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Questões de Auditoria FGV: comentadas e grátis

Pratique questões de Auditoria da banca FGV, comentadas e de graça, para concursos públicos. Gabarito e explicação em cada questão.

10 questões comentadas · grátis

Questão 1

O auditor independente percebeu que uma entidade contabilizava seus gastos com pesquisa e desenvolvimento de produtos como ativo intangível, em seu balanço patrimonial. Assinale a opção que indica a constatação do auditor.

  • A)O passivo no Balanço Patrimonial está superavaliado.
  • B)O ativo circulante no Balanço Patrimonial está subavaliado.
  • C)O ativo não circulante no Balanço Patrimonial está superavaliado.
  • D)O resultado apresentado na Demonstração do Resultado do Exercício está subavaliado.
  • E)O resultado apresentado na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido está subavaliado.
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Resposta correta: C

Na auditoria, a primeira pergunta é simples: o registro contábil respeita o CPC? Quando a entidade joga para o ativo algo que deveria ir para despesa, o balanço fica mais bonito do que a realidade. É aquele enfeite que passa no olho, mas não passa na norma. Pela lógica do CPC 04 (Ativo Intangível) e do CPC 25/IAS 38, gastos de pesquisa devem ser reconhecidos diretamente no resultado, e só em situações específicas parte do desenvolvimento pode ser ativada, se atender aos critérios técnicos. No enunciado, a entidade tratou gastos com pesquisa e desenvolvimento como ativo intangível de forma genérica, o que indica capitalização indevida. O efeito mais direto é a superavaliação do ativo não circulante, porque um intangível foi reconhecido sem a devida base contábil. Além disso, o resultado tende a ficar artificialmente maior, já que uma despesa foi tirada do exercício. Mas a alternativa correta pede a constatação principal do auditor sobre o balanço patrimonial. Por isso, o gabarito é a letra C: o ativo não circulante está superavaliado. Em prova, desconfie sempre de gastos que foram parar no ativo só para “melhorar” os números. A contabilidade adora uma maquiagem, mas a auditoria foi feita justamente para tirar o pó do espelho.

Questão 2

Leia o fragmento a seguir: Risco de _____________ é o risco de que o auditor expresse uma opinião de auditoria inadequada quando as demonstrações contábeis contiverem distorção relevante. É uma função dos riscos de _________________ e do risco de _____________. Assinale a opção cujos termos completam corretamente as lacunas do fragmento acima.

  • A)auditoria - de distorção relevante - de detecção
  • B)detecção – inerente - de controle
  • C)detecção - de distorção relevante - de auditoria
  • D)distorção relevante – inerente - de controle
  • E)distorção relevante - de auditoria - de detecção
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Resposta correta: A

Na auditoria, existe uma ideia central que você precisa guardar como se fosse a trilha sonora da disciplina: o auditor nunca zera o risco. O que ele faz é reduzir esse risco a um nível aceitavelmente baixo, por meio de procedimentos bem planejados e executados. Nesse contexto, o risco de auditoria é justamente a chance de o auditor emitir uma opinião inadequada sobre demonstrações que, na verdade, têm distorção relevante. A fórmula clássica da NBC TA 200 e da NBC TA 315/330 trabalha com a lógica de que o risco de auditoria é uma função de dois grandes blocos: os riscos de distorção relevante e o risco de detecção. Os riscos de distorção relevante se desdobram em risco inerente e risco de controle. Já o risco de detecção é o risco de os procedimentos do auditor não captarem uma distorção que existe. É a parte em que o auditor diz: "eu procurei, mas a falha escapou". Por isso, a lacuna do enunciado fecha exatamente assim: risco de auditoria, risco de distorção relevante e risco de detecção. A banca FGV gosta muito dessa engenharia de conceitos, trocando os termos para ver se você confunde o guarda-chuva maior com seus componentes. Se você lembrar que distorção relevante = inerente + controle, e que o auditor se protege com testes para reduzir o risco de detecção, a questão fica bem mais tranquila. Então, o gabarito A está correto porque completa a frase com a terminologia técnica usada nas normas de auditoria: "Risco de auditoria" é o risco de emitir opinião inadequada quando há distorção relevante nas demonstrações, e ele decorre dos riscos de distorção relevante e do risco de detecção. É a fórmula padrão da matéria, bem cobrada em prova e muito alinhada ao texto normativo.

Questão 3

Célia e Celina travaram intenso debate a respeito da classificação das atividades de auditoria realizadas pelos auditores do Tribunal de Contas. Célia defendia que o exame da legalidade e da legitimidade dos atos de gestão se desenvolve nos planos contábil, financeiro, orçamentário e patrimonial, sendo subdividido nas auditorias de conformidade e operacional. Celina, por sua vez, afirmava que o exame da economicidade e da eficiência dos programas governamentais, de modo a avaliar o seu desempenho e a promover o aperfeiçoamento da gestão, é realizado no âmbito da auditoria de regularidade. Considerando as narrativas de Célia e Celina a respeito da classificação das auditorias, é correto afirmar que:

  • A)ambas estão certas em seus pontos de vista;
  • B)apenas Celina está errada, pois a auditoria que descreve é a de conformidade;
  • C)apenas Célia está errada, pois as auditorias que descreve são a contábil e a operacional;
  • D)Célia e Celina estão erradas, pois as auditorias descritas pela primeira são a de conformidade e a contábil, e, pela segunda, a operacional;
  • E)Célia e Celina estão erradas, pois as auditorias descritas pela primeira são a operacional e a de regularidade, e, pela segunda, a de conformidade.
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Resposta correta: D

Na auditoria do setor público, a classificação costuma misturar duas coisas: o que se examina e qual o foco do trabalho. Quando a análise é da legalidade e da legitimidade dos atos de gestão, olhando os planos contábil, financeiro, orçamentário e patrimonial, estamos diante da auditoria de conformidade, também chamada de regularidade em algumas referências do controle externo. Já quando o objetivo é avaliar economicidade, eficiência e resultados dos programas, a ideia é verificar desempenho e melhoria da gestão, o que caracteriza a auditoria operacional. A pegadinha aqui é que as expressões parecem parecidas, mas não são. Conformidade olha se o ato está de acordo com a norma e com os requisitos formais. Operacional olha se a máquina pública está funcionando bem, gastando com inteligência e entregando resultado. Em linguagem de concurso: uma cuida da legalidade, a outra da performance. Por isso o gabarito é D. Célia errou ao dizer que esse exame se subdivide em auditorias de conformidade e operacional, porque a descrição que ela trouxe corresponde, na prática, à auditoria de conformidade, e a menção aos planos contábil, financeiro, orçamentário e patrimonial remete ao exame contábil/regularidade, não a uma divisão entre essas duas espécies. Celina também errou, porque economia e eficiência de programas governamentais são objeto de auditoria operacional, e não de auditoria de regularidade. Em termos doutrinários e de controle externo, isso bate com a lógica consagrada pelo TCU e pela doutrina de auditoria governamental: regularidade/conformidade para legalidade e legitimidade, e operacional para economicidade, eficiência e eficácia.

Questão 4

A não obtenção de evidência de auditoria apropriada e suficiente para fundamentar sua opinião implica que o auditor:

  • A)expresse uma opinião adversa, se concluir também que as distorções são relevantes e generalizadas para as demonstrações contábeis;
  • B)expresse uma opinião com parágrafo de ênfase, se concluir também que os possíveis efeitos de distorções não detectadas sobre as demonstrações contábeis poderiam ser relevantes e generalizados;
  • C)expresse uma opinião com ressalva, se concluir também que os possíveis efeitos de distorções não detectadas sobre as demonstrações contábeis poderiam ser relevantes, mas não generalizados;
  • D)expresse uma opinião não modificada, se concluir também que as distorções são relevantes, mas não generalizadas nas demonstrações contábeis;
  • E)se abstenha de opinar, se concluir também que as distorções poderiam ser relevantes, mas não generalizadas nas demonstrações contábeis.
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Resposta correta: C

Na auditoria, o auditor precisa juntar evidência apropriada e suficiente para sustentar sua opinião. Quando ele não consegue isso, não basta “dar um jeitinho” e seguir em frente: ele precisa avaliar o impacto dessa limitação nas demonstrações contábeis. A regra vem da NBC TA 705 (equivalente à ISA 705), que trata das modificações na opinião do auditor. Se a falta de evidência puder gerar distorções relevantes, mas sem alcançar efeito generalizado, a opinião deve ser com ressalva. Se, além de relevante, o efeito potencial for generalizado, aí a saída é a abstenção de opinião. Ou seja: o eixo da questão é a combinação entre relevância e generalização, não apenas a ausência de evidência. Por isso o gabarito é a letra C. A banca descreve exatamente o cenário em que o auditor não conseguiu evidência suficiente, mas os possíveis efeitos das distorções não detectadas seriam relevantes e não generalizados. Nesse caso, a opinião fica modificada por ressalva, e não por abstenção. Resumo de prova: falta de evidência + efeito relevante e não generalizado = ressalva; falta de evidência + efeito relevante e generalizado = abstenção. É a dupla clássica que a FGV adora misturar para ver se você tropeça.

Questão 5

A determinação de materialidade pelo auditor é uma questão de julgamento profissional e é afetada pela percepção do auditor das necessidades de informações financeiras dos usuários das demonstrações contábeis. Neste contexto, é razoável que o auditor assuma que os usuários

  • A)podem ou não possuir conhecimento de negócios e de contabilidade.
  • B)possuem plena confiança no auditor e no trabalho realizado por sua equipe.
  • C)tomam decisões econômicas de acordo com o relatório do auditor.
  • D)reconhecem as incertezas inerentes à mensuração de valores baseados no uso de estimativas.
  • E)precisam das informações com tempestividade, para tomar suas decisões com rapidez.
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Resposta correta: D

Materialidade, na auditoria, nao e um numero magico tirado da cartola. Ela depende do julgamento profissional do auditor e da forma como ele enxerga as necessidades dos usuarios das demonstracoes contabeis. Em outras palavras, o auditor nao pensa como “qualquer pessoa”, mas como alguem que estima o que pode influenciar decisoes economicas desses usuarios. As normas de auditoria adotam a ideia de que os usuarios das demonstracoes possuem uma noção razoavel de negocios e contabilidade e entendem que as demonstracoes sao preparadas com base em estimativas e julgamentos. Isso aparece claramente no arcabouco das NBC TA, em linha com a estrutura conceitual do IASB/CPC, que reconhece a existencia de incertezas na mensuracao de valores. Por isso, o auditor nao pode presumir que o usuario espera certeza absoluta. Pelo contrario: se um valor decorre de estimativa, como provisoes, vida util, impairment ou contingencias, o usuario razoavel sabe que ha margem de incerteza. Essa ideia e central para avaliar o que e material e o que merece maior atencao no trabalho de auditoria. Assim, o gabarito esta em D porque o auditor deve assumir um usuario razoavel que reconhece as incertezas inerentes a mensuracoes baseadas em estimativas. Isso orienta a avaliacao da materialidade e evita uma expectativa irreal de exatidao total nas demonstracoes contabeis.

Questão 6

Na auditoria do projeto de um decantador retangular convencional de uma estação de tratamento de esgoto, verificou-se que a velocidade de sedimentação crítica vs, obtida de ensaios com cone de Imhoff, era 0,012 m/s. Já havia sido definido pelo contratante que a velocidade de escoamento longitudinal Ve seria 0,05 m/s. O projeto arquitetônico, buscando uniformizar as fundações, definiu a altura do decantador em 3m e a largura em 6m. O terreno da ETE era suficiente para diversos arranjos de comprimento do reator. Nesse caso, o menor comprimento do decantador projetado para obter uma remoção de 100% das partículas presentes na amostra do ensaio com cone deve ser de:

  • A)8,0 m;
  • B)10,4 m;
  • C)12,5 m;
  • D)15,0 m;
  • E)16,8 m.
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Resposta correta: C

Em decantadores retangulares, a ideia central é simples: a partícula precisa ter tempo de cair toda a altura útil antes de sair com a água. Se a velocidade de escoamento longitudinal é Ve, o tempo de permanência aproximado no tanque é L/Ve. Nesse mesmo tempo, a partícula desce uma distância vs x (L/Ve), onde vs é a velocidade de sedimentação crítica. Para haver remoção de 100% das partículas do ensaio, a queda vertical precisa ser igual à altura do decantador. Então, você monta a relação: vs x (L/Ve) = h. Isolando L, fica L = h x Ve / vs. É uma conta curta, mas que costuma enganar quem troca tempo por velocidade e sai multiplicando tudo sem critério. Substituindo os dados: L = 3 x 0,05 / 0,012 = 0,15 / 0,012 = 12,5 m. Portanto, o menor comprimento necessário é 12,5 m, que corresponde à alternativa C. Esse raciocínio é o clássico de hidráulica aplicada ao tratamento de esgotos, muito usado em projetos de decantadores. A banca gosta de testar justamente se você sabe ligar geometria do tanque com tempo de detenção e velocidade de sedimentação, sem cair na tentação de usar só a largura ou a altura isoladamente.

Questão 7

Com relação a um trabalho de auditoria inicial, em que as demonstrações contábeis do período anterior não foram auditadas, analise as situações a seguir. I. O auditor concluiu que os saldos iniciais contêm distorção que afeta de forma relevante as demonstrações contábeis do período corrente e o efeito da distorção não é devidamente registrado. II. O auditor concluiu que políticas contábeis do período corrente não estão aplicadas de maneira uniforme em relação aos saldos iniciais, de acordo com a estrutura de relatório financeiro aplicável. III. O auditor concluiu que uma mudança nas políticas contábeis não está devidamente registrada, de acordo com a estrutura de relatório financeiro aplicável. Assinale a opção que indica as situações em que o auditor deve expressar opinião com ressalva ou adversa.

  • A)I, apenas
  • B)I e II, apenas.
  • C)I e III, apenas.
  • D)II e III, apenas.
  • E)I, II e III.
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Resposta correta: E

Em trabalho de auditoria inicial, os saldos iniciais ganham status de protagonista: se eles vierem errados, podem contaminar o período corrente inteiro. A NBC TA 510 trata justamente dos saldos iniciais, e a lógica é simples: quando o problema é material, o auditor precisa refletir isso na opinião, normalmente com ressalva ou, se o efeito for amplo e profundo, adversa. Não há passe livre só porque o período anterior não foi auditado. Na situação I, há distorção nos saldos iniciais com efeito relevante nas demonstrações atuais e sem ajuste adequado. Isso é caso clássico de modificação da opinião, porque as demonstrações ficam materialmente incorretas. Na situação II, a política contábil do período corrente não está sendo aplicada de forma uniforme em relação aos saldos iniciais, contrariando a estrutura de relatório financeiro aplicável. Uniformidade não é enfeite: se a inconsistência gera distorção material, o auditor também modifica a opinião. Na situação III, a mudança de política contábil não foi corretamente registrada. Se a aplicação da mudança não respeita o arcabouço contábil, o efeito nas demonstrações tende a ser distorção material. Por isso, o gabarito é E: as três situações podem exigir opinião com ressalva ou adversa, conforme a gravidade e a abrangência do impacto.

Questão 8

Durante um trabalho de auditoria, o responsável pela equipe, após analisar as competências de cada um, atribuiu a um dos componentes da equipe o procedimento técnico de inspeção que deve ser aplicado para:

  • A)acompanhar a execução de processos;
  • B)conferir a exatidão de cálculos;
  • C)examinar o conteúdo de documentos;
  • D)obter informações com terceiros;
  • E)verificar o comportamento de valores extremos.
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Resposta correta: C

Na auditoria, a técnica de inspeção é uma das mais cobradas porque parece simples, mas a banca adora trocar os conceitos. Em resumo, inspeção é o exame de registros, documentos e ativos físicos, com o objetivo de verificar existência, propriedade, exatidão e adequação das informações. É o famoso olhar de lupa do auditor: não basta "dar uma passada de olhos", é para conferir de verdade. Quando a questão fala em "examinar o conteúdo de documentos", ela está apontando exatamente para a inspeção documental. Isso inclui analisar notas, contratos, extratos, livros e outros papéis ou registros eletrônicos para buscar evidência de auditoria. A própria doutrina de auditoria e as normas de auditoria convergem nessa ideia de inspeção como exame minucioso de documentos e registros. As outras alternativas descrevem outras técnicas clássicas: acompanhar processos é observação; conferir cálculos é recálculo; obter informações com terceiros é confirmação externa; verificar valores extremos lembra procedimentos analíticos. Ou seja, a banca mistura tudo para ver se você reconhece a função de cada técnica sem cair no "parece, mas não é". Portanto, o gabarito é a letra C, porque inspeção, nesse contexto, é o procedimento usado para examinar o conteúdo de documentos.

Questão 9

Durante o trabalho de auditoria em uma agência de investimentos, um auditor constatou que a empresa não tinha registrado, a partir do ano de 2016, as receitas relativas aos títulos públicos federais remunerados pelo IPCA acrescido de 7,83% ao ano, o que provocou uma redução da rentabilidade dos investidores. A técnica de auditoria mais adequada para esse tipo de constatação feita pelo auditor é:

  • A)inspeção;
  • B)observação;
  • C)circularização;
  • D)revisão analítica;
  • E)conferência de cálculos
Ver gabarito e explicação

Resposta correta: E

Quando a questão fala em verificar se uma receita deixou de ser registrada, a ideia central é conferir se os números foram apurados corretamente e se o resultado contábil faz sentido. Em auditoria, isso costuma aparecer como teste de cálculo, porque o auditor reconstrói a conta para ver se a empresa aplicou corretamente a regra de remuneração do ativo e lançou o valor devido. Aqui, os títulos eram remunerados por IPCA + 7,83% ao ano. Se a empresa não reconheceu essas receitas desde 2016, o problema pode estar justamente no cálculo da rentabilidade, na atualização monetária ou na aplicação da taxa contratada. Então o auditor olha a base, refaz a conta e compara com o que foi registrado. É o famoso: "deixe-me ver essa matemática de novo". Por isso, a técnica mais adequada é a conferência de cálculos. Ela serve para examinar a exatidão aritmética de documentos, demonstrativos e apurações, sendo muito usada quando o risco está em erro de mensuração, apropriação ou reconhecimento de valores. A lógica está alinhada com a NBC TA 500, que trata da obtenção de evidência de auditoria por meio de procedimentos como inspeção e reexecução de cálculos. As demais técnicas não são as melhores para esse caso porque não resolvem o núcleo do problema, que é verificar se a receita foi corretamente apurada. A banca FGV gosta de transformar conta errada em pegadinha de técnica de auditoria: se o enunciado cheira a valor, índice, taxa ou atualização, pense primeiro em cálculo.

Questão 10

O Tribunal de Contas do Estado Gama determinou a realização de auditoria sobre a gestão financeira dos beneficiários do regime emergencial de operação e custeio do transporte coletivo no Município Alfa. Esse regime, instituído por lei municipal, tinha por objetivo evitar falhas na prestação do serviço, decorrentes da pandemia de Covid-19, minimizando os seus impactos econômicos e sociais com o repasse de subsídios não previstos originalmente no contrato de concessão. Na sistemática estabelecida pela Declaração de Lima, a auditoria:

  • A)somente pode alcançar toda a gestão financeira das sociedades empresárias que receberam os subsídios caso isso esteja previsto no contrato de concessão;
  • B)não pode alcançar toda a gestão financeira das sociedades empresárias que receberam os subsídios, limitando-se ao montante dos recursos públicos;
  • C)deve permanecer adstrita à destinação dada ao montante correspondente aos subsídios recebidos pelas sociedades empresárias beneficiadas;
  • D)não pode alcançar a gestão financeira das sociedades empresárias que receberam os subsídios, sob pena de afronta à livre iniciativa;
  • E)pode alcançar toda a gestão financeira das sociedades empresárias beneficiadas, a depender do montante dos subsídios.
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Resposta correta: E

A Declaração de Lima, da INTOSAI, é uma das bases clássicas da auditoria pública. Ela parte da ideia de que, quando há dinheiro público envolvido, o controle externo não fica preso apenas ao momento em que o recurso sai do cofre estatal. O olhar pode ir além e alcançar a forma como esse dinheiro foi administrado pelo beneficiário, justamente para verificar se houve uso regular, econômico e fiel à finalidade pública. No caso da questão, os subsídios foram criados por lei municipal para sustentar o transporte coletivo em situação emergencial, com forte interesse público. Então, a auditoria do Tribunal de Contas não precisa ficar limitada a conferir se o valor foi recebido e anotado corretamente. Ela pode examinar a gestão financeira da empresa beneficiária na medida em que isso seja necessário para verificar o destino e a correta aplicação dos recursos públicos repassados. É por isso que a alternativa E está correta. A sistemática da Declaração de Lima admite um controle mais amplo quando os recursos públicos entram na esfera do particular e influenciam sua gestão. Em outras palavras: se o dinheiro público foi parar dentro da atividade da empresa para cumprir uma finalidade pública, o controle pode olhar a operação como um todo, e não apenas um pedacinho isolado do caixa. Essa lógica também conversa com a jurisprudência dos Tribunais de Contas e com a noção de que subvenções, auxílios e subsídios públicos submetem o beneficiário a fiscalização quanto à regularidade da aplicação, sem dispensar o exame da gestão privada quando ela estiver conectada ao uso desses valores.

Perguntas frequentes

Este quiz de Auditoria FGV é gratuito?

Sim. As 10 questões são gratuitas, com gabarito e microaula (explicação) em cada uma.

As questões de Auditoria FGV são reais de concurso?

Sim. São questões reais de concursos públicos e da OAB, da banca FGV, selecionadas do acervo do furafila.

Como treinar mais questões de Auditoria FGV?

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A FGV é uma banca difícil?

É considerada uma das mais exigentes pela combinação de enunciados longos, foco em interpretação e pegadinhas finas. A dificuldade está menos no conteúdo cru e mais na leitura atenta e na resistência ao longo de uma prova extensa.

Como são as questões da FGV?

Em geral múltipla escolha com cinco alternativas, em forma de caso prático, com textos longos e alternativas igualmente detalhadas. Muitas cobram inferência, ou seja, informação implícita que exige raciocínio. Vários concursos têm também fase discursiva com limite de linhas.

Qual a melhor forma de estudar pra banca FGV?

Resolver muitas questões da própria FGV, cronometrando, lendo o enunciado inteiro antes das alternativas e revisando os erros por causa (interpretação, pegadinha ou conteúdo). O treino precisa imitar o formato real da prova.

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