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Questões de Conhecimentos Gerais CESPE/CEBRASPE: comentadas e grátis

Pratique questões de Conhecimentos Gerais da banca CESPE/CEBRASPE, comentadas e de graça, para concursos públicos. Gabarito e explicação em cada questão.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

A Festa do Menino Jesus no distrito de Paracatu de Baixo, em Mariana – MG, realizada no mês de outubro, sempre envolveu toda a comunidade durante todo final de semana de sua realização. A comunidade se dividia no arranjo de seus preparativos, desde a limpeza da Igreja de Santo Antônio até os últimos detalhes da banda, das danças, da alimentação. Mas, no ano de 2016, a comunidade teve dificuldades para preparar a novena cristã, devido ao rompimento de uma barragem de rejeitos de mineração, que havia atingido toda a bacia do Rio Doce no ano anterior. Na cidade de Mariana, os distritos atingidos foram Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo. Mas a cultura não se perdeu, e os moradores se reuniram e festejaram o Menino Jesus no local da tragédia. Internet:<issuu.com>(com adaptações). Tendo como referência as ideias do texto anterior, assinale a opção correta.

  • A)A cultura segrega os membros de uma comunidade.
  • B)A cultura é importante em uma comunidade, para que tudo seja idêntico.
  • C)A cultura, em uma comunidade, contribui para que as pessoas aceitem a sua realidade.
  • D)A cultura reforça o sentimento de pertencimento, pois permite manter uma imagem adequada da comunidade.
  • E)A cultura é a expressão da vida em comunidade e, por meio dela, problemas, alegrias e esperanças tornam-se coletivos.
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Resposta correta: E

O texto mostra uma comunidade que, mesmo atingida por uma tragédia, continua se reunindo para celebrar sua festa religiosa. Isso ajuda a entender uma ideia central de cultura: ela não é enfeite nem coisa “separada” da vida real, mas parte do jeito de viver em grupo, organizar memórias, rituais, valores e esperanças. Em outras palavras, cultura é o que dá sentido coletivo à experiência das pessoas. Na situação narrada, a festa do Menino Jesus não é só um evento religioso. Ela reúne moradores, organiza tarefas, preserva tradições e fortalece vínculos. Quando a comunidade se junta para celebrar no local da tragédia, a cultura funciona como forma de resistência e reconstrução simbólica da vida social. É por isso que a alternativa correta é a letra E: a cultura é expressão da vida em comunidade e, por meio dela, problemas, alegrias e esperanças deixam de ser apenas individuais e passam a ser compartilhados. Isso é bem coerente com a visão sociocultural clássica, segundo a qual a cultura integra e organiza a experiência coletiva, em vez de isolar as pessoas. As demais alternativas tentam distorcer a ideia de cultura: ela não segrega, não exige que tudo seja idêntico e não serve para fazer a comunidade “aceitar passivamente” a realidade. No texto, acontece o oposto: a cultura ajuda a comunidade a permanecer unida, atribuindo sentido ao que foi vivido.

Questão 2

Coleta seletiva é a coleta diferenciada de resíduos que foram previamente separados segundo a sua constituição ou composição. Assim, resíduos com características similares são selecionados pelo gerador (que pode ser o cidadão, uma empresa ou outra instituição) e disponibilizados para a coleta separadamente. Internet:<mma.gov.br>(com adaptações). O objetivo da coleta seletiva é

  • A)permitir o reaproveitamento dos rejeitos e resíduos de limpeza.
  • B)permitir o reaproveitamento dos resíduos específicos, como pilhas e lâmpadas.
  • C)beneficiar a indústria pela reutilização dos resíduos.
  • D)gerar lucros para o governo e as empresas privadas.
  • E)permitir a reciclagem dos resíduos secos e orgânicos.
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Resposta correta: E

A coleta seletiva é o primeiro passo para dar o destino certo ao lixo, separando os resíduos conforme sua composição antes da coleta. Isso evita que materiais recicláveis sejam misturados com rejeitos e contaminados, o que dificulta ou até impede sua reutilização. Em termos práticos, você separa hoje para aproveitar depois: papel, plástico, metal e vidro podem seguir para reciclagem, enquanto a fração orgânica pode seguir para compostagem ou outro tratamento adequado. A lógica da questão está justamente aí: a coleta seletiva não existe para “juntar tudo” nem para gerar lucro, mas para viabilizar o aproveitamento ambientalmente correto dos resíduos. No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, Lei nº 12.305/2010, prioriza a não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos, além da disposição final adequada dos rejeitos. A ideia central é simples: separar bem para tratar melhor. Por isso, o gabarito é a letra E. Embora a redação da alternativa use “reciclagem dos resíduos secos e orgânicos”, ela aponta para a destinação correta dos resíduos separados na coleta seletiva, especialmente os recicláveis e a fração orgânica, que pode ser encaminhada para tratamento específico. Em prova, a banca costuma cobrar essa noção ampla de reciclagem e aproveitamento dos resíduos, ligada à separação prévia. Pense assim: coleta seletiva é a etapa do “não misture tudo no mesmo saco”. Se você separa corretamente, aumenta a chance de reciclagem, compostagem e redução do impacto ambiental.

Questão 3

Acerca dos debates concernentes à reforma política, julgue os itens seguintes. I O instrumento da reeleição foi instituído no primeiro governo do presidente Lula, e figura como tema recorrente das demandas dos partidos políticos. II A agenda da reforma política, por envolver mudança constitucional, vem sendo negligenciada nos debates do Congresso Nacional desde 1988. III A institucionalidade do multipartidarismo fez com que a preocupação por parte do presidente da República com a governabilidade fosse recorrente em todos os governos pós1988. IV Houve crescimento da judicialização da política, mediante o deslocamento do eixo decisório do Parlamento para o Judiciário. Estão certos apenas os itens

  • A)I e II.
  • B)I e III.
  • C)I e IV.
  • D)III e IV.
  • E)II, III e IV.
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Resposta correta: D

A questão mistura pontos clássicos da política brasileira pós-1988: sistema multipartidário, governabilidade, reforma política e judicialização. Em prova, vale lembrar que o multipartidarismo no Brasil aumentou a necessidade de coalizões, o que deixou a governabilidade no centro da agenda de praticamente todos os presidentes. Isso explica por que a formação de base no Congresso virou quase um esporte olímpico da Presidência. O item III está certo porque, desde a Constituição de 1988, nenhum governo conseguiu governar sem negociar com vários partidos. Em um sistema com muitos partidos e representação fragmentada, o presidente depende de alianças para aprovar leis, emendas e medidas provisórias. É a lógica da chamada presidencialismo de coalizão, muito trabalhada pela doutrina política brasileira. O item IV também está certo: houve aumento da judicialização da política, com questões antes resolvidas no Parlamento passando com mais frequência ao Judiciário, especialmente ao STF. Isso ocorre quando conflitos políticos relevantes são levados às cortes para decisão, seja por omissão legislativa, seja por disputa entre poderes. A literatura sobre judicialização no Brasil é bem consolidada nesse ponto. Já os itens I e II estão errados. A reeleição não foi criada no governo Lula, mas na década de 1990, e a reforma política não foi simplesmente negligenciada desde 1988, porque ela voltou ao debate várias vezes no Congresso, ainda que sem consenso suficiente para mudanças amplas.

Questão 4

Desde o final do sistema de Bretton Woods, o dólar estadunidense passou a ser a moeda de referência global. Com o intuito de alterar esse cenário, o governo chinês vem adotando medidas para aumentar a relevância do Renminbi nas transações financeiras internacionais. Para que a moeda chinesa possa competir com o dólar estadunidense como moeda de referência internacional, a economia chinesa precisa

  • A)reduzir as desigualdades sociais.
  • B)majorar o volume de suas exportações.
  • C)elevar a participação no comércio global.
  • D)aumentar as reservas internacionais.
  • E)apresentar subsequentes déficits em transações correntes.
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Resposta correta: E

Para uma moeda virar referência internacional, ela precisa ser desejada fora do país de origem para comércio, reservas e contratos financeiros. Isso não acontece por magia, nem só por tamanho da economia: é preciso que o mundo encontre essa moeda com facilidade e confie nela para guardar valor e pagar dívidas. Em geral, isso exige que o país emissor forneça liquidez ao resto do planeta. Aqui entra a lógica clássica das moedas de reserva: o país que emite a moeda central tende a aceitar déficits em transações correntes, porque isso significa que ele está exportando sua moeda para o exterior. Em termos simples, o resto do mundo recebe a moeda, acumula ativos denominados nela e passa a usá-la como referência. É por isso que os EUA, por muito tempo, puderam sustentar o dólar como moeda dominante. No caso da China, se ela quiser que o Renminbi concorra com o dólar, precisa permitir que sua moeda circule amplamente no sistema internacional. A alternativa que aponta essa condição é a de manter déficits sucessivos em transações correntes, pois isso ajuda a colocar a moeda chinesa nas mãos do resto do mundo e aumenta sua função internacional. Então, a chave da questão é: moeda de referência global não nasce de superávit externo permanente, mas de ampla disponibilidade internacional da moeda, o que costuma estar associado a déficits em transações correntes do país emissor.

Questão 5

No que se refere à rede de transportes no Brasil, julgue o item que se segue. A duplicação dos principais eixos rodoviários, a restruturação do modelo de investimento e de exploração das ferrovias e a expansão e o aumento da capacidade da malha ferroviária são considerados condições para o desenvolvimento das regiões brasileiras no que diz respeito às redes de transporte.

  • C)Certo
  • E)Errado
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Resposta correta: C

A rede de transportes pesa muito no desenvolvimento regional porque ela encurta distâncias, reduz custos e integra mercados. Quando a logística funciona bem, a produção circula melhor, o acesso a serviços melhora e as regiões ficam mais competitivas. Quando ela funciona mal, o frete encarece, o tempo aumenta e a economia sente o golpe. No Brasil, a matriz de transportes ainda é muito dependente das rodovias, então duplicar e qualificar os principais eixos rodoviários ajuda a dar vazão ao fluxo de cargas e passageiros. Isso não resolve tudo, mas melhora a capacidade de escoamento e a segurança viária, o que já é um avanço importante para a dinâmica econômica das regiões. As ferrovias, por sua vez, são fundamentais para transporte de grandes volumes em longas distâncias. Por isso, reestruturar o modelo de investimento e exploração e expandir a malha ferroviária são medidas coerentes com a ideia de desenvolvimento regional, porque ampliam a integração territorial e reduzem gargalos logísticos. Em termos de política pública, isso conversa com a lógica da integração nacional e da redução das desigualdades regionais, prevista na Constituição. Então o item está correto: as medidas citadas são, sim, condições relevantes para impulsionar o desenvolvimento das regiões brasileiras no que diz respeito às redes de transporte. Em prova, sempre pense assim: infraestrutura de transporte não é só estrada e trilho, é também custo menor, circulação maior e economia mais viva.

Questão 6

A Internet das Coisas promete uma revolução na indústria, em diversos aspectos. Essa tecnologia

  • A)traz avanços, porém gera um aumento do retrabalho, pela imprevisibilidade dos problemas na linha de produção.
  • B)busca interligar sites para uma navegação mais rápida em comércio eletrônico.
  • C)tem como limitação a impossibilidade de utilização de identificação por radiofrequência.
  • D)enseja maior participação da mão de obra humana nos processos produtivos.
  • E)permite uma rápida adaptação da produção, para que esta esteja em compasso com o mercado.
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Resposta correta: E

A Internet das Coisas (IoT) é a ideia de conectar objetos, máquinas e sensores à internet para que eles coletem dados, se comuniquem entre si e ajudem a tomar decisões mais rápidas. Na indústria, isso muda o jogo porque a fábrica passa a “enxergar” o que está acontecendo em tempo real: estoque, falhas, temperatura, consumo de energia e ritmo de produção. É justamente por isso que a IoT ajuda a produção a se adaptar rapidamente ao mercado. Se a demanda sobe, o sistema pode ajustar processos com mais agilidade; se há risco de falha em uma máquina, a manutenção pode ser preventiva; se o estoque cai, o reabastecimento pode ser programado antes do problema aparecer. Menos improviso, menos atraso e mais eficiência. Por isso o gabarito é a letra E. A promessa central da IoT na indústria é aumentar a automação e a integração dos processos, permitindo resposta rápida às mudanças do ambiente produtivo e comercial. Esse raciocínio é bem alinhado com a noção de indústria 4.0, muito cobrada em provas: dados em tempo real, conectividade e decisões mais inteligentes. Em resumo: a IoT não é sobre navegar mais rápido na internet, nem sobre aumentar retrabalho ou depender mais da mão de obra humana. Ela serve para tornar a produção mais flexível, mais conectada e mais eficiente. É a fábrica deixando de ser “cega” e passando a trabalhar com sensores, dados e ajustes finos.

Questão 7

No que se refere à rede de transportes no Brasil, julgue o item que se segue. As políticas públicas no Brasil, sobretudo as implementadas a partir da segunda metade do século passado, incentivaram o transporte rodoviário de pessoas e de cargas em detrimento de outros modais de transporte.

  • C)Certo
  • E)Errado
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Resposta correta: C

O enunciado trata da forma como o Brasil organizou sua rede de transportes ao longo do tempo. E aqui a história pesa bastante: a partir da segunda metade do século XX, especialmente com a industrialização acelerada e a expansão das rodovias, o país passou a apostar forte no transporte rodoviário, tanto para passageiros quanto para cargas. Isso aconteceu com investimentos públicos, abertura de estradas e priorização política desse modal. Na prática, o transporte por caminhões e ônibus ganhou espaço porque era visto como mais rápido de expandir e mais compatível com o projeto de integração territorial do período. O problema é que essa escolha veio acompanhada de uma dependência muito grande das estradas, deixando em segundo plano ferrovias, hidrovias e outros modais, que poderiam ter sido mais equilibrados do ponto de vista logístico. Por isso, a assertiva está correta. Ela descreve exatamente a política de incentivo ao rodoviarismo que marcou boa parte da infraestrutura brasileira no pós-1950. Essa leitura é compatível com a análise doutrinária clássica sobre matriz de transportes no Brasil: predominância rodoviária e subaproveitamento dos demais modais. Em resumo: o Estado brasileiro, sobretudo nesse período, ajudou a empurrar o país para a estrada. E quando a política pública escolhe um modal e deixa os outros na sombra, o efeito aparece por décadas.

Questão 8

A diversidade de culturas, assim como das etnias, é a expressão das especificidades das populações, comunidades e sociedades. Na atualidade, no âmbito da geografia, os estudos populacionais são considerados importantes para o entendimento

  • A)das diferentes ocupações e adaptações das populações nos ecúmenos.
  • B)de que sujeitos reunidos constituem uma população e formam a base da atividade humana em sua diversidade.
  • C)de que as diferentes populações e suas culturas devem ter homogeneidade social.
  • D)das populações a partir de suas distribuições e organizações, em termos quantitativos, independentemente das relações sociais.
  • E)das populações no contexto da identidade nacional, das normas corretas de convivência e da função social.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: A

Na Geografia, os estudos populacionais ajudam a entender como as pessoas se distribuem pelo espaço, como ocupam os territórios e como se adaptam às condições naturais, econômicas e culturais. Não é só contar gente: é relacionar população, ambiente e forma de vida. É por isso que esse tema aparece muito quando se fala em diversidade cultural e étnica, porque cada grupo humano se organiza de um jeito no espaço. A banca trouxe a ideia de ecúmeno, que é a parte do planeta efetivamente habitada e ocupada pelas sociedades humanas. Quando a questão fala em “diferentes ocupações e adaptações das populações nos ecúmenos”, ela está exatamente apontando para um dos focos da Geografia populacional: compreender como os grupos humanos vivem, usam e transformam os espaços habitados. As demais alternativas tentam puxar a discussão para homogeneidade social, identidade nacional ou apenas números. Só que isso empobrece o tema. A Geografia, especialmente na linha contemporânea, trabalha com distribuição, migração, densidade, estrutura etária, dinâmica demográfica e também com as relações sociais e culturais que moldam o território. Então, o gabarito A está correto porque traduz a leitura geográfica da população como ocupação e adaptação espacial. Em outras palavras: a população não é vista como estatística solta, mas como gente vivendo em lugares concretos, com práticas, culturas e formas próprias de organizar o espaço.

Questão 9

Segundo Lévi-Strauss, “Não se sabe como uma civilização poderia esperar beneficiar-se do estilo de vida de outra, a menos que renunciasse a ser ela mesma”. Tal afirmação leva à reflexão sobre as relações com a cultura dos povos originários no Brasil. No que se refere a esse assunto, assinale a opção correta.

  • A)A cultura deve ser a base de análise para garantir a harmonia étnico-cultural.
  • B)A cultura limita-se a uma coleção de objetos que dá características aos grupos, cuja preservação assegura o direito dos povos originários.
  • C)A mistura das culturas de diferentes povos é necessária para manter uma só cultura e a uma só etnia.
  • D)A cultura dos povos originários é a sua identidade, mas a terra e os recursos naturais se desassociam da sua livre determinação.
  • E)A cultura dos povos originários no Brasil foi o que os expôs à contaminação da covid-19.
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: A

A ideia central da fala de Lévi-Strauss é simples e bem importante: uma cultura não deve ser vista como cópia da outra, nem como algo que perde valor por ser diferente. Quando uma sociedade tenta "aproveitar" o estilo de vida de outra sem preservar sua própria identidade, ela corre o risco de se descaracterizar. Isso ajuda a entender a proteção dada aos povos originários no Brasil: não basta falar de cultura como festa, dança ou artesanato, porque cultura também envolve modo de vida, língua, organização social, memória e relação com o território. Na Constituição de 1988, os povos indígenas têm reconhecidos seus direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, além do respeito à sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições. Ou seja, cultura e território caminham juntos. Sem terra e sem condições de vida próprias, a identidade cultural fica ameaçada. A doutrina de direitos indígenas costuma reforçar exatamente isso: a proteção cultural não é só simbólica, ela depende de proteção material e territorial. Por isso, a alternativa A é a correta ao afirmar que a cultura deve ser a base de análise para garantir a harmonia étnico-cultural. Em temas de povos originários, o olhar correto é o do respeito à diversidade cultural, sem exigir assimilação forçada. A banca gosta muito dessa lógica: valorizar a diferença, proteger identidades e evitar a ideia de "uma cultura única" para todo mundo. Resumindo: para os povos originários, cultura não é enfeite de vitrine. É identidade viva, ligada à terra, à coletividade e à autonomia.

Questão 10

Em relação às crises financeiras internacionais e domésticas recentes, julgue os próximos itens. I A despeito da legalidade, a crise financeira do subprime teve como elemento importante as operações efetuadas fora de balanço dos bancos. II No auge da crise da dívida soberana dos países europeus, o Brasil apresentou a sua mais alta taxa de crescimento do produto interno bruto das últimas décadas. III Na zona do Euro, as políticas monetária e fiscal são unificadas e adotam diretrizes comuns estabelecidas pelo Parlamento Europeu. IV Para evitar crises bancárias, o Banco Central do Brasil proibiu a relação de operações de swap cambial reverso. Estão certos apenas os itens

  • A)I e II.
  • B)I e III.
  • C)II e IV.
  • D)I, II e III.
  • E)II, III e IV.
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Resposta correta: A

A crise do subprime, de 2007-2008, mostrou como ativos de baixa qualidade e muita alavancagem podem virar uma bola de neve. Um ponto importante foi justamente o uso de operações fora de balanço, que escondiam riscos e deixavam os bancos parecerem mais saudáveis do que realmente estavam. Isso ajuda a explicar por que o item I está certo. O item II está errado porque o auge da crise da dívida soberana europeia não coincidiu com o maior crescimento do PIB brasileiro das últimas décadas. O Brasil até teve bom desempenho em alguns momentos do ciclo anterior, mas a afirmação exagera e mistura períodos diferentes. No item III, há uma troca importante: na zona do euro, a política monetária é centralizada pelo Banco Central Europeu, mas a política fiscal continua, em grande parte, nas mãos de cada país. Além disso, quem aprova diretrizes comuns não é o Parlamento Europeu como se houvesse uma unificação total. O arranjo institucional é bem mais descentralizado na parte fiscal. Já o item IV também está errado. O Banco Central do Brasil não proibiu operações de swap cambial reverso para evitar crises bancárias; essas operações fazem parte do conjunto de instrumentos de política cambial e de gestão de liquidez. Portanto, somente o item I está correto, o que leva ao gabarito A.

Perguntas frequentes

Este quiz de Conhecimentos Gerais CESPE/CEBRASPE é gratuito?

Sim. As 10 questões são gratuitas, com gabarito e microaula (explicação) em cada uma.

As questões de Conhecimentos Gerais CESPE/CEBRASPE são reais de concurso?

Sim. São questões reais de concursos públicos e da OAB, da banca CESPE/CEBRASPE, selecionadas do acervo do furafila.

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Como funciona a pontuação da Cebraspe?

É líquida: um item errado anula um certo (fator 1:1) e, em alguns certames, são duas erradas para anular uma certa (2:1). Por isso o chute aleatório, na média, reduz a nota.

Quantos itens devo deixar em branco na Cebraspe?

Candidatos aprovados costumam deixar de 10% a 20% dos itens em branco, justamente os que seriam chute puro, para proteger a pontuação líquida.

A Cebraspe cobra decoreba ou entendimento?

Mais entendimento. Ela explora conceitos, exceções e aplicação prática, então estudar só palavra-chave não basta: é preciso saber quando a regra não vale.

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