizou ação declaratória de inexistência de débito cumulada com indenização por danos morais, com pedido de antecipação dos efeitos da tutela para retirada de seu nome dos órgãos de proteção ao crédito, em face de BG Financeira S/A, com quem mantém contrato de empréstimo bancário. A autora instruiu a inicial com os comprovantes de pagamento das prestações que atestam a pontualidade no cumprimento das parcelas do empréstimo. Considerando a hipótese narrada e as regras sobre a antecipação de tutela prevista no Código de Processo Civil, assinale a afirmativa correta.

  • A)O juiz somente poderá conceder a antecipação dos efeitos da tutela após a BG Financeira S/A apresentar sua contestação.
  • B)Tendo sido demonstrados o fumus boni iuris e o periculum in mora, deverá o juiz deferir a antecipação dos efeitos da tutela, in limine, para a retirada do nome de Juliana dos órgãos de restrição ao crédito.
  • C)A concessão dos efeitos da tutela antecipada, uma vez deferida, somente perderá sua eficácia com o trânsito em julgado da sentença.
  • D)O CPC veda expressamente a concessão dos efeitos da tutela antecipada no bojo da sentença que extingue o processo com resolução de mérito.
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Resposta correta: B

A tutela antecipada serve para adiantar, antes da sentença, exatamente o efeito prático que a parte quer obter no final. Ela existe para evitar que o processo chegue tarde demais, porque, em Direito, o relógio às vezes é mais cruel que a própria discussão jurídica. No CPC, a lógica clássica da tutela de urgência exige prova da probabilidade do direito e do perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo; na linguagem antiga, fumus boni iuris e periculum in mora. No caso, Juliana juntou comprovantes de pagamento das parcelas, o que reforça a plausibilidade do seu direito de ver afastada a cobrança e a negativação indevida. Se o nome dela permanecer nos cadastros restritivos, o dano é imediato e pode se agravar a cada dia, justamente o tipo de situação que justifica a medida liminar. Por isso, a alternativa B está correta: presentes os requisitos da tutela de urgência, o juiz deve deferir a antecipação dos efeitos da tutela, em caráter liminar, para retirada do nome dos órgãos de proteção ao crédito. A ideia é impedir que a autora sofra os efeitos de uma cobrança aparentemente indevida enquanto o processo ainda está em andamento. A base legal está, hoje, no art. 300 do CPC de 2015, e a jurisprudência admite esse tipo de providência em hipóteses de negativação indevida quando há prova documental suficiente. Em resumo: direito provável + risco concreto = tutela antecipada possível, e aqui o cenário é bem típico disso.

Questão 3

Vera sofreu acidente doméstico e, sentindo fortes dores nas costas e redução da força dos membros inferiores, procurou atendimento médico-hospitalar. A equipe médica prescreveu uma análise neurológica que, a partir dos exames de imagem, evidenciaram uma lesão na coluna. O plano de saúde, entretanto, negou o procedimento e o material, aduzindo negativa de cobertura, embora a moléstia estivesse prevista em contrato. Vera o(a) procura como advogado(a) a fim de saber se o plano de saúde poderia negar, sob a justificativa de falta de cobertura contratual, algo que os médicos informaram ser essencial para a diagnose correta da extensão da lesão da coluna. Neste caso, à luz da norma consumerista e do entendimento do STJ, assinale a afirmativa correta.

  • A)O contrato de plano de saúde não é regido pelo Código do Consumidor e sim, exclusivamente, pelas normas da Agência Nacional de Saúde, o que impede a interpretação ampliativa, sob pena de comprometer a higidez econômica dos planos de saúde, respaldada no princípio da solidariedade.
  • B)O plano de saúde pode se negar a cobrir o procedimento médico-hospitalar, desde que possibilite o reembolso de material indicado pelos profisisonais de medicina, ainda que imponha limitação de valores e o reembolso se dê de forma parcial.
  • C)O contrato de plano de saúde é regido pelo Código do Consumidor e os planos de saúde apenas podem estabelecer para quais moléstias oferecerão cobertura, não lhes cabendo limitar o tipo de tratamento que será prescrito, incumbência essa que pertence ao profissional da medicina que assiste ao paciente.
  • D)O contrato de plano de saúde é regido pelo Código do Consumidor e, resguardados os direitos básicos do consumidor, os planos de saúde podem estabelecer para quais moléstias e para que tipo de tratamento oferecerão cobertura, de acordo com a categoria de cada nível contratado, sem que isso viole o CDC.
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Resposta correta: C

Nos contratos de plano de saúde, a relação é de consumo, então o Código de Defesa do Consumidor se aplica, junto com a regulação da ANS. Isso significa que as cláusulas contratuais podem ser analisadas com cuidado pelo Judiciário, especialmente quando restringem direitos do paciente de forma excessiva ou surpreendente. O ponto central aqui é simples: o plano pode delimitar quais doenças cobre, mas não pode, em regra, interferir na escolha do tratamento indicado pelo médico assistente quando a doença está coberta. Quem define a conduta clínica é o profissional de saúde, não a operadora. Se o contrato cobre a moléstia, não faz sentido o plano tentar "mandar" na técnica médica usada para diagnosticar ou tratar o problema. O STJ tem entendimento consolidado de que a operadora não pode limitar o tipo de tratamento prescrito para a enfermidade coberta, salvo hipóteses excepcionais compatíveis com a própria legislação e com a natureza do contrato. Em outras palavras, a cobertura pode ser por doença, mas a escolha do procedimento necessário ao diagnóstico e à terapêutica não fica ao gosto do plano. Por isso, a alternativa C está correta: o contrato é regido pelo CDC, e o plano pode definir quais moléstias cobre, mas não pode limitar o tratamento essencial indicado pelo médico para aquela doença. A negativa baseada apenas em "falta de cobertura contratual" para um exame ou material necessário ao diagnóstico, quando a patologia já está coberta, tende a ser considerada abusiva.

Questão 4

A respeito do direito de sobrelevação, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas: I. Caso o proprietário do solo e o superficiário não sejam a mesma pessoa, para que este conceda o direito de laje em segundo grau é indispensável o consentimento do dono do solo. PORQUE II. O contrato deve prever de maneira específica o direito de laje em segundo grau, presumindo-se a vedação no caso de silêncio. A respeito dessas asserções:

  • A)As asserções I e II são proposições falsas.
  • B)A asserção I é uma proposição verdadeira e a II é uma proposição falsa.
  • C)As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
  • D)As asserções I e II são proposições verdadeiras e a II é uma justificativa correta da I.
  • E)A asserção I é uma proposição falsa e a II é uma proposição verdadeira.
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Resposta correta: E

O direito de laje é uma forma de direito real sobre a construção já existente, permitindo que alguém tenha uma unidade autônoma sobre ou sob a construção-base, sem mexer no domínio do solo. Ele foi introduzido no Código Civil pelos arts. 1.510-A e seguintes, com leitura bem restrita, porque direito real não nasce por simpatia nem por suposição: precisa estar previsto de forma clara no título. Na questão, a assertão II está correta porque a laje em segundo grau depende de previsão expressa no contrato. Se o título ficou em silêncio, a regra é não presumir a autorização. Em matéria de direitos reais, especialmente nesse tema, a interpretação é fechada: o que não foi expressamente autorizado, não se presume. Já a assertão I está errada. Se o proprietário do solo e o superficiário não forem a mesma pessoa, não se exige, por esse simples fato, o consentimento do dono do solo para a constituição da laje em segundo grau. A lógica do instituto é preservar a autonomia da laje já constituída, e a disciplina legal não coloca essa exigência como condição automática nessa hipótese. Por isso, o gabarito é a alternativa E: a primeira afirmação é falsa e a segunda é verdadeira. Em prova, a FCC gosta de misturar a ideia de cadeia dominial com consentimento, para ver se você confunde a autonomia da laje com uma dependência total do solo.

Questão 5

Sobre o contrato de seguro, assinale a afirmativa correta.

  • A)As partes não podem convencionar a redução do prêmio no curso do contrato, salvo motivo justificado.
  • B)Não havendo oposição das partes ao final do prazo inicial de vigência, o contrato de seguro prorroga-se automaticamente por tempo indeterminado.
  • C)O segurador que paga a indenização ao segurado não pode acionar diretamente o responsável pelo dano.
  • D)O seguro de dano cobre tanto prejuízos imediatos resultantes do sinistro, quanto prejuízos consequentes.
  • E)É nulo o contrato de seguro de vida relativo a interesse que tenha sido objeto de contratação anterior válida e eficaz.
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Resposta correta: D

No contrato de seguro, a lógica é simples: você paga o prêmio e, em troca, o segurador assume o risco previsto na apólice. O Código Civil disciplina isso nos arts. 757 e seguintes, com regras bem práticas sobre deveres das partes, limites da cobertura e efeitos da indenização. Em prova, a banca costuma misturar conceitos de seguro de dano com seguro de vida, porque eles parecem parentes, mas têm regras diferentes.

Questão 6

Ao completar 18 anos, Ricardo, que foi diagnosticado com transtorno do espectro autista, realizou contrato de compra e venda e vendeu uma propriedade que estava em seu nome. Ao ficar sabendo do ocorrido, sua mãe moveu ação pedindo a anulação do negócio jurídico, sob o argumento de que Ricardo seria relativamente incapaz. Nesse caso,

  • A)o negócio é valido, pois Ricardo é capaz, não tendo mais o diagnóstico de transtorno do espectro autista o condão de reduzir a capacidade legal.
  • B)o negócio é passível de nulidade, pois Ricardo é absolutamente incapaz.
  • C)tem razão a mãe de Ricardo e o negócio é anulável, pois os relativamente incapazes, como no caso, precisam estar assistidos por responsável.
  • D)o negócio é inválido, pois Ricardo precisaria estar sendo representado por responsável.
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Resposta correta: A

Aqui a chave é separar duas ideias que muita gente mistura: deficiência e incapacidade civil. Ter transtorno do espectro autista não significa, por si só, ser incapaz para praticar atos da vida civil. A Lei 12.764/2012, no art. 1º, §2º, deixa claro que a pessoa com TEA é considerada pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, mas isso não gera, automaticamente, restrição da capacidade civil. No Código Civil, a regra geral é simples: aos 18 anos, a pessoa atinge a maioridade e passa a ter capacidade plena, conforme o art. 5º. A incapacidade é exceção, e não regra. Hoje, os absolutamente incapazes são apenas os menores de 16 anos, e os relativamente incapazes estão no art. 4º do Código Civil. TEA não aparece ali como causa automática de incapacidade. Por isso, ao completar 18 anos, Ricardo é capaz para praticar validamente o contrato de compra e venda. Para anular o negócio, a mãe precisaria demonstrar alguma causa concreta de invalidade, como vício de consentimento, coação, ou eventual situação específica que afetasse a manifestação de vontade no caso concreto. O simples diagnóstico de autismo, sozinho, não derruba a validade do negócio. Resumo de prova: deficiência não é sinônimo de incapacidade. A banca quer ver se você cai na armadilha de achar que toda pessoa com TEA precisa ser representada ou assistida em qualquer ato. Não precisa. A regra é capacidade plena na maioridade, salvo hipótese legal específica em sentido contrário.

Questão 7

A sistemática do instituto da responsabilidade civil no ordenamento jurídico pátrio é dividida, com base na culpabilidade do sujeito, em subjetiva e objetiva. Para isso, o próprio CC/2002 e algumas legislações específicas, como o Código do Consumidor, estipulam em seu texto com base na tríade principiológica de Miguel Reale: eticidade, operabilidade e socialidade são os casos de aplicação de cada teoria do instituto. Aos contratos de transporte de passageiros, de forma paga, ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e da sistemática privada,

  • A)cabe ação regressiva e não é elidida por culpa de terceiro.
  • B)é elidida por culpa de terceiro e não cabe a ação regressiva.
  • C)cabe a denunciação da lide é não é elidida por culpa de terceiro.
  • D)é elidida por culpa de terceiro e não cabe às bagagens de passageiros.
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Resposta correta: A

Nos contratos de transporte de passageiros, a responsabilidade do transportador é tratada de forma mais rigorosa do que o regime comum da culpa. O art. 734 do CC/2002 diz que o transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, salvo motivo de força maior, e o art. 735 completa a ideia ao afirmar que essa responsabilidade não é afastada por culpa de terceiro, ficando assegurada a ação regressiva contra o causador do dano. Em português claro: o passageiro não precisa sair caçando o culpado indireto, e o transportador depois acerta as contas com ele.

Questão 8

Pedro comprou um carro usado de seu vizinho, com a intenção de presentear seu filho João, que completara a maioridade civil. Pedro ficou satisfeito com o veículo, inclusive porque verificou que a ele havia sido acoplado um rastreador móvel, o qual seria relevante, na opinião de Pedro, para a segurança de João. Foi celebrado o contrato de compra e venda do automóvel, contudo, ao receber o bem, Pedro verificou que o rastreador fora retirado do veículo. Ao questionar o vendedor sobre a retirada do equipamento, Pedro foi informado de que a aquisição do equipamento não havia sido convencionada. Tendo como referência essa situação hipotética, assinale a opção correta com base no entendimento do STJ.

  • A)O rastreador constitui parte integrante do veículo e deve acompanhá-lo na negociação da venda.
  • B)Por ser o rastreador considerado um bem naturalmente divisível, não se presume a sua inclusão na negociação do veículo.
  • C)O rastreador é um bem acessório e deve acompanhar o veículo, bem principal, independentemente de previsão contratual nesse sentido.
  • D)O rastreador é considerado uma benfeitoria necessária e, por essa razão, presume-se a sua inclusão na negociação do veículo.
  • E)Por ser o rastreador considerado pertença, não se presume a sua inclusão na negociação do veículo.
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Resposta correta: E

Pertenças são bens que, sem integrar o bem principal, destinam-se de modo duradouro ao seu uso, serviço ou aformoseamento. Elas não seguem automaticamente o principal, salvo previsão legal, contratual ou circunstancial.

Questão 9

À luz do Código Civil e do Código de Processo Civil, e considerando a jurisprudência do STJ naquilo a que ela for pertinente, julgue o item que se segue. Segundo o atual entendimento do STJ, aplica-se aos contratos de compromisso de compra e venda a cláusula resolutiva expressa quando o compromissário comprador inadimplente tiver sido notificado/interpelado e houver transcorrido o prazo sem a purgação da mora, hipótese em que o promissário vendedor poderá exercer a faculdade de resolver a relação jurídica extrajudicialmente.

  • C)Certo
  • E)Errado
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Resposta correta: C

A cláusula resolutiva expressa opera de pleno direito, mas, nos compromissos de compra e venda, a jurisprudência exige prévia constituição do compromissário comprador em mora e oportunidade de purgação. Superado o prazo sem pagamento, o promitente vendedor pode exercer o direito potestativo de resolver extrajudicialmente a relação, conforme arts. 474 e 475 do Código Civil e entendimento do STJ.

Questão 10

No contrato de transporte de pessoas, é correto afirmar que

  • A)não se subordina às normas legais o transporte feito sem remuneração, ainda que o transportador venha a auferir vantagens indiretas.
  • B)o transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, exceto se prevista qualquer cláusula excludente da responsabilidade.
  • C)o transportador, em regra, pode recusar passageiros a seu próprio critério, desde que justificadamente.
  • D)a responsabilidade contratual do transportador por acidente com o passageiro não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva.
  • E)o passageiro pode desistir do transporte apenas antes de iniciada a viagem, sendo-lhe devida a restituição do valor.
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Resposta correta: D

No contrato de transporte de pessoas, o transportador assume uma obrigação de resultado: levar o passageiro com segurança até o destino. Por isso, a responsabilidade dele é bem rigorosa, e o Código Civil trata o tema com bastante proteção ao passageiro. Em regra, a cláusula que tenta afastar ou reduzir essa responsabilidade não vale, porque a lei não gosta desse tipo de “desculpa contratual” antecipada. O ponto central aqui está no art. 734 do Código Civil: o transportador responde pelos danos causados às pessoas transportadas e suas bagagens, salvo motivo de força maior. Além disso, a jurisprudência consolidou que a culpa de terceiro não afasta essa responsabilidade perante o passageiro, podendo o transportador depois cobrar regressivamente de quem causou o dano. É a ideia de proteger primeiro a vítima e discutir a conta depois. Por isso, a alternativa D está correta: se ocorre acidente com o passageiro por culpa de terceiro, o transportador continua responsável contratualmente. Depois, ele pode exercer ação regressiva contra o terceiro causador. Isso é exatamente o que a Súmula 187 do STF consagra: a responsabilidade contratual do transportador, pelo acidente com o passageiro, não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva. Em provas, a VUNESP costuma misturar regras do transporte gratuito, cláusulas de exclusão e hipóteses de culpa de terceiro para ver se você cai na armadilha. Aqui, o segredo é lembrar: passageiro tem proteção forte, e o transportador não se livra tão fácil da responsabilidade.

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